Indução de lactação

28 mar 2016

Indução de lactação

A eficiência reprodutiva é um ponto crítico em rebanhos leiteiros, pois define o número de parições e, portanto, a quantidade de vacas que entrarão em lactação logo após o parto. Por outro lado, as vacas que não emprenham durante toda a lactação tendem a entrar no descarte involuntário da propriedade, mesmo muitas vezes sendo animais jovens e com excelente potencial de produção leiteira. É importante destacar que nem sempre animais que não se tornam gestantes são inférteis. Fatores como qualidade de sêmen, experiência do inseminador, manejo, ambiência, nutrição, distúrbios hormonais e obesidade, entre outros, podem levar afalhas de concepção mesmo em animais com características genéticas de alta fertilidade.

Uma possibilidade para a obtenção de uma lactação, mesmo em animais não gestantes, é a indução de lactação. Através de um protocolo hormonal que mimetiza as oscilações que ocorrem semanas antes do parto é possível estimular o desenvolvimento da glândula mamária e a produção de leite. Após o protocolo de indução, 85 a 90% das vacas entram em lactação (Freitas et al., 2010 e Mingoti et al., dados não publicados) e produzem aproximadamente 77% do que produziram na ultima lactação (Freitas et al., 2010).

Desta forma, a indução é uma excelente ferramenta para aumentar a porcentagem de vacas em lactação do rebanho e, portanto, aumentar a lucratividade da atividade. Para isso, alguns cuidados devem ser tomados. Somente vacas sadias (sem laminite, metrite, mastite, problemas respiratórios ou qualquer outro quadro de inflamação) devem receber o protocolo, que deve ser iniciado em vacas que estão há, no mínimo, 40 dias secas. Como o protocolo tem duração de 21 dias, estas vacas completarão ao menos 60 dias de período seco. Para a realização do protocolo são utilizados: benzoato de estradiol, progesterona, prostaglandina e a dexametazona.

Semelhante às vacas após a parição, as vacas de indução iniciam produzindo o colostro que deve ser descartados por pelo menos 9 ordenhas. Interessantemente, vacas após o protocolo de indução de lactação costumam apresentar boa taxa de concepção na primeira IATF realizada entre 45 e 60 dias após o início da lactação induzida.

É importante salientar que mesmo em casos de descarte das vacas por infertilidade, a obtenção de uma ou duas lactações neste animal antes do descarte permite que a sua depreciação seja diluída nessas lactações e, consequentemente, a porcentagem dos valores gastos anualmente com reposição é reduzida.

Referências:

FREITAS, P.R.C. et.al. Artificial induction of lactation in cattle. Revista Brasileira de Zootecnia, v.39, n.10, p.2268-2272, 2010.

MINGOTI, R.D. et al. Effect of Dexamethasone dose at lactation induction protocol in Holstein cows. Dados não publicados.

Roney S. Ramos

Especialista técnico em reprodução animal - Ourofino Saúde Animal

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