11 jun 2012

Doença articular degenerativa em Equinos

Com o passar dos anos houve uma evolução na medicina veterinária, principalmente na parte de diagnóstico por imagem, e na forma de se treinar os cavalos; com isso os animais atualmente permanecem na carreira esportiva por mais tempo. Esse período mais longo em campanha favorece em muito o amadurecimento dos animais e cria conjuntos (cavalo e cavaleiro) mais experientes, por outro lado começou a aumentar a incidência de doença mais tardias, dentro desse quadro se encaixam as osteoartrites (O.A.). As osteoartrites são lesões que afetam a cartilagem articular e osso adjacente, chamado de subcondral. Sua incidência é alta nos equinos atletas e atualmente é a principal responsável pela retirada precoce dos animais do esporte. A articulação é composta por diversas estruturas entre elas estão a cartilagem articular, responsável pela absorção do impacto, e o líquido sinovial responsável pela lubrificação e nutrição das células da cartilagem, os condrócitos. Com os exercícios intensos e repetitivos há o desenvolvimento de um processo inflamatório, na maioria das vezes leve e discreto que não possui manifestações clínicas, porem promove alterações na estrutura do líquido sinovial diminuindo sua viscosidade e consequentemente sua capacidade de lubrificação. O organismo na tentativa de suprir a deficiência aumenta a produção com uma qualidade inferior, levando a distensão da cápsula articular. Se não houver um bloqueio desse processo a cartilagem começará a sofrer um desgaste excessivo e diminuirá a capacidade de absorção do impacto, essa força será transmitida em maior intensidade ao osso subcondral. A resposta tecidual a essa lesão é de substituição da cartilagem lesionada por fibrocartilagem, um tecido cicatricial com capacidade de absorção inferior. O osso subcondral começa a ficar mais espesso para suportar a força transmitida, e aprecem na imagem radiográfica os ósteofitos. Todo esse processo acaba se perpetuando e claudicações simples ficam cada vez mais evidentes e freqüentes. Dentro dos achados clínicos temos a claudicação exacerbada no teste de flexão articular, essa lesão pode ser confirmada através do exame radiográfico. Mas uma avaliação da cartilagem só será realizada através do exame ultrassonográfico ou até mesmo por meio de uma artroscopia. Existem diversas maneiras para se tratar um animal com O.A., a escolha da melhor terapia depende do grau de lesão, idade do cavalo, esporte e disponibilidade de investimento. Podem ser utilizados anti-inflamatórios não esteroidais sistêmicos ou corticosteróide intra-articulares com a finalidade de bloquear o processo inflamatório e diminuir a dor. Também podemos incluir na terapêutica fármacos para melhorar a qualidade do líquido sinovial como acido hialurônico, esses medicamentos podem ser usados diretamente intra-articular ou via intramuscular, depende do peso molecular de sua molécula. Quanto maior o peso molecular maior a indicação de uso intra-articular, melhor densidade e viscosidade porem maior o custo. Os medicamentos que melhoram a qualidade da cartilagem articular são os condroprotetores, sulfato de condroitina e  glicosaminoglicanos, utilizados via intramuscular ou oral. Esses produtos melhoram em muito a qualidade da cartilagem e do liquido sinovial e ajudam a diminuir o processo inflamatório e consequentemente controlando a dor. Apesar de toda essa linha terapêutica ser amplamente conhecida e comumente aplicada nos animais é importante enfatizar que uma vez desencadeado o processo a cicatrização da cartilagem nunca será similar, portanto devemos buscar a prevenção da doença seja através do uso dos condroprotetores periodicamente, mas também com treinamento em pisos adequados, na intensidade proporcional e após os exercícios utilização de gelo nos membros e articulações mais afetadas ou mais exigidas em cada modalidade.  

Prof. Rodrigo Cruz

Médico Veterinário

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