09 jan 2012

Xenotransplante Suíno - homem

A palavra xenotransplante é utilizada para denominar o transplante de células, tecidos ou órgãos entre espécies diferentes. Esta vem sendo uma opção a ser considerada para salvar vidas, já que a oferta de órgãos humanos é escassa e cerca de 60% dos pacientes morrem na fila de espera. Fisiologicamente semelhantes aos seres humanos, os suínos são fontes potenciais de órgãos para xenotransplante. O suíno é um animal de fácil procriação, possui órgãos de dimensões apropriadas, pode ser criado em ambientes que diminuem o risco de zoonoses e a doação de órgãos é aceitável do ponto de vista ético e cultural (animal de criação já sacrificado e utilizado na alimentação humana). Já os primatas, que foram a primeira opção pensada para xenotransplantes, dificilmente procriam em cativeiro, já se encontram a maioria em extinção e não são tão compatíveis em relação ao tamanho e peso. Um entrave encontrado nos recentes estudos sobre xenotransplantes é a rejeição que o organismo humano exerce contra o novo órgão. O que já era comum de se ocorrer entre os humanos é agravado no transplante de órgãos provenientes de seres de outras espécies. Os mamíferos não primatas possuem glicoproteínas na superfície celular que ativam o sistema imune a produzir células de defesa, os xeno-anticorpos (anticorpos naturais). A hemorragia intersticial e a necrose e trombose causadas nos vasos podem levar à perda do enxerto em poucas horas. Atualmente, do ponto de vista imunológico, não existem obstáculos considerados intransponíveis. A esperança futura é a utilização de drogas imunossupressoras que quebrem esta barreira mantida pelos anticorpos naturais ou a obtenção de animais que não expressem os epítopos imunogênicos, através da manipulação pela engenharia genética (desenvolvimento de porcos transgênicos). Poderia ser possível introduzir genes humanos no porco de modo a “enganar” o sistema imunológico e impedir a rejeição. Mesmo com todos os avanços na área da imunologia o xenoenxerto ainda precisa vencer muitos obstáculos para se tornar uma realidade na prática clínica.  Tem provocado uma diminuição do entusiasmo dos pesquisadores pelo potencial risco de transmissão de zoonoses e pela compatibilidade fisiológica ainda incerta de alguns órgãos em relação à homeostase corporal. Outro problema discutível é a substituição de doações humanas de forma voluntária e generosa por uma oferta de órgãos com bases comerciais. Referências: Reportagem revista veja, disponível em: http://veja.abril.com.br/blog/genetica/sem-categoria/o-que-sao-xenotransplantes/   Por Maycon Cunha, Departamento Técnico Ourofino Agronegócio

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