19 dez 2011

Principais Verminose dos Equinos

Os equinos apresentam grande variedade de parasitos, principalmente helmintos (vermes). Algumas espécies e gêneros são de relevada importância, sendo que, os tipos de manejos dos equídeos favorecem a grande incidência de infecções parasitárias já nas primeiras semanas de vida. Os parasitos são vastos e compreendem diversas famílias/gêneros distintas, entre elas: pequenos estrôngilos ou cyathostominos: Cyathostomum spp, Triodontophorus spp, Cylico stephanus spp; grandes estrôngilos: Strongylus vulgaris, S. equinus, S. edentatus e, ainda, Parascaris equorum, Oxyurisequi, Strongyloides westeri, Trichostrongylus axei, Gasterophilus spp, Habronema spp, Dictyocaulusarnfield, Anoplocephala spp(MOLENTO, 2005). Os animais parasitados podem apresentar fraqueza, pelagem áspera, crescimento lento, cólicas e diarreia. Os danos causados por parasitoses em equinos vão desde lesões nos órgãos do sistema digestivo até graves distúrbios nos processos enzimáticos e hormonais (ASSIS; ARAÚJO, 2003) até a morte do animal. Os ciatostomíneos ou pequenos estrôngilos causam anemia, perda de apetite, diminuição de resistência, além de distúrbios intestinais e, dependendo do grau da infecção, podem levar os animais à morte (HERD, 1990). De acordo com Barbosa et al. (2001), os ciatostomíneos são os parasitas com maior prevalência em animais jovens (12 a 14 meses) e adultos (acima de 60 meses). Entretanto, a distribuição das espécies tem grande variação nessas faixas etárias. Os grandes estrôngilos são considerados um dos helmintos mais patogênicos para equídeos, principalmente na sua forma imatura em decorrência das lesões que determinam no seu processo de migrações pelo sistema arterial-mesentérico, responsáveis por severos casos de cólicas. A patogenia da infecção por espécies adultas de estrôngilos está associada à lesão da mucosa do intestino grosso em virtude dos hábitos alimentares do verme, podendo causar ruptura da parede do intestino em animais jovens e adultos levando a emergências cirúrgicas (URQUHART et al., 1998). Parascaris equorum (figura 1) é um nematódeo de distribuição mundial e tem grande importância por causar definhamento em potros jovens. O parasito tem predileção pelo intestino delgado, porém as infestações intestinais leves são bem toleradas, entretanto as infestações maciças levam animais jovens ao definhamento com baixos índices de crescimento, pelagem opaca e fadiga. Outros sinais clínicos observados a campo são distúrbios nervosos e cólicas (URQUHART et al., 1998).

Figura 1: Parascaris equorum/Fonte: Parasites and Parasitic Diseases of Domestic AnimalsOxyuris equi é um parasito do intestino grosso de equinos (ceco, cólon e reto). 
As fêmeas migram até o ânus do hospedeiro na época da ovipostura, liberam um fluido viscoso acinzentado contendo grande número de ovos que se aderem na região perianal causando prurido durante esse processo (ANDERSON, 1992). A presença de parasitos no intestino raramente causa sintomatologia clínica, entretanto, o prurido intenso ao redor do ânus faz o animal esfregar-se levando à quebra de pêlos áreas alopécicas e inflamação da pele sobre a anca (URQUHART et al., 1998). Entre os parasitos comuns do intestino delgado de animais jovens, encontramos também o Strongyloides westeri responsável em algumas circunstâncias por causar graves enterites. Os sinais clínicos comumente observados em animais jovens são diarreia, anorexia, apatia, perda de peso e/ou taxa de crescimento reduzido (URQUHART et al., 1998). Nos equinos, o T. axei é responsável por causar gastrite, sendo que as lesões iniciais são áreas de hiperemia da mucosa gástrica, que progridem para inflamação catarral e erosão do epitélio, o que pode estar associado à necrose. Com o tempo, a infecção pode acarretar uma inflamação proliferativa crônica e úlceras (TAILOR, 2010). A sintomatologia clínica de infestação maciça é representada por perda de peso rápida e diarreia, e em infestações brandas inapetência, baixos índices de crescimento acompanhado de fezes amolecidas (URQUHART et al., 1998). Larvas de Gasterophilus nasalis passam a maior parte da sua vida desenvolvendo-se no estômago de equinos, mas geralmente são considerados de pouca importância patogênica. As moscas adultas frequentemente causam irritação aos equinos por se aproximarem da cabeça dos animais para realizar sua ovipostura. As larvas dessa mosca podem causar estomatites chegando até a ulceração da língua em casos mais extremos, e uma vez no estômago dos animais podem levar à hiperplasia do epitélio e úlceras gástricas (URQUHART et al., 1998). Habronemose conjuntival, cutânea e gástrica causadas por Habronema spp são frequentemente relatadas em equinos e causam grande prejuízo econômico. Os equinos são infectados pela ingestão de moscas que caem na água ou alimentos. O principal efeito de Habronema sppno estômago é estimular a secreção de grandes quantidades de muco com hiperplasia e hipertrofia das células secretoras de muco, além disso, gastrite catarral, úlceras, diarreia e perda de peso têm sido associadas à infecção com Habronema muscae (LEVINE, 1968; DUNN, 1978). O Dictyocaulus arnfield é um parasito de equinos e asininos sendo que é difícil determinar sua incidência, uma vez que sua infecção raramente se torna patente. Existem relatos de que esse parasito possa levar a casos de tosse crônica devido aos vermes adultos localizarem-se preferencialmente nos pequenos brônquios. Os sinais clínicos observados são leve taquipneia e sons pulmonares ásperos (URQUHART et al., 1998). Cestóide essencialmente de herbívoros, o Anoplocephala sppé parasito do intestino de equinos e asininos. Sua sintomatologia clínica envolve perda de peso dos animais, enterite e cólicas, sendo que a perfuração do intestino é rápida e fatal (URQUHART et al., 1998).  

 

Referências Bibliográficas

ANDERSON, R.C. Nematode parasites of vertebrates: the development and transmission. Farnham, CAB International, 1992. p.214-215. ASSIS, R. C. L.; ARAÚJO, J. V. Avaliação da viabilidade de fungos predadores do gênero Monacrosporium em predar ciatostomíneos após a passagem pelo trato gastrintestinal de equinos em formulação de alginato de sódio. Revista Brasileira de Parasitologia Veterinária, v.12, n.3, p.109-113, 2003. DUNN, A.M. Veterinary Helminthology, 2ª ed., William Heinmann, London, 1978. HERD, R. P. Equine parasite control – Aditions to antihelmintic associated problems. Equine Veterinary Education, v.2, n.1, p.86-91, 1990. LEVINE, N.D. Nematode parasites of domestic animals and man. Burgess, Minneapolis, 1968. MOLENTO, M.B., Resistência parasitária em helmintos de equídeos e propostas de manejo. Ciência Rural, v.35, n.6, nov-dez, 2005. TAYLOR, M.A.; COOP, R.L.; WALL, R.L. Parasitologia Veterinária. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010, 742 p. URQUHART, G.M.; ARMOUR,J.; DUCAN, J.L.; DUNN, A.M.; JENNINGS, F.W. Parasitologia Veterinária. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1998, 273 p.

Departamento Técnico Ourofino Agronegócio

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