03 mar 2014

Parto distócico em equinos

O tempo médio de gestação das éguas é de aproximadamente 340 dias, podendo variar entre 315 a 400 dias. Éguas que apresentam variações neste tempo médio de gestação podem indicar um problema e devem ser avaliadas. Distocia é definida como parto anormal ou dificultoso, que pode ou não necessitar de assistência. A distocia pode resultar em lesões ou morte da égua ou feto, no entanto, sua ocorrência em éguas é abaixo de 1%, aumentado esta porcentagem quando determinados cruzamentos de variação extrema de tamanho são realizados, nestes casos sendo a fêmea em tamanho menor (THRELFALL & IMMEGART, 2000). De acordo com THREFALL & IMMEGART (2000), as éguas apresentam menos complicações envolvendo partos em relação a outras espécies, no entanto, sua ocorrência deve ser considerada uma emergência por se tratar de um parto rápido e extenuante. O potro normalmente nasce em apresentação anterior, ou seja, a cabeça deve estar em direção à vulva da égua, precedida dos membros anteriores estendidos. Nesta posição, as costas do feto devem estar para cima, dorsal à espinha da égua (ALLEN, et al, 1994). Qualquer alteração nesta atitude é uma distocia, exigindo intervenção imediata (PRESTES, 2000). Além da alteração na posição do feto, a distocia pode ocorrer também devido a causas mecânicas ou maternas. Nas causas maternas a distocia esta associada à dilatação incompleta e nas causas mecânicas às desproporções fetopélvicas, torção uterina, estenose de cérvix e vagina e anomalias congênitas (JAINUDEEN & HAFEZ, 2004). Segundo THRELFALL & IMMEGART (2000) as causas fetais são mais comum de ocorrer e acredita-se que as principais razões sejam as anormalidades posturais dos membros fetais longos. A morte do feto e da égua pode ocorrer nos casos em que a égua continua com esforços improdutivos na tentativa de expulsar o feto, podendo ocasionar danos no trato reprodutivo da égua pode até levar a uma peritonite fatal. O feto pode vir a óbito pois a placenta se separa rapidamente durante o parto e o feto perde seu aporte de oxigênio. Prolapso uterino e prolapso retal também ocorrem devido a esforço intenso durante o parto (ALLEN, et al, 1994). O feto pode ser palpado pelo canal vaginal para determinar sua disposição. De acordo com THRELFALL & IMMEGART (2000), as possibilidades de correção mais frequentemente utilizadas incluem a mutação, a extração forçada, a fetotomia, laparotomia e a láparo-histerectomia. No entanto, de acordo com PRESTES & LANDIM – ALVARENGA (2006) o método de correção mais frequentemente utilizado é o de mutação, usado para corrigir má postura, posição e apresentação seguida da liberação do feto. Ainda segundo o mesmo autor, o retorno do feto à apresentação, posição e postura normais pelo método de mutação é feita pelas manobras obstétricas de retropulsão, extensão, rotação, versão e tração. Uma das complicações já descritas de distocia é o prolapso do reto, que segundo THREFALL & IMMEGART (2000) fica evidente durante do II estágio de esforço do parto, onde ocorre a pressão abdominal extrema forçando o reto. O prolapso do reto pode ser controlado tentando manter a pressão no ânus para reduzi-lo, no entanto, quando ocorre trauma desse segmento ou laceração do mesentério e ocorrer comprometimento considerável o animal deve ser levado para o centro cirúrgico. Portanto o parto distócico em equinos deve sempre ser considerado uma emergência devido ao risco de vida tanto para a fêmea quanto para o feto. É importante ter informações sobre o histórico e exame físico do animal para realizar o planejamento da melhor abordagem da distocia.  

 

REFERÊNCIAS 

ALLEN, W. E.; et al. Fertilidade e obstetrícia equina. São Paulo: Varela, 1994. JAINUDEEN, M. R.; HAFEZ, E.S.E. Falha reprodutiva em fêmeas. In: HAFEZ, E.S.E. ; HAFEZ, B. Reprodução animal, 7. Ed. Barueri, SP: Manole, 2004. PRESTES, N. C.; LANDIM – ALVARENGA, F. C. Obstetrícia Veterinária. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006. PRESTES, N. C. O parto distócico e as principais emergências obstétricas em equinos. Revista de Educação Continuada, v. 3, p. 40-46, 2000. THRELFALL, W. R.; IMMEGART, H. M. Lesões no parto. In: REED, S. M.; BAYLY, W. M. Medicina Interna Eqüina. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000.

Gislane Cristina Mendes

Vendedora Técnica Linha Equinos Ourofino

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