20 jan 2014

Cólica em Equinos

1. O que é Cólica?

Por definição, cólica é um termo utilizado para descrever a dor de origem abdominal, na maior parte dos casos ocasionada por distúrbios digestivos, e em menor escala devido a distúrbios em outros órgãos da cavidade abdominal. Trata-se de um dos principais casos na rotina da clínica equina. O desconforto abdominal relacionado à síndrome cólica, de maneira geral, se deve ao aumento da pressão na luz intestinal, alteração no posicionamento anatômico das alças intestinais, inflamações ou espasmos musculares. Essas situações anormais podem, do ponto de vista patogênico, ser causadas por uma inibição da passagem intestinal (obstruções) ou fermentações indesejadas (gases, ácidos ou toxinas). As alterações no manejo diário, infestações verminóticas ou estresse também podem ser o disparo inicial para esta cascata de eventos.

2. Cólica estomacal X Cólica intestinal

O cavalo é um dos animais mais susceptíveis a alteração na rotina ambiental ou alimentar. Situações em que existe privação de água, estresse devido ao transporte, alimentação de má qualidade, entre outros, podem levar a ocorrência da Síndrome Cólica.

2.1. O Estômago De uma maneira simplificada a função básica do estomago é armazenar, misturar e digerir o alimento. É nele que ocorrem os processos enzimáticos e hidrólise dos alimentos pela ação do suco gástrico. O estômago equino tem capacidade média de 8 a 20 litros, representando menos de 10% do trato digestivo. Por se tratar de um órgão pequeno o ideal é que a recepção de alimentos seja feita de maneira continua e em pequenas quantidades. As cólicas com origem estomacal representam 10% dos casos clínicos de cólica e são decorrentes principalmente de mudanças na fermentação microbiana ou um resultado da perda de motilidade, sendo que o risco de cólica aumenta com a quantidade de concentrado ingerido.

2.2. O Intestino Diferentemente do estômago, o intestino do equino é um órgão bem longo e é nele que temos a absorção dos nutrientes ingeridos na dieta. Dentre os fatores individuais que afetam a digestibilidade dos nutrientes em equinos encontram-se a mastigação, a presença de parasitas e a velocidade de trânsito da digesta, sendo que a motilidade intestinal está relacionada com a quantidade e a natureza da fibra contida na dieta, podendo acelerar ou reduzir as ações digestivas sobre a mesma. Uma alta quantidade de fibra na dieta aumenta a probabilidade de impactação e o feno de baixa qualidade e baixa digestibilidade predispõe o cavalo à cólica.

3. Tipos de cólicas

3.1. Timpanismo: Distensão das alças provocada por gases. Ex. Timpanismo primário.

3.2. Obstrutivas simples: Obstrução do lúmen gastrintestinal, sem envolvimento circulatório imediato. Ex. Compactação gástrica, compactação do intestino grosso, Fecalomas.

3.3. Obstrutivas estrangulantes: Além de obstrução luminal ocorre lesão estrangulante dos vasos. Ex. Vólvulos, Intussuscepções, torções, Encarceramentos, hérnias.

3.4. Infarto não estrangulante: Obstrução vascular sem ocorrência de obstrução luminal. Ex. Tromboembolismo parasitário.

3.5. Inflamações: Processos inflamatórios da parede gastrintestinal. Ex. Gastrite/Úlcera gastroduodenal, Duodeno-jejunite proximal, Colites.

4. Sinais clínicos

A intensidade da dor de cólica pode ser variável, no entanto, deve ser sempre considerada uma emergência e tratada como tal. Quando está com cólica, o cavalo nos mostra claramente o seu desconforto. As alterações comportamentais mais características são: raspar o chão, sapatear, coicear o abdomem, inquietação, deitar e se levantar, rolar no chão, olhar para o flanco, deitar de costas e bater continuamente na água sem beber.

5. Diagnóstico e Tratamento

O controle da dor do animal deve ser primordial nestas situações. Além de promover conforto ao animal, é mais seguro para o proprietário e para o médico veterinário examinar o cavalo que pode estar irritadiço. O medicamento Flunixin meglumine (Desflan) foi introduzido no mercado na década de 70 e até os dias de hoje se consagra por sua prolongada e potente analgesia visceral, além da atividade anti endotoxêmica. O tratamento da cólica deve ser sempre encarado com seriedade e respeito pelo animal. O médico veterinário é a pessoa mais capacitada para conduzir estes casos adequadamente e, a partir do exame clínico e complementar optar pelo tratamento médico ou cirúrgico.  

Desflan se consagra por sua prolongada e potente analgesia visceral, além da atividade anti endotoxêmica.

  Bibliografia utilizada CARTER, G. K. Gastric diseases. In: ROBINSON, N. E. Current Therapy inEquine Medicine 2. W B Saunders Company, p. 41-44, 1987. COHEN, N. D.; GIBBS, P. G.; WOODS, A. M. Dietary and other management factors associated with colic in horses. Journal ofAmerican Veterinary Medical Association, v. 215, n. 1, p. 53-60, 1999. GONÇALVES, S.; JULLIAND, V.; LEBLOND, A. Risk factors associated with colic in horses. Veterinary Research, v. 33, p. 641-652. 2002. LARANJEIRA, P.V.E.H.; ALMEIDA, F. Q. Síndrome cólica em equinos: ocorrência e fatores de risco. Rev. de Ciên. da Vida, RJ, EDUR. v. 28, n. 1, jan-jun, 2008, p. 64-78. PUGH, D. G.; THOMPSON, J. T. Impaction colics attributed to decreased water intake and feeding coastal Bermuda grass hay in a boarding stable. Equine Practice, v. 14, p. 9-14, 1992. VERVUERT, I.; COENEN, M. Nutritional management in horses: selected aspects to gastrointestinal disturbances and geriatric horses. In: European Equine Health &Nutrition Congress, 2, Netherlands,Proceedings… Lelystad, p. 20-30. 2003. WOLTER, R. Alimentacion del caballo.Zaragosa: Acribia, 1977. 172p. 

Flávia Ávila

Vendedora Técnica Linha Equinos Ourofino

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