Indução à lactação: uma ferramenta para diminuir o descarte involuntário na produção de leite

31 mar 2014

Indução à lactação: uma ferramenta para diminuir o descarte involuntário na produção de leite

A perda de lucratividade em fazendas de leite pode estar associada às inúmeras ineficiências no sistema de produção. Entre essas, podemos citar a elevada taxa de descarte que é muito comum em propriedades que exploram a alta produção por vaca, principalmente em regiões menos favoráveis com altas temperaturas e umidade constantes. Esses fatores contribuem para aumentar a falha reprodutiva nos rebanhos que pode ser definida por uma fêmea que encerra a lactação e está vazia. Essa é a principal causa do descarte involuntário, ou seja, que é forçado em função de motivos alheios à vontade do produtor. Neste sentido, um estudo retrospectivo entre 2000 e 2003 realizado no Brasil com 2.083 vacas de leite de seis rebanhos, apontou que a falha reprodutiva foi responsável por 27,7% do descarte involuntário (Silva, 2004). Como consequência tem-se redução no número de vacas em lactação, maior intervalo entre partos, e menor produção/vaca/ano. Adicionalmente, outro ponto relevante é o maior custo com a reposição de novilhas que pode representar a segunda maior despesa da exploração leiteira, perdendo somente para o custo com a alimentação. Tendo em vista esse cenário, é fundamental trabalhar com alternativas para diminuir o descarte involuntário e estas são: melhorar a eficiência reprodutiva, e aumentar a vida produtiva dessas fêmeas pela técnica de indução à lactação. O protocolo de indução à lactação é um tratamento que simula o final da gestação (últimos 21 dias) mimetizando os níveis fisiológicos dos hormônios reprodutivos que estão envolvidos nessa fase. Essa técnica já tem sido utilizada há alguns anos em vacas improdutivas (secas e vazias) e também em novilhas tardias que foram inseminadas ou cobertas diversas vezes, porém não conceberam. Entretanto, para o uso dessa ferramenta temos que considerar alguns pontos importantes, por exemplo: a escolha das fêmeas com bom escore de condição corporal (≥ 3,0), animais saudáveis sem problemas crônicos (casco, mastite ou outros) e obrigatoriamente vazias; período de secagem mínimo de 60 dias para vacas lactantes, sendo importante respeitar esse período e iniciar o tratamento somente após o mesmo; aporte nutricional é fundamental para a produção de leite assim, quando a fêmea iniciar a produção já deverá estar adaptada e consumindo ração/concentrado. Com o protocolo adequado, e todos os critérios seguidos observamos bons resultados com a técnica. Freitas et al. (2010) obteve 90% (16/20) de resposta nas vacas tratadas. Ainda, a lactação induzida correspondeu a 70% da lactação fisiológica e o pico de produção atingiu 21,9 kg de leite/dia em um dos grupos tratados. Dessa forma, temos aqui uma excelente alternativa para reduzir a taxa de descarte involuntário e manter animais geneticamente superiores no rebanho, com bom potencial de produção. Ainda, dependendo do motivo da falha reprodutiva dessas fêmeas temos a oportunidade de gerar novas tentativas com esses animais em produção.  

Referências

SILVA, L.A.F.; COELHO, K.O.; MACHADO, P.F. et al. Causas de descarte de vacas da raça Holandesa confinadas em uma população de 2083 bovinos (2000-2003). Ciência Animal Brasileira, v.9, p.383-389, 2004. FREITAS, P. R. C.; COELHO, S. G.; RABELO, E.; LANA, A. M. Q.; ARTUNDUAGA, M. A. T.; SATURNINO, H. M. Artificial induction of lactation in cattle. Revista Brasileira de Zootecnia, v.39, p.2268-2272, 2010. 

Alessandra Ambrósio Teixeira

Especialista em Reprodução Animal no Departamento Técnico da Ourofino Agronegócio

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