Pneumonia bovina: do início ao fim

17 fev 2014

Pneumonia bovina: do início ao fim

Dentre as doenças frequentes que acometem os bovinos, as pneumonias são as mais comuns em todo sistema de produção, seja extensivo ou intensivo, corte ou leite. (ANDREWS et al., 1992, apud GONÇALVES, 2009; RADOSTITS et al., 2002). Os prejuízos dependem do grave de acometimentos, uma vez os gastos podem variar desde medicação e manejo, até queda no ganho de peso e condenação de carcaças. A pneumonia é uma doença desencadeada por inúmeros fatores como mudanças no ambiente, manejo, dieta onde há desequilíbrio do sistema imunológico, predispondo a entrada dos agentes infecciosos (RADOSTITS et al., 2002; BOWLAND e SHEWEN, 2000 apud GONÇALVES, 2009). A ocorrência desta doença é acentuada em épocas de seca e acomete animais de todas as faixas etárias. Nos bezerros a forma mais comum é a pneumonia enzoótica, isto se deve a uma série de fatores predisponentes dentre as variações de temperatura, baixa umidade relativa, falhas de manejo da cura do umbigo, outras enfermidades como as diarreias, debilitando o animal tornando-o mais susceptível. Vale lembrar que pelo fato dos bezerros apresentarem seu sistema imune ainda em desenvolvimento, são ainda mais vulneráveis. Outra categoria frequentemente acometida são os animais confinados. Além de todos os fatores ambientais envolvidos, existe a formação de lotes com animais de idades e níveis imunológicos diferentes, o que acarreta num aumento significativo de estresse, além de serem oriundos de propriedades distintas, que podem disseminar bactérias e vírus que auxiliam no desenvolvimento do quadro (WALTNER-TOEWS et al., 1986; CALLAN e GARRY, 2002; SVENSSON e LIBERG, 2006 apud GONÇALVES, 2009). A pneumonia é uma enfermidade abrangente e com diversos agentes etiológicos, podendo ter um ou mais patógeno, dentre eles as bactérias (Pasteurella sp, Mycoplasma sp, entre outros), os vírus (Herpesvírus tipo-1 (BHV-1), Vírus da Diarreia Viral Bovina (DVB), entre outros), por fungos e ainda por vermes (Dictyocaulus viviparus) (RADOSTITS et al., 2002). A transmissão ou contágio pode ocorrer via aérea ou ingestão de secreções orais e nasais de animais doentes. Os animais acometidos apresentam quadro clínico inicial de aumento da frequência respiratória, sons respiratórios anormais (sibilos, roncos), dificuldade respiratória, febre (pelos arrepiados), corrimento nasal de seroso a mucopurulento, tosse, falta de apetite e em certos casos, toxemia. A observação destes sinais, aliado ao exame físico e ao histórico do animal é uma forma confiável de diagnóstico, mas quando se tem um grande número de animais doentes, como nos confinamentos, as presenças dos sinais já fecham o diagnóstico. No entanto, para isolamento do agente causal é recomendado o envio de material (swab nasal, traqueal, conjuntival, ou fragmento de pulmão), devidamente acondicionado, para laboratórios que realizem os testes específicos que vão identificar o agente. GONÇALVES (2009) relata algumas medidas que podem ser empregadas na prevenção da doença. Para os bezerros deve-se fornecer o colostro adequadamente, associado à correta cura do umbigo. As condições higiênicas devem ser ideais para todo rebanho; deve-se evitar fatores de risco e estressantes, como manipulação desnecessária; promover controle estratégico de verminoses; investir na qualificação da mão de obra; instalações adequadas para manejo e abrigo; fornecer alimentação palatável e balanceada ao rebanho; evitar formação de poeira, evitar condições estressantes no transporte, cuidado nas alterações de manejo e isolar animais doentes o quanto antes, para diminuir a disseminação no rebanho. A cura dos animais severamente afetados é a mais difícil de obter, pois depende da natureza dos agentes e das condições gerais do animal (COUTINHO, 2004 apud MARGARIDO et al., 2008). Portanto, para o tratamento das pneumonias, é indicada a utilização de antibiótico de amplo espectro de ação para a eliminação de possíveis agentes associados, aliado a um anti-inflamatório para diminuir o desconforto. O Ourotetra Plus LA é um dos produtos de eleição no tratamento das doenças respiratórias, por ser tratar da associação de antibiótico (oxitetraciclina) e anti-inflamatório (diclofenaco) em concentrações terapêuticas, utilizados em dose única na maioria das vezes. Outro benefício é o uso da via endovenosa, na qual se obtêm rápido efeito e resolução do quadro infeccioso. A pneumonia é uma doença comum, severa e que acarreta grandes prejuízos zootécnicos, impacta diretamente na lucratividade da fazenda e portanto, a identificação rápida e um bom tratamento são fundamentais para a sustentabilidade do seus negócios.

Fique alerta, o mínimo de ronco e corrimentos nasais devem ser tratados imediatamente.  

Referências

GONÇALVES, R. C., O sistema respiratório na sanidade de bezerros, 2009-Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias - Universidade Estadual Paulista, Jaboticabal-SP. MARGARIDO, R. S. et al, Doenças Respiratórias dos Bovinos, 2008. RADOSTITS, O.M., BLOOD, D.C., et al. Veterinary medicine: a textbook of diseases of cattle, sheep, pigs, goats and horses. 9.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. 1737p. REBHUN, W.C., Doenças do Gado Leiteiro. 1.ed. São Paulo: Editora Roca, 2000. 462p. VECHIATO, T.A.F. Pasteurelose: a pneumonia dos confinamentos. Revista Veterinária e Zootecnia em Minas, CRMV-MG, p.19-21.

André Cayeiro Cruz

Departamento Técnico de Saúde Animal Ourofino

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