Garrotilho em Equinos

09 mar 2015

Garrotilho em Equinos

A adenite equina, conhecida popularmente como garrotilho, é uma doença infecciosa causada pela bactéria Streptococcus equi. A doença é transmitida pela via oral e nasal, sendo que a bactéria pode ser veiculada pelo contato direto ou indireto entre os animais.

Após a penetração em um novo hospedeiro, o S. equi é detectado nos linfonodos da cabeça poucas horas após a infecção. No interior do linfonodo o organismo se multiplica lentamente, iniciando o processo de formação dos abscessos característicos da doença. 

Os primeiros sinais clínicos são observados geralmente 7 a 12 dias após a infecção. Normalmente os animais apresentam febre, tosse, anorexia, depressão e corrimento nasal seroso e posteriormente mucopurulento. A sequência de eventos é seguida pela formação de um aumento de volume nos linfonodos da cabeça e formação de abscesso. Nestes casos, o equino pode manter o pescoço baixo e estendido, assim como relutar em deglutir água ou alimentos.

O nome popular garrotilho vem de strangles, ou estrangulamento. O equino pode encontrar dificuldades para respirar pela pressão dos linfonodos aumentados de tamanho. No curso natural da doença os linfonodos tornam-se flutuantes e fistulam para o meio externo ou interno após 7 a 14 dias do início dos sinais iniciais da doença. Após este evento a hipertermia normalmente cede e se inicia a cura clínica da enfermidade.

Tendo em mente o caráter contagioso da doença, os animais afetados devem ser imediatamente isolados para evitar a disseminação do agente infeccioso. O equino portador deve ser isolado pelo período mínimo de 4 a 5 semanas. Cuidados de desinfecção devem ser tomados também com as baias, cochos, escovas ou qualquer ferramenta que tenha entrado em contato com o animal doente.

Após o isolamento do doente, a terapia deve ser direcionada para a intensificação da maturação e drenagem dos abscessos. Este processo pode ser realizado por meio de aplicação local diária de compressas quentes e cataplasmas sobre o abscesso.  No momento apropriado, a punção da parte ventral do abscesso também pode ser realizada pelo Médico Veterinário. Após este processo, a limpeza local é realizada com iodo-povidona 3 a 5%.

Alguns equinos com o curso avançado da doença demandam tratamento antimicrobiano. Nos casos de febre, anorexia, depressão, letargia ou dispneia resultante da tumefação grave de linfonodos retrofaríngeos que não seguem o curso natural da doença o tratamento sistêmico com penicilina pode ser recomendado. O antibiótico Penfort PPU da Ourofino é indicado para estes casos. A febre pode ser controlada com fármacos antiinflamatórios como o flunixim meglumine (Desflan) e a dipirona (Finador).  

A prevenção da doença ainda continua sendo um desafio para o criador de equinos. Desta forma, o garrotilho deve ser controlado de forma estratégica, sendo que, os planos são utilizados para minimizar sua incidência e controlar o surto da infecção.

O tratamento do garrotilho deve ser realizado com medicamentos que atuam no controle da febre e da infecção.

 

 

Referências:

SCHILD, A. L. Infecção por Streptococcus equi (Garrotilho). In: CORREA, R. F.; SCHILD, A.L;  MÉNDEZ, M. D. C.; LEMOS, R. A.A. Doenças de Ruminantes e Equinos. São Paulo: Varela, 2006, p. 265-270.

SWEENEY, C. R. Infecção por Streptococcus equi (Garrotilho). In: SMITH, B. P. Medicina Interna de Grandes Animais. São Paulo: Manole, 2006, p. 504 – 507.

CORRÊA, W. M.; CORRÊA, C. N. M. Enfermidades por Bactérias. In: _______Enfermidades Infecciosas dos Mamíferos Domésticos. Rio de Janeiro: Medsi, 1992, p. 113 a 115.

 

Raquel Albernaz

Especialista Técnica Saúde Animal linha Equinos

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