01 fev 2019

Cuidados relacionados à mistura de microingredientes

Os custos com alimentação representam em torno de 70 a 80% do total de produção em uma granja de suínos e o desempenho dos animais está diretamente relacionado com a utilização de formulações adequadas e do preparo das rações.

O processamento de rações envolve diferentes etapas que incluem a mistura dos macroingredientes como o milho e o farelo de soja e de microingredientes em uma pré-mistura como vitaminas, minerais e aditivos. Como os microingredientes possuem um baixo nível de inclusão na ração, é importante que seja feita a homogeneização adequada tanto no momento da pré-mistura como na mistura final. Assim, é possível garantir que cada animal consuma a concentração recomendada prevista na fórmula da dieta, garantindo os ganhos esperados.

As recomendações e etapas devem ser seguidas durante o processamento de ração para que, ao final do processo, seja possível obter uma ração que apresente uma única composição em nutrientes.

Procedimentos para uma boa mistura (ingredientes de baixa inclusão)

Pré-mistura

Devido às pequenas quantidades de inclusão dos microingredientes nas rações, estes deverão ser pesados com balanças de precisão para garantir uma correta inclusão. É importante que a balança esteja sempre calibrada, para evitar erros de super ou sub-dosagem, que podem causar problemas de intoxicação nos animais e o não fornecimento da quantidade correta de nutrientes ou aditivos.

Logo após a pesagem da quantidade recomendada, é necessário realizar a pré-mistura para garantir uma boa homogeneidade. Para o sucesso nesta etapa, é recomendável fazer uma pré-mistura com milho ou farelo de soja antes do processo de mistura. A pré-mistura deverá ser feita com o auxílio de um misturador. O misturador do tipo “Y” é o mais recomendado para este processo, com o tempo de mistura de 10 a 15 minutos (Figura 1). Na ausência do misturador para pré-mistura, poderá ser realizada em um saco plástico resistente, agitando-o vigorosamente por 3 a 5 minutos ou até observar que o conteúdo esteja bem homogeneizado (Figura 2). É importante considerar que o tempo de agitação da pré-mistura utilizando o saco plástico deverá ser padronizado para todas as misturas.

Figura 1. Pré-mistura dos microingredientes que serão incluídos na ração.

Figura 2. Processo de pré-mistura da ractopamina com milho, utilizando um saco plástico resistente.

Mistura

O sucesso desta etapa está relacionado com o processo de moagem dos ingredientes. O tamanho das partículas ou granulometria influenciam não só a digestibilidade dos nutrientes pelos animais, mas também o consumo de energia elétrica e o rendimento de moagem. Do ponto de vista nutricional, o tamanho ideal das partículas varia de acordo com a espécie e a fase do animal. Para garantir a homogeneidade adequada ao final do processamento da ração, alguns procedimentos devem ser seguidos no processo de mistura após a moagem:

  1. Incluir metade do volume total do ingrediente em maior quantidade indicado na fórmula, por exemplo, o milho;
  2. Adicionar o segundo ingrediente mais prevalente (farelo de soja) e produtos de origem animal;
  3. Inclusão da pré-mistura;
  4. Outra metade do milho.

O tempo de mistura influencia diretamente na homogeneidade final da ração e o recomendado é que o tempo utilizado seja o indicado de acordo com o fabricante do misturador. Após a adição de todos os ingredientes o tempo ideal em misturadores verticais varia de 10 a 15 minutos e em misturadores horizontais varia de 3 a 4 minutos. As misturas realizadas fora do tempo recomendado podem acarretar em perda da qualidade da ração devido à segregação de ingredientes e prejuízos econômicos associados ao maior gasto de energia e mão de obra.

Outro ponto importante a ser considerado é a capacidade dos misturadores e também a vida útil do equipamento. Esses dois aspectos influenciam diretamente a homogeneidade dos ingredientes da ração.  A capacidade mínima dos misturadores deve ser observada, uma vez que misturas processadas abaixo dessa capacidade tendem a ficar desbalanceadas pelo acúmulo de ingredientes nas laterais ou cantos dos misturadores. Já misturadores utilizados além da sua vida útil comprometem a qualidade da mistura, sendo este aspecto diretamente relacionado com o coeficiente de variação sempre superior ao recomendado (5 a 10%), produzindo misturas desbalanceadas.

Considerações finais

Os cuidados durante o preparo das rações são importantes para atender as exigências nutricionais adequadas dos animais nas diferentes fases, sendo importante a realização das etapas de pré-mistura e mistura de forma correta para garantir a homogeneidade adequada e resultar em maior ganho e uniformidade de peso dos animais ao abate.   

 

Referências Literárias

COUTO, Humberto Pena. Fabricação de rações e suplementos para animais: gerenciamento e tecnologias. Centro de Produções Técnicas, 2ª ed. 2012.

EMBRAPA SUÍNOS E AVES. SISTEMA DE PRODUÇÃO; Produção de Suínos, Nutrição. ISSN 1678-8850 Versão Eletrônica Jul./2003. Disponível em: http://www.cnpsa.embrapa.br/SP/suinos/nutricao.html#mistura. Acesso em: 15 de Junho de 2018.

LIMA, G; NONES, K. Os cuidados  com a mistura de rações na propriedade. Concórdia:EMBRAPA-CNPSA, 20p. (Circular Técnica, 19), 1997. 

MELO, R.C.A., PUPA, J.M.R., HANNAS, M.I. Mistura de rações: um ponto chave no sistema de produção animal. Informativo All Nutri, número3. Viçosa - MG, setembro de 2003.

OELKE, C.A.; Ries, E.F. Tecnologia de Rações. Red e-Tec Brasil, 141 p. ISBN 978-85-63573-38-4, 2013.

RESENDE. R., Sistema de moagem. Informativo Editora Stilo. São Paulo – SP, abril de 2017. Disponível em: https://www.editorastilo.com.br/colunistas/sistemas-de-moagem/. Acessado em: 13 de dezembro de 2018.

Vinícius Cantarelli e Andrea Panzardi

Profº Dr. em Nutrição de suínos – UFLA, e especialista em Biológicos na Ourofino Saúde Animal

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