Artigos - Leptospirose em equinos: como combater esta importante causa de perdas no agronegócio

09 jun 2014

Leptospirose em equinos: como combater esta importante causa de perdas no agronegócio

A leptospirose é uma zoonose amplamente disseminada pelo mundo. Causada pela infecção de diferentes espécies do gênero Leptospira spp., a doença ocorre principalmente em regiões de clima temperado, no final do verão e início de outono, e em regiões tropicais durante as estações chuvosas. Neste cenário, torna-se endêmica no Brasil e epidêmica principalmente em períodos chuvosos, visto que as leptospiras podem sobreviver em lagoas ou solos úmidos quando as temperaturas ambientais estão elevadas.

No início do processo infeccioso a bactéria causadora da doença penetra pela pele e mucosas e chega até o sangue. O resultado desta exposição dependerá da dose, virulência e susceptibilidade do hospedeiro. Algumas leptospiras causam hemólise intravascular, anemia, icterícia e hemoglobinúria. No útero da égua prenhe pode causar aborto e os fetos abortados assim como as secreções uterinas também são fonte de contaminação para outros animais.

A fase aguda da doença termina com o surgimento de anticorpos específicos e  fagocitose das leptospiras da circulação, que passam a se alojar nos túbulos renais. Neste novo local a bactéria é eliminada pela urina de forma assintomática, contaminando o meio ambiente e infectando outros animais.

Os principais sintomas em seres humanos são febre, cefaleia e dores musculares. Desta forma, além do impacto na saúde pública, a leptospirose é uma das importantes causas de perdas no agronegócio. Em equinos, o prejuízo é marcante no que se refere ao sistema reprodutivo pois a leptospirose está associada a baixos índices reprodutivos do plantel. Portanto, visto a sua importância social, sanitária e econômica, medidas de controle devem ser instituídas para sua erradicação.

Após a realização de testes sorológicos para a sua confirmação, o tratamento pode ser realizado com antibióticos, destacando-se a estreptomicina, penicilina e tetraciclina. A vacinação e testes sorológicos regulares para a verificação de novas infecções, associada ao controle das mesmas, geralmente são eficazes no combate aos novos surtos. É importante também realizar controle dos animais que ingressam na propriedade e drenagem ou isolamento de áreas alagadiças que podem conter o agente infeccioso.

Desta forma, recomenda-se que o controle da leptospirose seja feito de forma estratégica, visando minimizar o impacto econômico da doença. Medidas profiláticas, terapêuticas e de controle ambiental devem ser tomadas em conjunto para melhor aproveitamento da conduta tomada.


 

Para o tratamento da leptospirose dos equinos indica-se 25 mg/kg de Estreptomax em dose única.

 

Referências Bibliográficas

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Raquel Albernaz

Especialista Técnica Linha Equinos Ourofino

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