Superando os paradigmas da capacitação rural

13 dez 2016

Superando os paradigmas da capacitação rural

A população brasileira é de caráter cada vez mais urbano. De acordo com o Censo de 2010, menos de 19% da população brasileira vive na zona rural. A partir do século XXI, houve uma queda brusca do número de pessoas em idade para trabalhar que optaram por buscar emprego no campo. Os jovens têm permanecido por mais tempo nas escolas, resultando em maior desinteresse pela vida rural. A escolarização dos filhos de trabalhadores rurais deve ser interpretada como de grande valia, dado que ainda há quem volte ao campo para trabalhar. Estes voltarão com maior perspectiva de aprendizagem e capacitação em meio rural.

O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) divulgou dados que caracterizam um Brasil carente de profissionais qualificados. Tal falta de mão de obra atinge diversos  setores da economia do país, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O meio rural jamais retrocederá às antigas formas de produção, sempre havendo necessidade de maiores tecnologias e de profissionais cada vez mais capacitados. Mas é importante ressaltar que o trabalhador não está desamparado neste processo, desde que tenha o interesse em se aprimorar cada vez mais. Empresas, entidades e produtores têm se mobilizado, buscando formas de capacitar um número maior de profissionais. Podemos exemplificar tal estilo de aprimoramento com o “Curso de Capacitação em Inseminação Artificial” oferecido pela Ourofino Saúde Animal, que já qualificou mais de 2.000 trabalhadores rurais nesta área.

Os cursos de IA e IATF em bovinos são credenciados pela ASBIA (Associação Brasileira de Inseminação Artificial) e a Ourofino Saúde Animal disponibiliza uma completa área de manejo, salas de aula (teórica e prática), farmácia veterinária, alojamento e refeitório, em uma fazenda localizada a pouco mais de 50 km de Ribeirão Preto (SP), em Guatapará. Toda a estrutura tem como objetivo proporcionar maior conforto e comodidade às pessoas em treinamento.

O curso tem carga horária de 36 horas, é ministrado de segunda a sexta-feira em período integral, envolvendo atividades teóricas e práticas. O treinamento de IA é ministrado com 8 horas destinadas às aulas teóricas e 28 horas às atividades práticas. São abordados diversos assuntos a respeito da IA e da IATF.

Conteúdo teórico sobre IA:

  • Importância da IA no melhoramento genético, ganho econômico e controle sanitário do rebanho;
  • Limitações e dificuldades encontradas para o uso da técnica;
  • Anatomia do aparelho reprodutor da fêmea bovina;
  • Detecção do cio e horário da IA;
  • Manejo do botijão de sêmen;
  • Descongelação e manipulação do sêmen.
     

Conteúdo prático sobre IA:

  • Visualização e manipulação do aparelho reprodutor e prática da IA em peças de frigorífico;
  • Aplicação prática da técnica de IA;
  • Simulação de todos os passos da IA (exercício prático completo e supervisionado).

Conteúdo teórico sobre IATF:

  • Princípios básicos da técnica IATF;
  • Vantagens econômicas do uso da IATF;
  • Limitações do uso da IATF;
  • Hormônios utilizados nos protocolos.

Conteúdo prático sobre IATF:

  • Manejo dos animais para IATF;
  • Administração dos hormônios utilizados nos protocolos de IATF.

Os animais utilizados no curso são vacas e novilhas adaptadas à técnica da Inseminação Artificial e, normalmente, não estão no cio. Ou seja, a passagem do aplicador pela cérvix destes animais é comumente mais complexa, devido ao pouco espaço (estrutura mais fechada e animal contraindo frequentemente). Desta forma é possível evidenciar que o treinamento prático do curso é árduo, sendo dificultado pelos animais, o que profissionaliza os alunos de forma mais rápida e eficaz. As dificuldades já são encontradas ao longo da semana de aprendizado, tornando-os verdadeiros inseminadores ao final dela.

Ao longo da semana de curso, os alunos praticam diversas vezes o manuseio do botijão, descongelamento do sêmen, montagem de aplicador e a passagem propriamente dia destes pelas cérvices das vacas. Na quinta-feira pela manhã aplica-se um exercício prático completo e supervisionado para cada um dos alunos, em que devem realizar o passo a passo da técnica da inseminação artificial, desde a preparação do animal e o manuseio com o botijão até a desmontagem do aplicador. Tal exercício é primordial para uma avaliação particular de todos os alunos.

Objetivando uma tradução dos ótimos resultados práticos do “Curso de Capacitação em Inseminação Artificial” da Ourofino Saúde Animal em números concretos, realizou-se um comparativo entre duas turmas de perfis diferentes. A turma 1 (T1), em que todos os alunos já inseminavam (em curso de reciclagem) e a turma 2 (T2), em que nenhum aluno inseminava; ambas possuindo 16 alunos. Tais dados visam mostrar a eficácia e eficiência do curso ministrado, mesmo para aqueles alunos que não possuíam contato algum com a técnica.

Turma

12,31

13,625
 

4,0

4,625

T¹: Turma com experiência prévia (já inseminavam)
T²: Turma sem experiência prévia (nunca inseminaram)
M¹: Média de vacas passadas no total do curso
M²: Média de vacas passadas apenas no exercício prático completo e supervisionado

Portanto é evidente que a Ourofino Saúde Animal auxilia de forma inigualável na capacitação de profissionais do campo. Com tais dados podemos concluir que, devido ao correto ensino das técnicas de inseminação ao longo do curso, aqueles alunos que ainda não inseminavam puderam obter resultados melhores do que aqueles que já possuíam experiência prévia. Isso se deve, muito provavelmente, aos vícios anteriormente adquiridos pela T¹. Ou seja, a melhor forma de se iniciar na profissão de inseminador é aprendendo anteriormente a técnica correta e inalterada, através dos cursos oferecidos de “Capacitação em Inseminação Artificial”.

Giovana Rosa Luiz Alonso, estagiária, e Rafael Rodrigues Corrêa, especialista Técnico em Saúde Animal na Ourofino Saúde Animal

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