Wean-to-finish: Desempenho e rentabilidade

08 dez 2014

Wean-to-finish: Desempenho e rentabilidade

O wean-to-finish (WF) é um sistema de produção de suínos desenvolvido na região central dos Estados Unidos na década de 90 e, atualmente, está presente em diversos países, entretanto no Brasil ainda não é uma prática muito comum, apesar de, recentemente, termos alguns trabalhos já realizados (Gabardo, 2013; Medeiros, 2013 e Consoni, 2014). Consiste basicamente na eliminação da fase de creche dentro do sistema de produção convencional, ou seja, os animais neste caso são desmamados e alojados em um galpão onde permanecem até o abate. Dentro deste método de produção, os leitões são desmamados com 28 dias, e permanecem em uma mesma instalação do desmame ao abate (Medeiros, 2013). Este sistema foi criado com o objetivo de melhorar o desempenho produtivo, reduzir o trabalho com a movimentação e/ou transferência dos animais, e concomitantemente auxiliar o estado sanitário do plantel (Wolter et al., 2001).

O sistema wean-to-finish pode ser manejado em dois modelos: tradicional e com duplo alojamento. No modelo tradicional os leitões são alojados em média com 6kg e são mantidos até o peso de abate, em geral 115 a 145kg, variando conforme o mercado. Já no modelo de duplo alojamento, são alojados o dobro de leitões, com o objetivo de aproveitar o espaço da instalação e também distribuir os custos, desta forma reduzindo os gastos por animal com aquecimento (energia/gás) e mão de obra. Neste sistema quando os leitões atingem 25kg, metade dos animais alojados é transferido para uma terminação tradicional. Com isso, os animais criados no sistema WF tradicional são transferidos apenas uma vez e no sistema WF com alojamento duplo metade dos animais é transferido apenas uma vez, enquanto a outra metade é transferida duas vezes (Piva e Gonçalves, 2014).

Vantagens e Desvantagens do WF

Como qualquer sistema de produção, o Wean-to-finish também possui alguns pontos pró e contras. Estão descritos abaixo:

VANTAGENS

-Menor movimento dos animais, caminhões e evita a mistura entre lotes;
-Reduz os custos com limpeza e desinfecção;
-Minimiza a necessidade de espaços para maternidade;
-Potencial para aumentar o desempenho dos animais, segundo Grow a taxa pode melhorar 7,5%;
-Menor densidade no período de creche;
-Fluxo de produção simplificado;
-Potencial diminuição de mortalidade;
-Menor consumo de água e produção de dejetos;
-Caso exista a necessidade as instalações WF podem ser utilizadas como crescimento-terminação.

DESVANTAGENS

-Custo da instalação: necessita de maior área construída;
-Custo de energia ou gás para o aquecimento;
-Necessidade treinamento da equipe, para que estejam aptos a manejar leitões pequenos;
-Necessita de um grande fluxo de produção para preencher a instalação;
-Menor número de lotes por ano;
-Maior desafio para os leitões desmamados com menos de 5kg ou com baixa idade (menos que 18 dias).

Dados zootécnicos

Para que os melhores resultados sejam obtidos deste sistema, as instalações devem ser capazes de alojar animais recém desmamados até o abate, para isso é de extrema importância que alguns ajustes sejam feitos, de modo que se adequem a animais de tamanhos tão diferentes. Segue abaixo algumas considerações.

COMEDOUROS

Recomenda-se que sejam do tipo automático e com divisórias sólidas, garantindo espaço de 32 (animais abatidos aos 100kg) a 36cm (animais batidos aos 125-145kg), além disse é necessário que o comedouro disponha de sistema de regulagem de altura eficiente e prático, para regulagens constantes, acompanhando o crescimento dos animais.

BEBEDOUROS

Do mesmo modo que os comedouros os bebedouros devem ser ajustáveis, permitindo que se ajustem ao tamanho dos leitões. Indica-se que para leitões de até 25kg a vazão por minuto seja de 500ml, já para leitões acima de 25kg a vazão deve ser de 1 litro. É possível utilizar bebedouros do tipo “taça”, “chupeta fixa” e “chupeta pendular”.

