Leptospirose Bovina: Um Prejuízo Oculto

21 jan 2013

Leptospirose Bovina: Um Prejuízo Oculto

Por: Gabriela Tortorelli

A leptospirose é uma doença transmissível entre animais e humanos que traz grandes prejuízos principalmente em bovinos, devido a sua grande influência na queda de produção, infertilidades, abortamentos e mortalidade em bezerros. A leptospirose ocorre em todas as espécies de animais pecuários, em animais domésticos e é uma importante zoonose causada principalmente pela bactéria Leptospira interrogans. No Brasil a doença é endêmica com soroprevalência nos rebanhos de 74% a 100% e em animais, de 45,5% a 62,3%. É associada a taxas de 47% de infertilidade e 12 a 68,4% de abortamentos em rebanhos não vacinados (PIRES, 2010). Essa enfermidade é transmitida entre os animais direta ou indiretamente via transplacentária, nasal, conjuntival e vaginal, por meio do contato com a urina, sêmen, sangue, secreções vaginais, por mordeduras, ingestão de tecidos infectados, exposição a fontes de água, solo ou alimentos contaminados. A urina é o principal meio de transmissão, pois os animais, mesmo após recuperação clínica, podem eliminar as leptospiras na urina por até 280 dias, que pode persistir no ambiente por tempo variável de acordo com as condições de umidade, temperatura e pH (PIRES, 2010). A monta natural é uma importante via de transmissão nos bovinos, porém a inseminação com sêmen industrializado tem transmissão mínima, devido às exigências de atestado de sanidade do touro doador e da manipulação do ejaculado antes do envase. Do ponto de vista epidemiológico deve-se destacar o papel dos roedores (ratos) como reservatórios naturais e importantes vetores da Leptospira sp em meios urbanos. Embora no meio rural o rato também tenha sua importância como fonte de infecção para o rebanho e o homem, os principais reservatórios da doença dentro de uma propriedade bovina são os próprios animais infectados, que contaminam o pasto com os fetos abortados, corrimentos uterinos e urina infectados (CASTRO, 2012). Os sinais clínicos variam desde a forma aguda e toxêmica até a forma crônica e inaparente, sendo os bezerros os mais suscetíveis aos processos toxêmicos. Os animais podem apresentar febre, sangue na urina, anemia, mucosas amareladas causadas pela hemólise intravascular. As vacas apresentam aborto geralmente no quinto mês de prenhez (GARCIA, 2012), infertilidade, nascimento de bezerros fracos e prematuros, retenção de placenta, decréscimo súbito de produção de leite, mastite, meningite e até morte. Em bovinos, a taxa de mortalidade é baixa, porém a taxa de morbidade é alta podendo atingir 100% dos animais do rebanho (BLOOD e RADOSTITS, 1989). Em bezerros a taxa de mortalidade é mais alta do que em bovinos adultos. Há transferência passiva de anticorpos para bezerros recém-nascidos por meio do colostro e os anticorpos persistem por dois a seis meses. A contaminação do ambiente e a capacidade da bactéria de sobreviver por longos períodos em condições favoráveis de umidade levam à alta incidência do microorganismo em pastos intensamente irrigados, em áreas com elevadas precipitações pluviométricas, em campos com fornecimento de água sob a forma de aguadas, em campos pantanosos e recintos e piquetes com lama. Por causa da importância da água como meio de disseminação da infecção casos novos são mais prováveis de ocorrer nas estações úmidas do ano e em áreas de baixadas, principalmente em pastos contaminados e rebanhos não vacinados. A compra e trânsito de animais, compartilhamento de pasto com outras espécies, acesso a rios, riachos, mananciais onde co-habitam outras espécies e ainda a reposição de novilhas são importantes fatores de risco para a leptospirose. A Leptospira interrogans pode ser detectada a partir de tecidos de fígado, pulmão, cérebro, rim e de fluidos corporais como sangue, leite, líquor, fluidos torácicos e peritoneais de animais clinicamente infectados. Porém, o teste padrão é a soroaglutinação microscópica (SAM) com os sorovares predominantes na região de criação do rebanho (OIE, 2009). O tratamento indicado para a leptospirose bovina é a antibioticoterapia com estreptomicina (Estreptomax®), na dosagem de 25 mg/Kg de peso vivo (1,5 mL/20 Kg de peso vivo), administrado pela via intramuscular, em dose única. Quadros agudos podem requerer transfusão e fluidoterapia para manter a função renal (ANDRADE, 2008). A vacinação é feita a partir do quinto mês de vida e repetida semestralmente. Para controlar a leptospirose certas medidas devem ser tomadas: -  Tratar os animais doentes com estreptomicina. - Vacinar o rebanho a partir do quinto mês de idade. - Controlar a população de roedores. - Eliminar excessos de água do ambiente. - Impedir os animais de beberem água em fontes contaminadas. - Limpar do ambiente de criação. - Realizar adequado armazenamento de lixos e entulhos. - Não permitir sobras de comidas no cocho dos animais. - Indivíduos expostos a situação de risco devem utilizar equipamentos de proteção individual, tais como, luvas, óculos, macacão e botas. -  Conservar adequadamente os alimentos, não permitindo o acesso de animais sinantrópicos. E lembre-se, é muito importante a consulta do médico veterinário. Literatura Consultada ANDRADE, S. F. Manual de Terapêutica Veterinária. 3ed. São Paulo: Roca p.794, 2008. BLOOD D. C. e RADOSTITS, O. M. Clínica Veterinária. 7ed. Guanabara Koogan S. A. p.637-646. 1989. CASTRO, V. Leptospirose em bovinos. Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Sanidade Animal - Instituto biológico. Disponível em:http://www.biologico.sp.gov.br/ Acesso em: 14 dez. 2012. GARCIA, M.; DELLA LIBERA, M. M. P.; BARROS FILHO, I. R. Guia On Line de Clínica Buiátrica. Disponível em:http://www.mgar.com.br/clinicabuiatrica Acesso em: 14 dez. 2012. OIE, WORLD ORGANISATION FOR ANIMAL HEALTH. OIE Listed Diseasesand Other Diseases of Importance to International Trade. In: Manual of Diagnostic Tests and Vaccines for Terrestrial Animals 2009, v.1, cap. 2. Disponível em:http://www.oie.int Acesso em: 14 dez. 2012. PIRES, A. V. Bovinocultura de Corte. FEALQ, v.2, cap. 51, p.971-975, 2010.

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