Artigos - Afecções de cascos em bovinos: causas, diagnóstico, controle e tratamento

18 ago 2014

Afecções de cascos em bovinos: causas, diagnóstico, controle e tratamento


Foto: Daniela Miyasaka

As afecções de casco em bovinos estão entre as principais enfermidades que acometem os rebanhos brasileiros, sendo responsáveis por aproximadamente 60% das causas de claudicação em animais dessa espécie.

Nas últimas décadas os problemas relacionados às enfermidades de cascos em bovinos vêm ganhando importância devido ao seu alto impacto sobre os gastos nas fazendas leiteiras, sendo considerados, juntamente com os problemas de glândula mamária e reprodutivos, como as principais perdas econômicas na pecuária leiteira. A claudicação causada por lesão nos dígitos pode acarretar perdas consideráveis sobre a produção de leite, com comprometimento de até 20% sobre produção. Além das perdas diretas na produção de leite, os problemas de casco também provocam diminuição da eficiência reprodutiva, aumentam a incidência de mastite, gastos com tratamentos, taxa de descarte, podendo chegar, em alguns casos, até na morte do animal.

A prevalência de cada tipo de lesão está diretamente relacionada com a presença de fatores predisponentes e sistema de produção. Dentre os principais fatores predisponentes podemos destacar:

- Acúmulo de matéria orgânica;

- Alta taxa de lotação;

- Excesso de umidade;

- Terreno abrasivo;

- Predisposição genética, dentre outras..

A prevalência de afecções podais é significativamente superior em sistemas de confinados e semi-confinados quando comparado aos dos sistemas extensivos, muito pelo fato da constante utilização da água para higienização das instalações. A umidade excessiva favorece o amolecimento dos cascos, tornando-os mais frágeis e susceptíveis a traumas. Já nos sistemas extensivos as lesões ocorrem na maioria das vezes em decorrência de traumas por agentes mecânicos, como troncos e galhos de árvores nas pastagens ou irregularidade do terreno.

As afecções podais, em quase sua totalidade, são lesões contaminadas e que tem como principais agentes etiológicos o Fusobacterium necrophorum e o Dichelobacter nodosus. No entanto, outras bactérias também vêm sendo isoladas tais como Escherichia coli e Staphylococcus spp.

O diagnóstico das enfermidades é feito de forma clínica, pela avaliação dos dígitos e pelos sinais clínicos, que podem variar desde uma claudicação leve até uma incapacidade de permanecer em estação ou dificuldade em se locomover.

Como na maioria das doenças, a melhor forma de controlá-la é por meio da prevenção, que nesses casos pode ser realizada com alternativas como casqueamento preventivo, pedilúvio e medidas de higiene.

Nos casos em que o animal que já apresenta a doença precisamos aliar o rápido diagnostico com o tratamento. Dentre os principais tratamentos adotados estão o casqueamento com limpeza e curetagem do local, aplicação de tratamento local e sistêmico. Lactofur e Maxicam 2% é um combinado de sucesso para essas doenças. São fortemente recomendados para esses casos, pois agem com rapidez e promovem recuperação e epitelização.

E lembre-se: a consulta do médico veterinário é muito importante para avaliar a gravidade do caso clínico e recomendar o protocolo mais eficiente.

 

Referências

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João Paulo Oliveira

Discente, Medicina Veterinária UFU

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