11 jan 2019

Controle de carrapatos

Os carrapatos são parasitas que se alimentam do sangue de seus hospedeiros. Nos bovinos, além de transmitirem doenças como a Tristeza Parasitária Bovina, causam estresse, perda de peso, redução na produção de leite e danos ao couro do animal. Segundo a SNA (Sociedade Nacional de Agricultura), os prejuízos causados por carrapatos no gado podem chegar a U$ 3,4 bilhões ao ano, somente no Brasil. O país tem grandes áreas tropicais e subtropicais com clima quente e úmido, ambiente com condições favoráveis para o desenvolvimento dos carrapatos.

Conhecer o ciclo do carrapato é a chave para fazer o certo controle estratégico no rebanho. Este ciclo é dividido em duas fases, conforme explica o médico-veterinário e gerente técnico da Ourofino Saúde Animal, Ingo Mello. “A primeira é quando o parasito está presente no animal. O que vemos corresponde a apenas 5% da população total de carrapatos e representa em média apenas 21 dias do ciclo. Já a fase de vida livre é representada pelas larvas do carrapato, presentes no ambiente, que correspondem aproximadamente a 95% da população de carrapatos e podem persistir de 15 dias a oito meses no ambiente”, explica o gerente técnico.

A fase parasitária do carrapato começa quando as larvas presentes no ambiente sobem nos animais e ficam escondidas nas partes mais protegidas do corpo, porém se alimentam pouco do sangue do bovino. Após alguns dias as larvas se transformam em ninfas, metaninfas, neogenas (macho e fêmea) que copulam e passam a se alimentar de 2 a 3 ml de sangue dos animais, principalmente nos últimos três dias da fase parasitária. O período de vida livre tem início quando a teleógina, cheia de sangue (ingurgitada) e medindo mais de oito milímetros, se desprende do animal e vai para o solo fazer a postura de até 4,5 mil ovos em poucos dias.

O pecuarista Adriano Lopes, da Ilma Agropecuária de Angatuba (SP), comenta que o carrapato é o grande desafio da pecuária com animais de alta performance e que adotar tecnologias de manejo são fundamentais. "Nós usamos o controle estratégico de carrapatos com aplicações de Master LP, Superhion, Fluatac Duo e Colosso Pour On em nossos animais Canchim, nos intervalos corretos. Vemos o resultado no desempenho dos bovinos e avanços no controle do ectoparasita, de forma segura e eficaz”, comenta Lopes.

Conhecer o ciclodo carrapato é a chave para fazer o controle estratégico assertivo no rebanho

Soluções para cada fase

O gerente técnico explica que a escolha do carrapaticida a ser utilizado no início do controle deve levar em consideração o grau de infestação. “Isso é importante para determinar inclusive a necessidade de adoção de um programa de controle estratégico, repetindo tratamentos, com o objetivo de reduzir a carga no animal e no ambiente, principalmente para interromper o início da fase parasitária e seu desenvolvimento no bovino. As infestações são divididas em alta, média e baixa”, complementa Mello. Confira a seguir as soluções indicadas pela Ourofino Saúde Animal para cada nível de infestação.

Carga alta

Nesta fase é importante priorizar ectoparasiticidas de contato no início dos tratamentos como o Colosso Pour On, Colosso FC30 e Colosso Pulverização. Para um controle efetivo das formas adultas já ingurgitadas (a fêmea do carrapato já se alimentou do sangue do animal), a recomendação é Colosso FC30 ou Colosso Pour On e seguir com tratamentos utilizando Superhion ou Fluatac Duo. Fazer o controle integrado das verminoses com endectocidas sistêmicos é indispensável para proporcionar a alta performance dos animais. As indicações são Master LP, Evol, Voss Produce e Ivermectina OF.

Carga Média

No caso de média infestação, a sugestão é intercalar o uso de produtos de contato como Colosso Pour On ou Colosso FC30 e seguir com o Fluatac Duo ou Superhion para comprometer o desenvolvimento das formas jovens e evitar a formação dos ovos durante o engurgitamento (quando o carrapato está se alimentando do sangue).

Carga Baixa

Já em casos onde há pouca presença do parasita, a orientação é aplicar o Fluatac Duo alternando com o Superhion. Cada propriedade tem suas particularidades, por isso a primeira orientação é pedir ajuda para o médico-veterinário para montar a estratégia ideal para o rebanho. Sabemos que há várias fases parasitárias de acordo com as gerações que aparecem ao longo do ano. Em algumas propriedades é possível ter até seis gerações parasitárias e outras com apenas três gerações, o que vai definir esse número é o clima. Quanto mais quente e úmido, mais favorável para o ciclo e número de gerações. Já o clima frio é negativo para o ciclo e prejudica as gerações. “Durante o inverno as cargas parasitárias diminuem, mas com o início das águas, as larvas que sobreviveram ao período iniciam a primeira geração e assim sucessivas gerações contribuindo em altas infestações no verão. Devemos iniciar o controle já nas primeiras gerações”, orienta Ingo.

Tristeza parasitária

A Tristeza Parasitária Bovina (TPB) é um complexo de doenças muito comum. São causadas principalmente por protozoários da espécie Babesia bovis e Babesia bigemina , provocando a Babesiose, e pela Rickettsia Anaplasma marginale, que provoca a Anaplasmose. Ambas são transmitidas pela picada do carrapato Boophilus microplus e a Anaplasmose também pode ser transmitida por insetos como moscas e mosquitos.  Essas enfermidades podem causar alta taxa de mortalidade no rebanho e provocam grandes perdas econômicas para o produtor devido aos custos de tratamento, além da redução da produção e a infertilidade temporária de fêmeas e machos.

Os sinais clínicos podem ser anorexia, pelos arrepiados, taquicardia, taquipneia, redução dos movimentos ruminais, anemia, prostração, redução da lactação, icterícia que é a presença de uma cor amarelada na pele, nas membranas mucosas ou nos olhos, entre outros. Nos casos de infecção por Babesia bovis, o animal também poderá apresentar sinais nervosos, como falta de coordenação motora, andar cambaleante, movimentos de pedalagem e agressividade.

Fazer o controle estratégico do carrapato pode ajudar a reduzir os casos de Tristeza Parasitária no rebanho. Hoje também é possível prevenir a TPB.

Confira como agir na prevenção e no tratamento da doença.

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