Artigos - Qualidade que começa na ensilagem e chega ao cocho

06 nov 2025

Qualidade que começa na ensilagem e chega ao cocho

Produzir silagem é garantir alimento de qualidade em períodos críticos, como na estação seca ou momentos de escassez de forragem. No entanto, esse processo exige cuidado e manejo precisos. 

A conservação da silagem depende de uma fermentação controlada. Nessa fermentação, as bactérias transformam açúcares em ácido lático. Isso reduz o pH e impede o crescimento de microrganismos que causam a deterioração. 

A entrada de oxigênio compromete a eficiência dessa fermentação, favorecendo a deterioração aeróbica, com perdas de matéria seca e valor nutricional da silagem. Por isso, usar inoculante e barreira de oxigênio é muito importante. Eles ajudam a manter a estabilidade e a qualidade da silagem do início ao fim.  

Estudo desenvolvido na Fazenda Bela Vista (SP) avaliou a recuperação de matéria seca (MS) e estabilidade aeróbica de silagem de milho planta inteira inoculada com SiloSolve® AS e vedada com SilageSeal.

  

Metodologia  

Silagem de milho planta inteira com 39% de MS inicial, colhida com automotriz. Dois silos foram confeccionados simultaneamente:

  • Silo tratado: Inoculado com SiloSolve® AS (2g/ton) e vedado com SilageSeal.  

  • Silo controle: sem inoculante e sem barreira de oxigênio.  

Durante a colheita, foram avaliadas a matéria seca (MS), Penn State e o escore de processamento de grãos (KPS). Os silos permaneceram 5 meses fechados e foram abertos no mesmo dia (Tabela 1).  

Tabela 1. Caracterização da silagem de milho no enchimento dos silos de acordo com os tratamentos

Tabela 1. Caracterização da silagem de milho no enchimento dos silos de acordo com os tratamentos

 

Avaliações  

  • Pesagem e recuperação de material: todo o material foi pesado na ensilagem e na retirada. Isso permitiu estimar a recuperação de silagem. Também foi possível comparar o volume ensilado e o volume recuperado com base na matéria seca.  

  • Avaliações bromatológicas: amostras do topo, centro e compostas foram coletadas na abertura (D0), D+4 e D+7. As amostras foram retiradas de ambos os silos e analisadas via NIRS.  

  • Contagem de fungos e leveduras: amostras (~1 kg) foram coletadas na abertura do silo e após sete dias de exposição aeróbica. As análises foram realizadas em duplicata, por meio de diluições seriadas e plaqueamento em ágar YGC, incubado a 28 °C por cinco dias.  

  • Análise de estabilidade aeróbica: ao abrir os silos, foram preparados três baldes com 4 kg de silagem cada. Cada balde tinha um datalogger (Elitech, RC-5) no centro. O datalogger registrou a temperatura a cada 30 minutos. 

Os baldes permaneceram abertos em sala com condições controladas, com um datalogger adicional registrando a temperatura ambiente. O ensaio teve duração de 10 dias sob exposição ao oxigênio.  

  

 

Resultados de um estudo de campo

Recuperação de MS  

SiloSolve® AS + SilageSeal reduziram em 30% as perdas de MS em comparação ao controle. 

 

Figura 1. Teor de matéria seca da silagem no momento da ensilagem e após abertura dos silos de acordo com os tratamentos

Figura 1. Teor de matéria seca da silagem no momento da ensilagem e após abertura dos silos de acordo com os tratamentos

 

Uso combinado de SiloSolve® AS + SilageSeal apresentou menor diferença entre o volume ensilado e o recuperado, indicando menores perdas durante o armazenamento e desabastecimento.

 

Figura 2. Volume de silagem (ton de MN) ensilado e recuperado com e sem uso de inoculante e barreira de oxigênio

Figura 2. Volume de silagem (ton de MN) ensilado e recuperado com e sem uso de inoculante e barreira de oxigênio.

Figura 3. Perdas de silagem (ton de MN) dos silos de acordo com os tratamentos 

 

Figura 3. Perdas de silagem (ton de MN) dos silos de acordo com os tratamentos

Com SiloSolve® AS + SilageSeal o volume de MS total disponível para a fazenda foi maior.  

Enquanto o silo controle perdeu quase 20% do que foi ensilado, o uso de SiloSolve® AS + SilageSeal manteve mais de 90% do volume de MS disponível para o rebanho.

 

 

Figura 4. Comparação da quantidade (ton) de matéria seca ensilada e retirada entre o tratamento com SiloSolve® AS + SilageSeal e o controle

Figura 4. Comparação da quantidade (ton) de matéria seca ensilada e retirada entre o tratamento com SiloSolve® AS + SilageSeal e o controle

 

Contagem de fungos e leveduras  

A SiloSolve® AS reduziu em mais de 98% a quantidade de fungos e leveduras. Isso resultou em uma silagem mais segura, fresca e com qualidade preservada até o cocho.  

Figura 5. Quantificação total de fungos filamentosos e leveduras (ufc/g) após a abertura do silo (0 dias) e após 7 dias de exposição aeróbica

Figura 5. Quantificação total de fungos filamentosos e leveduras (ufc/g) após a abertura do silo (0 dias) e após 7 dias de exposição aeróbica 

 

Estabilidade aeróbica  

Silagem inoculada com SiloSolve® AS teve o dobro de estabilidade em comparação a silagem controle, mostrando o quanto a inoculação controla a deterioração.

 

Figura 6. Estabilidade aeróbica da silagem de milho durante 10 dias de exposição ao oxigênio de acordo com os tratamentos (64,7h vs 128,7h; p<0,001)

Figura 6. Estabilidade aeróbica da silagem de milho durante 10 dias de exposição ao oxigênio de acordo com os tratamentos (64,7h vs 128,7h; p<0,001) 

 

Conclusão  

Silagem tratada com SiloSolve® AS e vedada com SilageSeal apresentou: maior recuperação de MS, menores contagens de fungos e leveduras e maior estabilidade aeróbica.

Cada tonelada ensilada vale mais com SiloSolve® AS + SilageSeal. 

O SiloSolve® AS combina de forma sinérgica e tecnológica L. buchneri (LB1819), E. faecium (M74) e L. plantarum (CH6072). Ele tem uma alta taxa de inoculação de 150.000 ufc/g. Isso ajuda a reduzir o aquecimento e o crescimento de leveduras e fungos. Além disso, melhora a estabilidade aeróbica da silagem.  

SilageSeal é um filme de 45 micras com de poliamida protegida. Ele reduz drasticamente a passagem de oxigênio. Isso melhora a fermentação e diminui perdas e descarte de silagem.  

 

*Estudo desenvolvido pelo departamento técnico da Ourofino S.A  

Gustavo Freu

Especialista técnico – Terapêuticos e Silagem

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