BAIAS

As baias podem ter divisórias de grade ou concreto, se dá preferência as de grade, já que possibilitam uma melhor higienização e ventilação, mas é necessário a instalação de barras mais próximas umas das outras, em especial na porção inferior das divisórias, para evitar a passagem dos leitões recém desmamados. Em geral, o piso das instalações WF são de piso vazado com 2,5cm de largura das frestas, 15cm de largura do ripado de concreto, 12cm de altura e 120 de largura total. Porém na Europa, segundo a diretiva de bem-estar-animal indica o máximo de 1,4 a 1,6cm de fresta e no mínimo 5cm de ripado pra leitões de creche e no máximo 1,8 a 2,1cm de fresta com mínimo de 8cm de ripado para leitões em terminação. As baias em geral são retangulares e de tamanho variável, o tamanho ideal para os grupos são de 25 a 100 animais garantindo 0,7m²/animal.

DESEMPENHO DOS ANIMAIS

Quanto ao desempenho dos animais criados no sistema WF em comparação com os criados no sistema convencional, encontra-se relatos na literatura de Connor (1998) e Peralta (2008) resultados superiores para ganho de peso diário (GPD) e melhores índices de conversão alimentar (CA). Além disso, ainda segundo Peralta (2008) uma das vantagens do sistema WF também seria um menor percentual de mortalidade. Podemos observar alguns resultados obtidos por Connor (1998), na tabela 1, em um estudo nos Estados Unidos, com cerca de 50.000 animais. Porém, Brumm et al. (2002) não verificaram diferença significativa entre o sistema WF frente ao convencional, ao avaliar ganho de peso (GPD), consumo de ração (CR), conversão alimentar (CA) e qualidade de carcaça (QC).

Tabela 1. Desempenho do wean-to-finish comparado com o sistema convencional

Consoni (2014), avaliou o sistema WF comparando com o sistema convencional na cidade de Braço do Norte, SC. Foram utilizados cerca de 1200 animais provenientes da mesma granja produtora de leitões (UPL’s). Observou que a média de peso na fase de creche (63 dias) foi maior para os leitões criados no WF que pesaram 24,14 kg, enquanto que os criados no sistema convencional (CC) pesaram 23,55 kg (P<0,05), da mesma forma o GPD do grupo WF foi de 0,468 kg e para o CC foi de 0,449 (P<0,05) enquanto que a conversão alimentar (CA) foi melhor para o grupo CC com 1,42 e o grupo WF com 1,48 (P<0,05), porém na fase de crescimento e terminação esta diferença não foi observada, sendo que os grupos apresentaram CA de 2,31 e 2,32, para os grupos CC e WF respectivamente. Quanto ao peso final o grupo WF pesou 3,48 kg a mais que o grupo convencional.Ao avaliar a qualidade de carcaça, não foram observadas diferenças entre os dois grupos. (Consoni, 2014).

SANIDADE

Gabardo et al (2013), acompanharam a incidência de doenças entéricas e respiratórias em 3.545 suínos criados no sistema WF na região meio-oeste de Santa Catarina e concluíram que o período e a incidência das doenças são os mesmos quando comparados aos animais criados em sistemas convencionais, entretanto, sendo necessários mais estudos comparativos para comprovar este resultado. Deve ser levado em consideração também outras variáveis que podem interferir na condição sanitária do rebanho, como por exemplo: manejo, limpeza e desinfecção, condições ambientais como temperatura e umidade.

ANÁLISES ECONÔMICAS

As instalações do sistema WF em geral custam de 10-20% a mais quando comparados a galpões convencionais e além disso, sofre uma subutilização nas primeiras semanas de alojamento, já que a densidade é baixa. Em decorrência destes fatos há aumento de custos com o aquecimento do galpão, uma vez que são maiores e necessitam de mais energia/gás.

