Artigos - Salmonelose em suinocultura

01 jun 2015

Salmonelose em suinocultura

A suinocultura a cada ano ganha mais destaque no cenário da agropecuária brasileira. Atualmente o Brasil é o quarto maior produtor mundial de carne suína (ABIPECS, 2013), com previsão de expansão de 21,6% para 2023. Para alcançar essas metas e suprir a demanda, os criadores de suínos buscam modernização e intensificação da criação, fatores que levam à maior densidade de alojamento, o que se torna prejudicial à sanidade do rebanho. As doenças entéricas são, frequentemente, identificadas na produção de suínos (Moreira, 2010). Com inúmeros agentes etiológicos a Salmonella spp, se destaca, apresentando alta prevalência no sistema digestório dos suínos. Kich (2005) visitou 65 granjas, uma semana antes do abate, nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul e constatou 98,5% de Elisa positivo para salmonelose. Atualmente a salmonelose tem sido um dos grandes vilões da produção de suínos nos últimos tempos.

O gênero salmonela pertence à família Enterobacteriaceae, sendo composta por bacilos gram-negativos não esporulantes, intracelulares facultativos e geralmente móveis, com flagelos. Os suínos podem ser infectados por uma grande variedade de espécies e sorotipos de importância na saúde humana. Entretanto, os de maior prejuízo clínico para os suínos são a Salmonella choleraesuis e a Salmonella thyphimurium (EKPERIGIN & NAGARAJA, 1998; MURRAY, 2000). Os fatores de virulência da salmonela estão relacionados à adesão, invasão, citotoxicidade, resistência a fagócitos e a combinação destes. A doença pode variar de manifestações brandas e sem sinais clínicos à enterite aguda ou crônica que, em casos mais graves, pode levar a quadros de septicemia. A severidade do caso varia de acordo com a virulência da cepa infectante e o estado imunológico do leitão. Percebe-se que os surtos ocorrem, principalmente, em casos de animais debilitados e em situações de estresse, geralmente com idade em média de cinco semanas a dezesseis semanas. Em leitões neonatos este quadro é incomum, pelo fato de serem protegidos pela imunidade passiva via colostro.

O principal sinal clínico da salmonelose é a diarreia. Isto ocorre porque conforme as bactérias se multiplicam no intestino do animal elas geram quadros isquêmicos locais, levando a uma inflamação e necrose da mucosa intestinal. Em consequência, o organismo buscando compensar a má absorção, aumenta a permeabilidade intestinal, fazendo com que mais água e nutrientes cheguem à luz do órgão, ocorrendo assim, a diarreia.

A salmonelose em suínos é responsável por elevar os custos da produção por conta da necessidade de utilização de antibióticos e do aumento de mortalidade, em especial nos animais mais jovens. Além disso, possui grande importância em saúde pública, sendo responsável por surtos de infecções e toxinfecções alimentares. Dentro deste contexto o suíno tem um papel importante na epidemiologia da doença em humanos, pois atuam como reservatórios deste agente, causando preocupação quanto à prevenção e ao controle deste agente em granjas. Muito se investe no esclarecimento da epidemiologia deste processo. Trata-se de um tema de grande complexidade e que deve ser elucidado até que seja possível estabelecer um programa realmente eficiente para o controle de infecção (Weiss, 2002).

A principal forma de infecção é fecal-oral, em que a bactéria pode alojar-se nos linfonodos e ser excretada quando o animal for submetido a quadros de estresse, como no transporte e/ou reagrupamento. A infecção por salmonela apresenta uma grande capacidade de disseminação por meio da cadeia produtiva, já que animais portadores podem contaminar lotes inteiros (Kich et al., 2008). Em geral, os fatores predisponentes para a contaminação são: falhas no sistema de biosseguridade, incluindo os manejos de limpeza, desinfecção e a presença de animais portadores e excretores. Além disso, é importante realizar o controle de roedores e outros veiculadores, como insetos e aves. Fatores estressantes como, transporte, reagrupamento, superlotação, desafio calórico, pré-parto e outros fatores imunossupressores, apresentam importância na epidemiologia da doença.

Animais portadores de salmonela podem infectar superficialmente a carcaça e subprodutos da carne suína (Nauta, 2013). Isto porque o estresse do transporte e do manejo pré-abate desencadeiam a excreção da bactéria, ocasionando a transmissão horizontal entre os animais nos caminhões e nas baias de espera. Assim, transmissão entre lotes pode ocorrer, quando há ineficiência nos processos de limpeza e desinfecção, permitindo que a bactéria permaneça na baia e infecte um novo grupo de animais.

Quando se trata de salmonela, é importante partir do princípio de que o melhor tratamento é a prevenção. Desta forma, evitam-se prejuízos provenientes da doença, além do risco à saúde humana. Neste contexto, a limpeza bem feita e a desinfecção com o uso do Glutaquat (1:1000L ou 1:1500 L), desinfetante a base de Glutaraldeído e amônia quaternária, é fundamental para a reduzirmos a pressão de infecção. Ainda pensando em prevenção e ou tratamento, temos, em nosso portfólio, antimicrobianos que podem ser utilizados em grupos de leitões via ração ou via água. O Neomin S® é uma das melhores opções. Já para o tratamento individual, injetável, o Lactofur é o produto de eleição para quadros de salmonelose e possíveis quadros de septicemia causados em quadros graves de salmonelose. Entretanto, é indispensável o acompanhamento e a orientação de um Médico Veterinário para a escolha dos melhores programas de prevenção e tratamento.


Figura 1. Soluções Ourofino para salmonelose em suinocultura. 

 

Referências:

ABIPECS – Relatório Anual 2013. Disponível em: http://www.abipecs.org.br/pt/relatorios.html. Acesso em: 20 ago. 2014.

EKPERIGIN, H.E.; NAGAJARA, K.V. Salmonella. In: VASSALO, J. (Ed.). The veterinary clinics of North America: Food animal pratice. Philadelphia: W.B. Saunders, v. 14, n. 1, p. 17-29, 1998.

KICH, J. D., et al. Fatores associados à soroprevalência de Salmonella em rebanhos comerciais de suínos. Ciência Rural, Santa Maria, v.35, n.2, p.398-405, mar-abr, 2005.

KICH, J. D., et al. Aspectos epidemiológicos da contaminação por Salmonella em suínos no Brasil. Disponível em:http://file.aviculturaindustrial.com.br/Material/0408Embrapa_SI.pdf. Acesso em: 21 ago. 2014.

MOREIRA, E. C. Importância do controle da sanidade animal sobre produtos de origem animal. Disponível em:http://www.simcorte.com/index/Palestras/s_simcorte/10_elvio.PDF. Acesso em: 21 ago. 2014.

MURRAY, P. R. et al. Microbiologia Médica. Terceira edição, Guanabara Koogan, 2000.

NAUTA, M. Prediction of Salmonella carcass contamination by a comparative quantitative analysis of E. coli and Salmonella during pig slaughter. International Journal of Food Microbiology, v.166, n.2, p.231–237, 2013.

WEISS, L.H.N. et al. Ocorrência de Salmonella sp em suínos de terminação no Rio Grande do Sul. Pesq. Vet. Bras., v. 2, n. 3, p. 104-108, 2002.

 

Juliana Guerra Pinheiro e Andrea Panzardi

Departamento Técnico Ourofino - Aves & Suínos

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