Artigos - Anemia por Tristeza Parasitária Bovina: Prevenção e tratamento

23 mai 2016

Anemia por Tristeza Parasitária Bovina: Prevenção e tratamento

A anemia nos bovinos pode ser causada por hemoparasitoses (parasitas do sangue) e provoca sinais clínicos como febre, apatia (tristeza ou depressão), fraqueza, anemia, falta de apetite, as mucosas oculares e vulvar pálidas (rósea claro, amareladas, ictéricas ou brancas) (FARIAS, 2001; MASSARD, 2016). Os bovinos infectados desenvolvem um conjunto de sinais clínicos e por isso a doença também é chamada de síndrome da Tristeza Parasitária Bovina ou TPB. Nos animais adultos é possível identificar e diminuição da produção de leite, atraso no desenvolvimento corporal e reprodutivo. Em alguns casos, a urina pode estar escura e as orelhas amareladas ou alaranjadas. Animais doentes deixam de se alimentar e beber água, resultando em desidratação acentuada, fraqueza generalizada e danos ainda maiores que geralmente levam a morte dos indivíduos mais novos ou mais fracos. A doença é decorrente da associação de protozoários, babesias, associados a uma rickettsiose conhecida como anaplasma (MASSARD & FREIRE, 1985).

O carrapato, enquanto se alimenta do sangue dos animais, é o principal transmissor da TPB e por isso seu controle é fundamental para a prevenção desta enfermidade. No caso da anaplasmose, as moscas e outros insetos são também importantes na transmissão (FARIAS, 2001). A anemia por TPB é uma enfermidade muito comum e juntamente com os carrapatos afetam negativamente os rebanhos em todo o Brasil, causando grandes perdas econômicas (MANICA, 2013), sendo considerados fatores limitantes.

Durante três anos (2013 – 2015) realizamos exames clínicos e laboratoriais em 117 bovinos da raça nelore, bezerros com idade variada até os seis meses. A anaplasmose foi mais frequentemente observada e os animais adultos, quando clinicamente doentes sempre estiveram mais severamente comprometidos, com prognóstico reservado. Em dias mais quentes ou quando os animais são submetidos a algum tipo de manejo os indivíduos doentes sofrem mais que os sadios e muitas vezes morrem horas depois ou no dia seguinte. Mesmo os animais mais fortes sofrem com a doença, mas adquirem resistência, entretanto o desempenho produtivo sempre será prejudicado devido ao longo período doente.

Bezerro apresentando desidratação e anemia.
Bezerro apresentando desidratação e anemia. O diagnóstico laboratorial confirmou Anaplasma margilane no esfregaço sanguíneo

Para o tratamento dos animais comprometidos (doentes), recomenda-se a utilização conjunta da Ourotetra Plus e do Pirofort, que juntos contribuem para a rápida melhora clínica. A utilização do Biobac Gel Oral, Fortemil, Hidrat UP e Finador para os animais doentes, torna o prognóstico mais favorável e contribui para uma rápida recuperação dos animais. É fundamental a prática de um programa de controle para carrapatos e moscas na propriedade.



FARIAS, N. A. Tristeza Parasitária Bovina. In: CORREA, F.R.; SCHILD, A.L.; MÉNDEZ, M.D.C.; LEMOS, R.A A. Doenças de ruminantes e equinos. São Paulo: Livraria Varela, 2001.cap.1. p. 152-158. v. II.
MANICA, S. Tristeza Parasitária Bovina: revisão bibliográfica. 2013.
MASSARD, C. L., et. al. TRISTEZA PARASITÁRIA BOVINA . Disponível em: <http://epec.ourofino.com/cursos/doencas-parasitarias/protozoarios-de-importancia-economica-na-pecuaria/>. Acesso em 02 de maio de 2016.
MASSARD, C. L.; Freire, R. B. Etiologia, manifestações e diagnóstico das babesioses bovinas no Brasil. Hora Vet. 1985;23:53-56.

Ingo Aron Sousa Mello

Médico Veterinário Ourofino Saúde Animal

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