28 mar 2011

Doenças transmitidas por carrapatos: Babesiose Canina

A Babesiose é uma doença causada por um gênero de protozoários denominado Babesia spp que parasita as hemácias (eritrócitos), por este motivo é denominado de hematozoário. Babesia spp. parasitam vários animais domésticos tais como equinos, bovinos e caninos. Existem várias subespécies de Babesia que acometem os cães como a Babesia canis, Babesia gibsoni e Babesia vogeli. No Brasil, a espécie mais comum é a B. canis. Os vetores da Babesiose canina são os carrapatos pertencentes à família Ixodidae sendo os principais responsáveis pela transmissão os carrapatos Rhipicephalussanguineus conhecidos como “carrapato marrom” ou “carrapato vermelho”. Outros gêneros de carrapatos também podem ser vetores da Babesia spp sendo eles Dermacentor spp, Hamaphysalis leachi e Hyalomma plumbeum. A transmissão dá-se através da saliva dos carrapatos infectados no momento em que os mesmos realizam repasto sanguíneo nos cães. A presença dos parasitas na circulação do hospedeiro vertebrado ocorre um a dois dias após a inoculação tendo uma duração que varia de dez a quatorze dias. Os protozoários se aderem à membrana das hemácias e, por endocitose, penetram no interior das mesmas. No interior dos eritrócitos os parasitas se dividem por fissão binária formando dois ou quatro indivíduos, após essa divisão há rompimento das células e os parasitas são liberados indo parasitar novas células. Podemos observar nos animais diversos tipos de infecções, a saber: subclínicas, superagudas (hiperagudas), agudas, crônicas ou atípicas. É importante ressaltar que a gravidade da doença varia de acordo com fatores como espécie do agente (cepa), idade, raça e estado imune do cão. Comumente achamos sinais clínicos como anemia, hemoglobinúria febre e icterícia. Também podemos observar letargia, anorexia e esplenomegalia. Animais que habitam em áreas onde o parasita encontra-se amplamente distribuído (áreas endêmicas), é comum observarmos uma infecção do tipo subclínica onde os sinais são mais brandos com febre, apatia e melhora clínica subsequente; estes cães passam a ser portadores da infecção, constituindo importante reservatório e fonte de infecção para outros animais. A infecção do tipo hiperaguda acomete principalmente neonatos e filhotes que apresentam resposta imune deficiente e comumente são causados por cepas mais virulentas. Filhotes acometidos apresentam anemia hemolítica regenerativa além de febre, icterícia e hemoglobinúria. A forma aguda da enfermidade é caracterizada também por febre e icterícia, entretanto, podemos observar mucosas pálidas (hipocoradas), depressão, anorexia, anemia hemolítica, trombocitopenia, hemoglobinúria, bilirrubinúria e bilirrubinemia. Durante as fases agudas da infecção é possível detectar a parasitemia através de esfregaço sanguíneo, onde observarmos os parasitas no interior das hemácias. Na forma crônica, os cães infectados apresentam as seguintes manifestações clínicas: anorexia, febre intermitente, definhamento, fraqueza, esplenomegalia, hemoglobinúria e icterícia. Nas infecções atípicas, uma variedade muito grande de sinais clínicos aparece como, por exemplo, sinais gastrintestinais, sinais do SNC e sinais músculo-esqueléticos. O diagnóstico da doença é baseado na história clínica (presença de carrapatos) e nos sinais clínicos. A confirmação do diagnóstico é feita através da avaliação microscópica de esfregaço sanguíneo onde se observa a presença dos protozoários no interior das hemácias infectadas. Através de avaliação microscópica de esfregaço sanguíneo só é possível detectar os parasitas em animais que estejam na fase aguda da infecção, pois em animais em fase crônica da doença ou aqueles que são apenas portadores poucos organismos estão no interior das células. Testes sorológicos podem ser utilizados como forma de diagnóstico, a reação de imunofluorescência indireta é utilizada para determinação os anticorpos contra Babesia spp, no entanto esse método não pode ser utilizado para realização de diagnóstico definitivo uma vez que há animais que podem ser soropositivos, mas clinicamente normais. Para o estabelecimento da conduta terapêutica a ser prescrita é interessante que a espécie do parasita seja identificada, para este fim os teste sorológicos não são indicados, portanto os mesmos não devem ser utilizados como formas de diagnósticos definitivos.  O emprego de técnicas de biologia molecular como a reação em cadeia da polimerase (PCR) são importantes na identificação de animais portadores crônicos da doença. A combinação de PCR e analise da genética aumenta a informação a respeito das cepas envolvidas na infecção. O tratamento é baseado no controle do parasita, na moderação da resposta imune e tratamento dos sintomas. Quando comparada a B. canis, sabe-se que a B. gibsoni apresenta menor resposta a terapia. Várias drogas denominadas babesicidas são efetivas sendo eles: sulfato de quinurônio, aceturato de diminazeno, imicarbalida, isetionato de fenamidina e diproprionato de imidocarb. Os mais indicados são o aceturato de diminazeno e o diproprionato de imidocarb. A babesiose é uma zoonose transmitida aos humanos também por carrapatos. O primeiro registro da doença em humanos no Brasil foi no estado de Pernambuco. A maioria das infecções é branda ou assintomática. O quadro pode apresentar-se grave em pacientes esplenectomizados e em paciente com HIV.  Por Mariana Diniz, Médica Veterinária e Assistente Técnica da Ourofino Saúde Animal.

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