01 nov 2018

Sincroforte no momento da IATF aumenta a fertilidade de fêmeas

A inseminação artificial em tempo fixo (IATF) em propriedades de corte vem sendo utilizada para acelerar o ganho genético, diminuir o intervalo entre partos e aumentar a quantidade de fêmeas prenhes no início da estação de monta, o que leva à produção de bezerros mais pesados à desmama (no caso de machos para abate) e bezerras com maior precocidade sexual (no caso de fêmeas para reposição).

Nesse contexto, todos os esforços para se obter uma maior taxa de prenhez, principalmente nas primeiras inseminações, são válidos. Diversos pesquisadores têm estudado estratégias para incremento da fertilidade das vacas inseminadas, sendo que muitas vezes essas táticas são focadas nas fêmeas com maior desafio dentro dos lotes da propriedade.

Há algum tempo, esses trabalhos têm demonstrado que as vacas com pouca ou nenhuma manifestação de cio entre a retirada do dispositivo de progesterona (D8) e a IATF (D10) possuem menor taxa de prenhez quando comparadas com as fêmeas que expressam cio nesse intervalo de dois dias. Para fazer a leitura da manifestação de cio, são utilizados adesivos ou bastões marcadores, aplicados na inserção da cauda dos animais no dia da retirada do dispositivo – se a fêmea expressa cio, ela aceita a monta de outras vacas e, consequentemente, o adesivo muda de cor ou, se for utilizado o bastão marcador, o mesmo é removido na leitura feita no dia da IATF:

Figura 1: exemplo de leitura de expressão de cio, no dia da IATF. Adaptado de Nogueira, E. (EMBRAPA Pantanal) et. al – SBTE2017

 

Figura 2: taxa de prenhez à IATF de acordo com o escore de cio (Felisbino Neto et. al, comunicação pessoal - 2018)

 

Para se incrementar a taxa de prenhez das vacas com escore de cio 1 ou 2, tem-se utilizado o Sincroforte, que é um análogo do GnRH – hormônio responsável por promover a ovulação. Essa estratégia é interessante, pois é muito simples de ser aplicada, além de não aumentar o número de manejos do protocolo de IATF, garantindo o calendário proposto no início da estação de monta.

O incremento observado na taxa de concepção gira em torno de 10-12 pontos percentuais nas vacas com ausência ou baixa manifestação de cio, de acordo com diversas pesquisas realizadas:

Figura 3: incremento da taxa de prenhez das fêmeas com escore de cio 1 ou 2, quando foi utilizado o Sincroforte no momento da IATF

 

Portanto, a utilização do Sincroforte no momento da inseminação artificial em fêmeas de corte com ausência ou baixa manifestação de cio entre a retirada do dispositivo e a IATF é uma excelente estratégia que não aumenta o número de manejos do protocolo, ajudando a incrementar a fertilidade justamente das fêmeas que naturalmente teriam baixa taxa de concepção.

 

Foto: IStock

Bruno Gonzalez de Freitas e Bruna Martins Guerreiro

Especialistas técnicos em saúde animal na Ourofino Saúde Animal

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