Controle da diarreia por coccidiose em leitões

11 mar 2014

Controle da diarreia por coccidiose em leitões

No Brasil foram abatidos cerca de 37 milhões de cabeças em 2011 e o preço médio praticado por Kg girou em torno R$ 3,19, segundo dados da ABCS. Visando atender a maior demanda de proteína demandada pela abertura de novos mercados, o Brasil passa por um período de mudanças. A intensificação da produção é um caminho de mão única, no qual somente quem é realmente competitivo consegue sobreviver. Com a intensificação da produção, os desafios aumentaram. Atualmente um dos principais inimigos da suinocultura moderna são os desafios entéricos, destacando a colibacilose, clostridiose e a coccidiose, responsável por causar perdas de desempenho no leitão por falha na absorção dos nutrientes do colostro e do leite na maternidade, podendo refletir até o abate. As enterites podem ser causadas por diversos agentes, até mesmo por má nutrição ou erros de manejo.

Isospora suis: as diarreias causadas por este agente têm como principal característica o odor rançoso, sua coloração variável e consistência que pode ser líquida ou pastosa, no entanto; os sinais clínicos variam conforme o nível de infecção do hospedeiro. Animais jovens sofrem mais com a coccidiose quando a colostragem e limpeza do ambiente não foi realizada com o cuidado necessário. Havendo assim falha na imunidade passiva, com isso os leitões irão apresentar quadros mais graves. Os lactentes que tem contato com um número maior de oocistos terão um quadro mais grave de diarreia, principalmente se contaminados nos primeiros dias de vida. Outros fatores importantes são as infecções concomitantes da coccidiose com vírus, bactérias e parasitas, aumentando assim a gravidade da doença. A coccidiose é uma enteropatia cosmopolita que causa vários prejuízos, acomete leitões de 3 a 15 dias, causa diarreia profusa, com alta morbidade e baixa mortalidade.

Prejuízos: leitões acometidos podem deixar de ganhar em média 400 gramas do nascimento até a desmama, quando comparados a leitões sadios. Os prejuízos decorrentes das coccidioses ocorrem devido às lesões causadas nas mucosas do trato digestório e atrofiam nas microvilosidades que podem variar de medianas as severas, dependendo da ingestão do número de oocistos esporulados. As lesões microscópicas identificadas demonstram a diminuição na absorção de nutrientes pela mucosa intestinal e gastos de reservas energéticas que resultam na perda de peso, fraqueza muscular e diminuição do desenvolvimento, o que aumenta o tempo de permanência dos animais nas granjas, com piora do ganho de peso e eficiência alimentar. A morbidade é um fator importante, animais não tratados podem liberar oocistos em suas fezes, dando assim continuidade ao ciclo pela coccidiose subclínica. Um dos ativos eficazes contra essa doença é o Toltrazuril, um fármaco triazinônico que possui atividade coccidicida e antiprotozoária de largo espectro de ação. O Toltrazuril passa por metabolização hepática, por sulfoxidação e hidroxilação, na presença do Citocromo P450, no qual é convertido em Toltrazuril Sulfóxido em seguida é novamente oxidado dando origem ao Toltrazuril Sulfona, que também tem ação coccidicida, o que melhora os efeitos coccidicidas. O Isocox Pig Doser é um antiprotozoário de largo espectro que tem ação anticoccidiana e antiprotozoária de alta eficácia e age nos estágios sexuados e assexuados do agente, inibindo o crescimento nas diferentes formas evolutivas do parasito. Seu princípio ativo Toltrazuril a 5% associado à tecnologia coloidal e suspensão branca, espessa e com alta palatabilidade garante maior absorção, atinge pico plasmático em 48h, mantendo níveis plasmáticos superiores após este tempo quando comparado aos demais produtos, com duração de até 240 horas depois de sua administração. Esse maior período de proteção garante segurança ao tratamento dos animais e dá ao suinocultor a certeza de bons resultados, com facilidade no manejo.

Protocolo de tratamento: Objetivando a prevenção dos ciclos clínicos e subclínicos da coccidiose em leitões neonatais (de 3 a 5 dias de idade) em granjas com histórico confirmado de presença da Isospora suis. É administrado via oral, em dose única, 1mL de Isocox Pig Doser por leitão em todas as leitegadas da granja. O manejo das fêmeas primíparas deve ser observado, pois elas podem não ter habilidade materna, dificultando que os recém-nascidos tenham a oportunidade de mamar o colostro nas duas primeiras horas, levando a falhas na absorção de anticorpos, estes responsáveis pela resposta imunológica frente a agentes patogênicos causadores de enfermidades, sendo assim animais que não mamaram o colostro são mais susceptíveis às doenças, elevando os índices de morbidade e mortalidade da leitegada. As matrizes são colocadas em gaiolas de parição para evitar o esmagamento dos leitões. Os leitões secados, higienizados e numerados em ordem de nascimento, separados em lotes homogêneos, após mamarem devem ser colocados no escamoteador para serem aquecidos. Leitões que nascem com peso inferior ao esperado sofrem com a concorrência de tetos por animais maiores, estes por sua vez são dominantes o que gera desequilíbrio, a identificação e homogeneização do tamanho irão garantir a evolução das leitegadas. Limpezas seguidas por desinfecção com produtos associados à base de glutaraldeido e amônia quaternária auxiliam no controle dessa doença. A associação ao manejo bem executado na prevenção e controle da coccidiose suína é a opção disponível, uma vez que não há uma vacina disponível para a imunização. A prevenção entérica bem feita e o uso estratégico do Isocox Pig Doser maximizam os resultados na suinocultura.

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Rodrigo Moraes e Luciano Catelli

Ourofin

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