Estresse térmico e reprodução em vacas de leite

25 jan 2016

Estresse térmico e reprodução em vacas de leite

Os profissionais que trabalham na atividade leiteira estão em constante busca pela melhora na produtividade das vacas visando o aumento da produção com o mesmo número de animais. Para buscar essa melhora é muito importante, além do melhoramento genético, das técnicas reprodutivas e do controle sanitário, cuidar também do bem estar animal, pois o conforto das vacas reflete diretamente na sua produção. Em regiões tropicais como o Brasil, a principal forma de desconforto é o estresse térmico que os animais sofrem nas épocas mais quentes do ano.

O estresse térmico reduz a produção de leite e afeta negativamente a eficiência reprodutiva. Conforme revisado por Rensis et al (2003) a reduzida fertilidade devido ao estresse térmico pode ocorrer por duas vias:

1. Via indireta: Devido ao desconforto térmico, as vacas reduzem o consumo de matéria seca e podem entrar em balanço energético negativo que acaba por prejudicar a reprodução destes animais;

2. Via direta: Neste caso, o estresse térmico afeta diretamente a reprodução. Isso ocorre por uma série de aspectos que são alterados como, por exemplo: atraso da dinâmica folicular ovariana, aumento da frequência de codominância folicular, encurtamento do período de estro, redução da qualidade oocitária, redução do fluxo sanguíneo uterino, inibição do desenvolvimento embrionário entre outros.

Em ambos os casos citados acima, há um comprometimento das concentrações hormonais que acabam por prejudicar processos como o desenvolvimento folicular e a ovulação. Assim, além da busca pelo melhor ambiente térmico para os animais surgem estratégias hormonais para amenizar os danos reprodutivos causados pelo estresse térmico. Conforme revisado por Rensis et al (2015), estratégias como a eCG no momento da retirada do dispositivo bem como o GnRH no momento da IA melhoram a eficiência reprodutiva de vacas de leite sob estresse térmico. Adicionalmente, Souza et al. (2015) testaram a suplementação de progesterona (Sincrogest® injetável, Ourofino Saúde Animal) pós-inseminação em vacas Holandesas de alta produção na época quente e obtiveram um aumento na taxa de concepção aos 30 dias de 16,3% para 30,2% através desta estratégia.

Desta forma, é possível concluir que para aumentar a produtividade de vacas de leite é importante amenizar os danos causados pelo estresse térmico. Para isso, métodos de controle de temperatura e estratégias hormonais como o Sincrogest® injetável pós-inseminação são importantes ferramentas que podem ser utilizadas para se alcançar tal objetivo.


 

Referências:

El-Tarabany, MS; El-Tarabany, MS. Impact of maternal heat stress at insemination on the subsequent reproductive performance of Holstein, Brown Swiss, and their crosses. Theriogenology, v.84 (9):1523–1529, 2015.

Rensis, FD; Scaramuzzi, RJ. Heat stress and seasonal effects on reproduction in the dairy cow - a review. Theriogenology, v.60 (6):1139–1151, 2003.

Rensis, FD; Garcia-Ispierto, I; López-Gatius, F. Seasonal heat stress: Clinical implications and hormone treatments for the fertility of dairy cows. Theriogenology, v.84 (5):659–666, 2015.

Souza, EDF; Carneiro, T; Batista, EOS; Vieira, LM; Sá Filho, MF; Baruselli, PS. Impacto dos tratamentos com progesterona injetável de longa ação e/ou hCG 3 dias após a IATF na taxa de concepção de vacas Holandesas em lactação. Anais da SBTE 2015. Gramado, RS.

Roney S. Ramos

Especialista técnico em reprodução animal - Ourofino Saúde Animal

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