Além de rústico e econômico, é Gir

19 mar 2012

Além de rústico e econômico, é Gir

Proveniente da Índia, da península de Gir, a raça Gir foi introduzida no Brasil por volta de 1906 em alguma das importações realizadas por Teófilo de Godoy.

Entre o período de 1920 à 1940, pelo fato dos produtores da época estarem interessados em realizar cruzamentos com a nova raça, o palco brasileiro deu espaço à uma novidade, o chamado Indubrasil, resultado de múltiplos cruzamento entre as raças Gir, Guzerá e Nelore. Mesmo com todas as tendências de cruzamentos, a raça Gir manteve-se pura, em sua maioria, nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Bahia. Na região Sudeste, o boi Gir ficou conhecido como “raça dos cafezais”, local onde produzia carne, leite e ainda ajudava na tração. Em termos de registros, a raça veio perder espaço para o Indubrasil em meados de 1953, e mais para frente, em 1969 ambas as raças perderam grande espaço para o Nelore. Perante esta situação, rapidamente o Gir foi desacelerando seu crescimento na linha produtiva de corte, uma vez que os produtores preferiam a raça Nelore, e levou uma boa parte dos criadores a se dedicar apenas ao atendimento dos pequenos produtores de leite. Devido ao acelerado melhoramento na produtividade leiteira os rebanhos do país inteiro foram dando espaço ao “sangue novo”, e este atingiu 82,4% das propriedades brasileiras que, de alguma forma, exploravam o leite. Com isso, a raça recém chegada perdeu a coroa da pecuária de corte, porém conquistou o reino do setor leiteiro. Em 2011, segundo a ABCGIL, a associação bateu o seu recorde de registros, no total foram 29.827 Registros de Nascimento, dos quais 19.819 foram fêmeas e 10.008 de machos da raça. Com o passar do tempo descobriu-se que a raça obtinha um bom resultado quando utilizada em cruzamentos com gado leiteiro europeu, daí surgiu a descoberta do grande “balde de ouro”: o Girolando. Esses cruzamentos resultaram em uma produção de leite mais econômica, pois a raça Gir contribui com o leite, com a rusticidade, vigor e docilidade. Em termos de produção, a raça Gir produz em média3.254 kgde leite em um período de 305 dias, valor que excede a média nacional em três vezes (960 kg). Além disso, possui mais de 2.000 vacas com lactações acima de5.000 kg, e mais de 500 acima de7.000 kg, tudo isso dentro do rebanho brasileiro que possui um total de 35.700 cabeças de Gir, sendo 22.720 registrados na Associação Brasileira de Criadores Zebuínos (ABCZ). Em alguns torneios leiteiros o valor médio (12 kg) por dia de leite já foi de49 kgem uma vaca de segunda cria. A idade do primeiro parto da raça, em geral é mais tardia do que das vacas européias, sendo 40 meses para o Gir e 31 para as européias. Isto pode ocorrer devido ao manejo pós desmame das fêmeas. Quanto à vida útil desse zebuíno, é superior à de vacas européias, sendo comum encontrar animais com 10 crias em atividade produtiva. Essas crias nascem com um pequeno peso (fêmeas em média com24 kge machos26 kg), o que facilita muito no momento do parto, não causando nenhum tipo de complicação com a mãe ou com a cria. Por suas qualidades próprias, a raça Gir possui um atrativo de grande valia, o qual seria sua aptidão para duas linhas de produção: a carne e o leite. Por esse motivo, a raça conta com dois programas de melhoramento genético para as linhagens leiteiras, enfocando o animal de aptidão mista. Trata-se dos testes de progênie de touros, cujas mães e filhas são submetidas a controle leiteiro; e os filhos são submetidos a testes de desempenho em ganho de peso. A partir dessas aptidões da raça formaram-se duas agremiações, uma para cada tipo de linha produtiva. A Associação Brasileira dos Criadores de Gir (ASSOGIR) e a Associação Brasileira dos Criadores de Gir Leiteiro (ABCGIL), fundada em 1980, com o intuito de unir os criadores, promover um avanço na produção leiteira, um constante melhoramento da raça e ampliar novas perspectivas no mercado internacional. Esses objetivos são alcançados pela presençaem diversas Exposições Agropecuáriasno país e pela participação de Torneios Leiteiros e de Julgamentosem pista. Essasassociações defendem idéias próprias e individuais. O mercado exige qualidade a baixos preços e, por ser mais rústico, o gado Gir tem baixa probabilidade de ser parasitado e apresenta menor incidência de doenças do que as raças de clima temperado, o que culmina em um uso mais controlado de vermífugos; carrapaticidas e antibióticos, resultando num leite mais barato e de melhor qualidade. Um fator que também colabora com o controle de custo da produção seria o sistema utilizado, pois animais resistentes e adaptados ao clima permitem sistemas de produção baseados na exploração de pastagens. Por fim, pode-se considerar que a raça Gir, além de flexível, é também muito vantajosa do ponto de vista sócio-econômico. O Brasil deve, e de fato, está aproveitando a oportunidade de poder usufruir dessa raça zebuína, pois não são todos os países que têm clima e temperaturas tão favoráveis a esta raça quanto o nosso. Referências

A História da raça Gir.

Disponível em: <http://www.zebuparaomundo.com/zebu/index.php?option=com_content&task=view&id=439&Itemid=46>. Acessado em: 01/02/2012.

Acessado em: 01/02/2012.

A Raça: O Gir leiteiro hoje.

Disponível em:< http://www.girleiteiro.org.br/novo/?desempenho>.

Acessado em: 01/02/2012.

Gir Leiteiro.

Disponível em: <http://www.tropicalgenetica.com.br/site/index.php?sec=pag&id=16>. Acessado em: 01/02/2012.

Gir Leiteiro bate Recorde no numero de registros no ano de 2011. Gir Leiteiro, jan. 2012.

Disponível em: <http://www.girleiteiro.org.br/novo/?noticiasDetalhe,301,1>. Acessado em: 01/02/1012.

Iedic, Ivan. O Gir leiteiro puro – uma realidade na América Latina. 2009,2f.

Por Ariana Desie Toniello, graduanda em Zootecnia (FCAV/UNESP Jaboticabal)

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