Módulo 1: texto 4 - A inseminação artificial propriamente dita

06 jun 2015

Módulo 1: texto 4 - A inseminação artificial propriamente dita

A inseminação articificial é um procedimento onde se faz a deposição mecânica do sêmen no útero de uma vaca em condições de conceber. Para isso diversos passos devem ser obedecidos.

Para uma fêmea bovina ser inseminada, ela deverá ter sido observada em cio, sendo a detecção de cio fundamental para o sucesso da inseminação. Em geral recomenda-se, no mínimo, 3 observações diárias, sendo uma no início da manhã e outra no final da tarde. Cada observação deve ter duração mínima de 60 minutos cada. As vacas que estiverem no cio devem ser separadas ou ter sua identificação anotada para posterior inseminação.

O sinal principal de cio é a fêmea que fica parada enquanto outro animal salta sobre ela (aceitação de monta; Figura 1). Outros sinais secundários são percebidos durante o cio como inquietação, cauda erguida, urina constantemente, vulva inchada e brilhante, muco cristalino e transparente (Figura 3), perda de apetite, queda na produção de leite entre outros. Vale ressaltar que apenas a aceitação da monta garante que a fêmea está no cio, sendo esse o sinal exclusivo para tomada de decisão pela inseminação.

De acordo com o manual ASBIA, o momento ideal de inseminar é no final do cio, quando a probabilidade de fecundação é maior devido ao momento de ovulação.

O método de inseminação mais utilizado é o proposto por Trimberger que sugere o seguinte manejo: as vacas que manifestarem o cio pela manhã deverão ser inseminadas no mesmo dia a tarde, e as vacas observadas em cio a tarde deverão ser inseminadas no início da manhã seguinte.

Antes de iniciar a inseminação, examine atentamente a ficha do animal, e verifique as últimas ocorrências. Em caso de qualquer anormalidade ou se a vaca é recém-parida (menos de 40 dias), não realize a inseminação.

Com o animal devidamente contido (Figura 3), é importante verificar a aparência do muco. Esse deve estar transparente e cristalino sendo que qualquer alteração no muco, a vaca não deverá ser inseminada. Todas estas observações devem ser anotadas na ficha do animal e comunicadas ao técnico responsável. Após todas essas avaliações, a fêmea está liberada para ser inseminada. Para isso é necessário fazer a limpeza do reto, e em seguida utilizar um papel para limpar a vulva. É muito importante uma cuidadosa higienização da vaca que antes da inseminação deve estar com a vulva limpa e seca.


O inseminador deverá vestir a luva de palpação, introduzir delicadamente a mão pelo reto do animal, usando preferencialmente algum lubrificante. Com auxilio de outra pessoa faz-se a abertura da vulva do animal (Figura 4), por onde será introduzido o aplicador na vagina da fêmea (Figura 5), de baixo para cima. 

Com a mão que está no reto, o inseminador deve envolver e fixar a cervix e também orientar a introdução do aplicador até a entrada da cervix. Faça movimentos com a mão que está fixando a cervix até a passagem completa do aplicador pelos anéis cervicais. Deposite o sêmen após o último anel pressionando lentamente o êmbolo do aplicador.

Retire o aplicador e o braço e faça uma leve massagem no clitóris da vaca (Figura 6). Verifique se o sêmen foi devidamente aplicado e se não houve refluxo do mesmo na bainha (em virtude de possível montagem errada).

Retire a bainha descartável, envolvendo-a com o verso da luva e jogue-as no lixo. Em seguida anote todos os dados da inseminação na ficha do animal (data da inseminação, período, nome do touro, partida de sêmen, nome do inseminador, etc; Figura 7).

Periodicamente faça a limpeza do aplicador universal com álcool (Figura 8), evitando o acumulo de sujeira que pode prejudicar os resultados.

O próximo passo é aguardar o diagnóstico de gestação feito por um veterinário devidamente capacitado para que possamos planejar o nascimento das crias oriundas da inseminação.

Material Complementar:

Equipe Reprodução Animal - Ourofino

Tags