Contudo, ainda assim, apresenta vantagens associadas a simplificação dos manejos, reduzindo a movimentação dos animais e diminuindo o estres gerado pelo reagrupamento de lotes. Esta redução de transferência de animais gera uma economia tanto com a limpeza quanto com a desinfecção das instalações e assim diminuindo os dias de vazio sanitário/ano/instalação que no sistema convencional são de 70 dias, e no WF chega a 20 dias.

Consoni (2014), observou que os custos de produção de um grupo criado no WF foi R$ 0,09 menor por quilograma produzido, como podemos observar na tabela 2, desta forma em um animal com 120 kg a economia é de R$ 10,8, com isso, um lote de mil animais chega a R$10.800,00, esta diferença é explicada por uma diminuição nos custos com medicamentos na fase de creche e isenção de gastos com mão-de-obra e transporte, necessários no transporte dos animais durante o sistema convencional de criação (Tabela 3).

Tabela 2. Custos de produção por fase de criação e sistema de criação

Tabela 3. Percentual de variáveis no custo de produção por fase e sistema de criação

De acordo com Peralta (2008), avaliando a implantação do WF no Chile, onde observou aproximadamente 10.263,574 animais de 1999 até 2007. Concluiu uma vantagem econômica de 1,4 dólares em média por animal. Esta vantagem segundo ele está baseada no menor custo de transporte, menor quantidade de dias de vazio, menor custo de limpeza e desinfecção, menor mortalidade, melhor conversão alimentar (observado principalmente em seus primeiros estudos) e pouca melhora no ganho de peso diário.

Considerações finais

Com todas as informações descritas acima, pode-se concluir que o sistema wean-to-finish é uma opção viável para a criação de suínos. Entretanto, é necessário um planejamento estratégico antes de sua instalação para que sejam feitas as devidas adequações no sistema, no intuito de que ele possa responder de maneira efetiva quando os animais forem alojados. Além disso, são necessários mais estudos levando em consideração as realidades encontradas no Brasil, que podem não ser as mesmas encontradas em outros países.

Para uma criação de suínos com sanidade e lucratividade a Ourofino disponibiliza a seus clientes e parceiros uma linha completa, com produtos para todas as fases de criação. Como exemplo, podemos citar o Isocox® Pig Doser, anticoccidiano para a fase de maternidade, o Ractosuin®, aditivo melhorador de desempenho para a fase de terminação e o desinfetante Glutaquat® para a desinfecção em todas as fases.

 

Referências:

BRUMM, M. C. et al. Effect of wean-to-finish management on pig performance. Journal of Animal Science, v. 80, p. 309-315, 2002.

CONNOR, J. F. Wean-to-finish construction alternatives management and performance. In: ALLEN D. Leman swine conference, 35, 1998, Saint Paul, University of Minessota, 1998.

GABARDO, M. P. Caracterização sanitária de suínos criados em sistemas “wean-to-finish”. Medicina Veterinária, v.7, p. 23-31, Recife, 2013.

MEDEIROS, B. B. L. Bem-estar e desempenho de suínos criados em sistema “wean to finish”. 2013.p 182. Tese (Doutorado em Engenharia Agrícola). Universidade Estadual de Campinas, São Paulo.

PERALTA, W. Sistema destete venta em Chile. Acta Scientiae Veterinariae, Porto Alegre, v. 36, Supl. 1, p. 131-136, 2008.

PIVA, J. H.; GONÇALVES M. D. O sistema wean-to-finish. In: ABCS. Produção de suínos teoria e prática. V. 1, p. 111-120. Brasília, 2014.

WOLTER, B. F. et al. Effect of group size on pig performance in a wean-to-finish production system. Journal of Animal Science, v.79, p. 1067-1073. 2001.

CONSONI, W. Análise produtiva, econômica e sanitária de suínos nos sistemas “wean-to-finish” e convencional de produção. 2014. 74f. Dissertação (Mestrado em Ciência Animal – Área: Sanidade Animal) – Universidade do Estado de Santa Catarina. Programa de Pós Graduação em Ciência Animal, Lages, 2014.

 

Bruno Broggio

Discente Medicina Veterinária, Estagiário Departamento Técnico – Ourofino Saúde Animal

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