Pastagem: um fator que pesa no bolso do pecuarista

01 jul 2013

Pastagem: um fator que pesa no bolso do pecuarista

Nos últimos 45 anos a área ocupada por pastagens no Brasil teve um crescimento de 300%, passando de uma área de 154.138 milhões de hectares para 177.700 milhões de hectares (PIRES, 2010). Segundo Zimmer et al. (2000) uma das regiões de maior expressão para produção de pastagens é o cerrado, onde é produzido aproximadamente 50% da carne no país além de abrigar cerca de 48,5 milhões de hectares de pastagem cultivada. Ainda, Barcellos (1996) descreve que a forma mais prática e econômica de produzir bovinos é em um sistema extensivo, com alimentação à base de pastagem, principalmente no caso do Brasil, pois o país apresenta condições climáticas favoráveis para o cultivo de forrageiras que proporcionam alto potencial nutricional para produção de carne. Quando se pensa em produção de bovinos em sistema de pastagem, é importante que se leve em consideração dois componentes fundamentais: o desempenho por animal, observado com o ganho em peso, e a capacidade de suporte da pastagem, dada com a densidade animal ajustada sobre a área de pastejo. Ambos estão estreitamente correlacionados devido o ganho em peso estar relacionado com o consumo de matéria seca, e a taxa de lotação da estar relacionada com a capacidade de produção de matéria seca da forrageira que está sendo consumida (BOIN, 1986). Para a maximização da produção de bovinos em pastagem, aprimoramentos no manejo rotacionado de forrageiras tropicais vêm sendo desenvolvidos pela Embrapa Pecuária Sudeste (2003). Baseando-se na taxa de lotação ajustada e altura do capim para entrada e saída dos animais, essa técnica permite aproveitar ao máximo o potencial de produtividade de uma forrageira. Os estudos realizados pela mesma Instituição mostram que as forrageiras mais comumente utilizadas no Brasil são: “Braquiarinha” (Brachiaria decumbens), “Braquiarão” (Brachiaria brizantha), capim “Colonião” (Panicum maximun cv. Colonião), capim Tanzânia (Panicum maximum cv. Tanzânia), capim Tobiatã (P. maximum cv. Tobiatã), capim Mombaça (P. maxium cv. Mombaça), capim Estrela (Cynodon nlemfuensis) e Tifton (Cynodon spp.). É fundamental que o manejo da pastagem seja realizado sempre de forma correta, pois segundo Kichel et al. (1997) os principais fatores relacionados à degradação das pastagens são manejos incorretos, como alta densidade animal, plantio em solo sem os nutrientes necessários ou alterações na estrutura física do solo (por exemplo, erosões).   Referências BARCELLOS, A. de O. Sistemas extensivos e semi-intensivos de produção: pecuária de bovino nos cerrados. Simpósio sobre o Cerrado Biodiversidade e Produção Sustentável de Alimentos e Fibras nos Cerrados. p.130-136, 1996. BOIN, C. Produção animal em pastos adubados. In: MATTOS, H.B.; WERNER, J.C.; YAMADA, T.; MALAVOLTA, E. ed. Calagem e Adubação de Pastagens. Piracicaba: Associação Brasileira para Pesquisa do Potássio e Fosfato, 1986. p. 383-419. Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) Pecuária Sudeste. Criação de Bovinos de Corte na Região Sudeste - Produção de Carne em Pastagens Adubadas, Sistemas de Produção, Versão-Eletrônica, Jul./2003. Disponível em: . Acesso em: 19 jun. 2013. KICHEL, A.N.; MIRANDA, C.H.B.; ZIMMER, A.H. Fatores de degradação de pastagens sob pastejo rotacionado com ênfase na fase se implantação. In: Simpósio sobre manejo de Pastagens, 14., Piracicaba. Anais... Piracicaba: FEALQ, 1997, p.1993-211. PIRES, A. V. Bovinocultura de Corte. Piracicaba: FEALQ, v.1, 759p, 2010. ZIMMER, A. H., EUCLIDES, V. B. P. Importância das pastagens para o futuro da pecuária de corte no Brasil. In. EVANGELISTA, A.R., BERNARDES, T.F., SALLES, E.C.J. (Eds.) Simpósio de Forragicultura e Pastagens – Temas em Evidência, 1, Lavras, 2000. Anais... Lavras: UFLA, 2000, p. 1-49.   Por Luis Marinelli e Marcel Onizuka, departamento técnico Ourofino.

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