23 mai 2018

Rotação de princípios ativos para o controle de parasitas em bovinos de corte

Quando o assunto é o controle de parasitas, prática comum em qualquer propriedade de bovinos de leite ou corte (“mamando a caducando”), sempre surge a dúvida a respeito da alternância ou não de princípios ativos ao longo dos anos ou ciclo produtivo. Há sempre os defensores do método australiano que propõe uso de um princípio ativo ou grupo químico até sua exaustão em eficácia. De outro lado, há aqueles que propõem a troca, rotação ou a alternância. A grande questão é: qual o melhor método?

Quando verificamos os produtos veterinários nas prateleiras de uma revenda, encontramos grande variedade de marcas e nomes comerciais para endectocidas, vermífugos e acaricidas, mas em sua maioria com mesma base química ou princípio ativo, confundindo os compradores. No caso dos vermífugos e endectocidas fica bem clara a falta de opções. O grupo de endectocidas com maior disponibilidade é o das lactonas macrocíclicas, representado pelas avermectinas (ativos: abamectina, eprinomectina, ivermectina e doramectina) e milbemicinas (moxidectina), já os endoparasiticidas são representados principalmente por duas bases químicas: os benzimidazóis como o albendazole (sulfóxido de albendazole) e os imidatiazóis (levamizole). No caso dos ectoparasiticidas, há um pouco mais de otimismo. Temos predominantemente cinco grupos químicos diferentes: organofosforados (ex.: clorpirifós e fenthion), formamidinas (amitraz), piretróides (cipermectrina), fenilpirazois (fipronil) e benzoilfenilureias (fluazuron). Os ativos do mesmo grupo apresentam características muito parecidas quanto ao mecanismo de ação, espectro de ação e resistência parasitária.

Ao longo dos anos, quando escolhemos apenas um grupo químico para controle de parasitas, na prática pode ocorrer seleção de cepas resistentes com exaustão da eficácia para o grupo escolhido. Basta um descanso com mudança de base e, na maioria das vezes, a exaustão é temporária, recupera-se a eficácia após algumas gerações. Para determinar se a resistência parasitária foi estabelecida, são necessários testes específicos como realização de exames parasitológicos de fezes (OPG) e biocarrapaticidogramas. Quando optamos pela alternância ou rotação de princípios ativos o processo de seleção de cepas resistentes ocorre também, mas é mais lento e o que se observa é que deixa brechas para uma ou outra base química pouco utilizada. Várias pesquisas mapeiam grupos químicos e a resistência parasitaria em todo Brasil e isso se deve a erros de manejo como subdosagem associada à exaustão de uma base. Diante dos resultados de várias pesquisas concluímos que medidas importantes devem ser tomadas para o sucesso do controle parasitário: boas práticas de manejo, uso da dosagem correta para cada base escolhida, adoção de programas estratégicos de controle parasitário (5-7-9 ou 5-8-11), adoção do controle integrado para ectoparasitas (endectocidas associados a ectoparasiticidas) e monitoramento da resistência parasitária por meio de testes específicos (OPG e biocarrapaticidograma). Após a confirmação da resistência parasitária para uma base química, obrigatoriamente devemos optar pela alternância ou associação de bases químicas. Produtos com diferenciais tecnológicos (concentrados de longa ação) como o Master LP, ou ainda, associação de diferentes bases químicas como no Evol (Quadro 1), permitem driblar a resistência parasitária e melhorar o desempenho produtivo dos animais.

Quadro 1: Comparativo do espectro de ação dos principais anti-helmínticos injetáveis

Ingo Aron Sousa Mello

Gerente Técnico Saúde Animal

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