05 abr 2011

Tendinites

Atualmente na criação de equinos, tem-se dado maior ênfase à exploração de diversas modalidades esportivas valorizando o potencial atlético dos cavalos. Isso faz com que os protocolos de treinamento sejam cada vez mais intensos. No entanto, nem sempre estes animais estão capacitados para tais atividades, ou por se tratarem de exercícios que levam além dos limites fisiológicos, ou por não terem condicionamento físico adequado. A grande rotina de treinamentos e provas predispõe o equino à lesões músculo-esqueléticas, dentre as quais se destacam as tendinites. Tendinites, de modo geral, são causas comuns de claudicação em cavalos de esporte. Resultam em alta morbidade com períodos prolongados de afastamento do trabalho (STASHAK, 2006).

É um processo inflamatório do tendão, que acomete principalmente os tendões flexores e suas bainhas sinoviais dos membros anteriores, sendo mais comuns em cavalos de corrida, ou dos membros posteriores dos cavalos de sela e tração (THOMASSIAN, 2005). Sua ocorrência é maior em equinos atletas, que realizam atividades em alta velocidade, como corrida ou pólo, ou aquelas em que se submetem à intensa sobrecarga no membro até o ponto de fadiga além de suas forças, como em saltos por exemplo. As tendinites também podem ocorrer, de forma mais rara, como resultado de queda ou outro evento traumático isolado (SMITH, 2006). A sintomatologia manifesta-se imediatamente a ação traumática, em geral, logo após corridas ou esforços durante a locomoção forçada. A região acometida apresenta um espessamento do tendão, que em caso agudo ocorre devido ao edema local, se manifestando como um aumento de volume na região palmar ou plantar do tendão do flexor digital superficial, aumento de temperatura e intensa dor à palpação (THOMASSIAN, 2005). O animal acometido apresenta claudicação durante dias se o tratamento de emergência não tiver começado (SMITH, 2006). Já na fase crônica, que decorre da fase aguda por tratamento mal conduzido, se manifesta por fibrose e inchaço firme a palpação, área indolor. Alguns sinais da fase aguda podem estar presentes, dependendo do estágio da cicatrização ou de uma nova lesão no tendão afetado. O animal pode não estar claudicando ao passo e ao trote, mas apresenta sinais de claudicação em trabalho esforçado (ADAMS, 1994). Devido à aderência que ocorre dos tendões, pode haver restrição de movimentos dos mesmos. O objetivo primário no tratamento para tendinite é controlar o processo inflamatório (AUER, 1992). Os anti-inflamatórios não esteróides sistêmicos mais utilizados são a fenilbutazona, embora o Flunixin meglumine possa ser usado à princípio, por possuir efeito mais imediato (STASHAK, 2006). Na fase aguda, o tratamento inclui repouso absoluto em baias, associado com hidroterapia 3 vezes ao dia, sacos de gelo ou uma mistura de água e gelo com duração  de no mínimo 20 minutos, além de massagem com DMSO, devido suas propriedades antiedematosas e de vasodilatação (STASHAK, 2006). Os exercícios devem ser retomados de forma gradativa, somente após noventa dias do início da lesão (THOMASSIAN, 2005). No tratamento preventivo da tendinite, o treinamento condicionado para reduzir o esforço excessivo sobre o tendão flexor digital superficial, e o uso correto de técnicas de ferrageamento, são uma das formas preventivas para tendinite (Smith, 1993). O controle do peso de cavalos atletas, duchas e massagem de descanso, aplicação de ligas de trabalho não muito apertadas e o repouso, também são uma forma de prevenção (Thomassian, 1990). Devido à grandes perdas econômicas, deve-se tentar reduzir ao máximo a incidência da tendinite, sendo necessário o início gradual de treinamentos, minimizando a sobrecarga nos tendões não condicionados (Adams, 1994). Por demandar um longo período necessário para a recuperação completa do tecido tendíneo e por haver alta incidência de reparação desorganizada, esse tipo de lesão compromete seriamente o desempenho, resultando em redução da vida útil do animal, causando prejuízos econômicos significativos para o proprietário (FERNANDES et al, 2003). É uma das enfermidades que leva ao final de carreira de cavalos atletas, se não tratado corretamente (COLAHN, 1999). 

Elis Fernanda Giatti

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