26 set 2019

Fatores que afetam o resultado dos protocolos de IATF em vacas de corte

A reprodução faz parte dos principais pilares da pecuária de cria. Diante desse cenário, torna-se imprescindível a intensificação do manejo reprodutivo para aumentar a produtividade das propriedades de corte. Dentre as principais biotecnologias disponíveis, a IATF (inseminação artificial em tempo fixo) ganhou destaque por conta da facilidade de manejo e retorno econômico. Entretanto, para que seja possível obter sucesso reprodutivo, o produtor deve ficar atento aos principais fatores que afetam a taxa de prenhez da IATF em vacas de corte:

1. Escore de condição corporal (ECC):

A avaliação do escore de condição corporal (ECC) indica a condição nutricional de cada fêmea e resulta em alto impacto no resultado da IATF. Para estabelecer o ECC deve-se avaliar a região das costelas, dorso, inserção da cauda e ossos da garupa. As notas vão de 1,0 a 5,0, sendo que no ECC 1,0 a fêmea está em desnutrição severa e no ECC 5,0 está com obesidade.

Figura 1. Escala de escore de condição corporal (ECC).

A propriedade deve ter um bom manejo nutricional para que os animais entrem na reprodução com condição corporal adequada. As fêmeas de baixa condição corporal apresentam dificuldade de emprenhar e as que possuem boa condição corporal emprenham melhor.

Gráfico 1. Taxa de prenhez de acordo com o escore de condição corporal (ECC) ao parto.

2. Categoria animal:

As diferentes categorias de fêmeas também resultam em variadas taxas de prenhez após IATF. Usualmente, vacas multíparas (que já tiveram mais de um parto durante sua vida reprodutiva) conseguem manter a concepção dentro dos padrões desejáveis mesmo com uma ligeira diminuição na condição corporal. Entretanto, vacas primíparas (fêmeas de primeira cria) apresentam drástica redução na taxa de prenhez caso estejam com ECC reduzido. Isso se deve ao fato de que primíparas ainda não atingiram o peso adulto, portanto precisam de reservas para continuar crescendo, nutrir o bezerro que está ao pé (produção de leite) e por fim manter o eixo reprodutivo em funcionamento.

Gráfico 2. Prenhez de acordo com a categoria animal e a faixa de escore de condição corporal (ECC). Dados SINCRONIZE 2019.

3. Efeito touro:

Outro fator que possui impacto no resultado da IATF é o efeito do sêmen. Alguns touros resultam em elevadas taxas de prenhez quando comparados a outros touros com mesma qualidade de sêmen. Diversas centrais de sêmen já possuem identificação desses touros superiores para prenhez à IATF:

Gráfico 3. Taxa de prenhez de acordo com o touro utilizado na IATF (dados: MV Luciano Penteado).

4. Efeito inseminador:

O treinamento e capacitação da equipe é fundamental para se obter bons resultados com o uso da IATF. Inseminadores experientes e bem treinados podem fazer a diferença na taxa de prenhez, portanto faz-se necessário avaliar o resultado por inseminador e promover constantemente treinamentos de reciclagem para aprimoramento da técnica:

Gráfico 4. Taxa de prenhez de acordo com o inseminador (Sá Filho, M.F. Dados não publicados)

5. Efeito da manifestação de estro:

Estudos mostraram que fêmeas que não manifestam cio entre a retirada do dispositivo de progesterona e a IATF apresentam menores taxas de concepção. Assim, quanto maior a proporção de fêmeas que manifestam cio, maior é a taxa de concepção dos protocolos.

Gráfico 5. Taxa de prenhez de acordo com a manifestação de cio entre a retirada do dispositivo e a IATF (Sá Filho, M.F. Dados não publicados)

Diante desse problema, trabalhos vêm sendo desenvolvidos para melhorar a prenhez das fêmeas que não manifestam cio entre a retirada do dispositivo e a IATF. Pode-se realizar uma alteração no protocolo base adicionando uma dose de Sincroforte no momento da IATF dessas fêmeas.

Figura 2. Sugestão de protocolo de IATF para fêmeas de corte que não manifestam cio entre a retirada do dispositivo e a IATF.

Essa ferramenta é interessante devido a sua praticidade (facilidade de execução e por não aumentar o número de manejos do protocolo de IATF) e excelentes resultados.

Gráfico 6. Taxa de concepção utilizando o mesmo protocolo de IATF, sem administração de Sincroforte (Controle) ou com administração de Sincroforte no momento da IATF (Sincroforte) em fêmeas que não manifestaram cio. Responsável pelos dados. M.V. Carlos Vergílio (CV Reprodução – MS).

 

Bruna Martins Guerreiro e Bruno Gonzalez de Freitas

Especialistas Técnicos em Reprodução Animal

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