01 ago 2011

Equoterapia

A Equoterapia é um método terapêutico e educacional que utiliza o cavalo dentro de uma abordagem multidisciplinar, nas áreas de saúde, educação e equitação, buscando o desenvolvimento de pessoas portadoras de deficiência e ou necessidades especiais. A Equipe de equoterapia é composta por profissionais das áreas de fisioterapia, psicologia, fonoaudiologia além de contar com um equitador e um médico veterinário responsável pelos cavalos. A prática da Equoterapia trás benefícios físicos, psíquicos, educacionais e sociais para pessoas portadoras de deficiências físicas ou mentais e necessidades especiais e para suas famílias. Para seus pacientes, a Equoterapia proporciona maior equilíbrio, agilidade e maleabilidade, fazendo com que ele realize suas tarefas diárias com maior segurança e desenvoltura. O praticante de Equoterapia desenvolve a auto-estima e alegria de viver, além de maior socialização. Imagine um paciente preso a uma cadeira de rodas, um paciente autista com todas as suas particularidades e limitações, um deficiente visual ou uma criança com déficit de atenção e hiperatividade.  O que o cavalo proporciona para eles é uma nova visão da vida, mobilidade e controle através da abertura de uma porta que permite o trabalho de todos os profissionais envolvidos nessa terapia multidisciplinar.  Sem o cavalo, o caminho da recuperação através de métodos convencionais em clínicas e hospitais seria mais longo e mais cansativo. Hoje, o cavalo, além da equitação clássica, corridas, trabalho de tração, entre outras atividades, tem grande destaque como agente de reabilitação e educação na equoterapia. Em 1917, o Hospital Universitário de Oxford fundou o primeiro grupo de Equoterapia para atender o grande número de feridos da 1ª Guerra Mundial, também com a idéia fundamental de lazer e quebra de monotonia no tratamento. Já no Brasil, a Equoterapia surgiu com a ANDE – BRASIL (Associação Brasileira de Equoterapia) em 1989, em Brasília. E, por que o cavalo? O cavalo é animal dócil, de porte e força, que se deixa montar e manusear transformando-se em um amigo. O praticante de Equoterapia cria com ele um relacionamento afetivo importante. O cavalo de Equoterapia não requer uma raça específica, é preciso apenas levar-se em conta algumas características. Entre elas, procura-se utilizar animais que não tenham medo ou ansiedade com movimentos periféricos, animais curiosos e interessados, sem vícios (morder ou coicear), tolerantes à mudança de sons, direção e cenários.  O ideal seriam animais de médio porte com altura entre 1,40 m a 1,50 m e mais de 5 anos de idade, andadura de maior angulação que proporciona maior maciez e preferencialmente machos castrados. O que primeiro se manifesta quando um ser humano está sobre o cavalo é o ajuste tônico. Na verdade, o cavalo nunca está totalmente parado. A troca de apoio das patas, o deslocamento da cabeça ao olhar para os lados, as flexões da coluna, o abaixar e alongar do pescoço, etc., impõe ao cavaleiro um ajuste de seu comportamento muscular, a fim de responder aos desequilíbrios provocados pelos movimentos do cavalo. O ajuste tônico, que é um movimento automático de adaptação, torna-se rítmico com o deslocamento do cavalo ao passo. Essa adaptação ao ritmo é uma das peças mestras da Equoterapia. Ela exige do cavaleiro contração e descontração simultâneas dos músculos associados ao deslocamento da cintura pélvica que produz vibrações, que são transmitidas ao cérebro, via medula, que reconhece os movimentos como legítimos. Isso porque cada passo completo do cavalo apresenta padrões semelhantes ao do caminhar humano. Portanto, a característica mais importante da Equoterapia é o que o passo produz no cavalo e transmite ao cavaleiro: uma série de movimentos sequenciados e simultâneos que têm como resultante um movimento tridimensional que se traduz, no plano vertical, em um movimento para cima e para baixo; no plano horizontal, em um movimento para a direita e para a esquerda, segundo o eixo transversal do cavalo; e um movimento para frente e para trás, segundo seu eixo longitudinal. O efeito do movimento tridimensional do dorso do cavalo, somado aos multidirecionais, determina uma ação produzida pelo movimento do cavalo e o ritmo de seu passo o que torna o cavalo um instrumento cinesioterapêutico. Deve-se ter sempre em mente que é fundamental que o terapeuta, seja psicólogo, fonoaudiólogo ou fisioterapeuta, conheça a patologia em causa, conheça o cavalo, as técnicas específicas a serem empregadas nas áreas de saúde, educação e equitação, e entenda primordialmente as necessidades do praticante tanto em seu sofrimento como em seu prazer. Dentre todos os benefícios físicos e psicossociais a maior transformação acontece quando se devolve a uma pessoa não só sua autonomia física, mas sua independência, auto-estima e autoconfiança, a vontade de dar o melhor de si, conferindo a ela o respeito, a dignidade e o amor que todo o ser humano merece.

Fonte: Documento ANDE-Brasil - 2002

Rosana Zeppelini Nascimento

Cientista Social e Equoterapeuta

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