Artigos - Importância do preparo das fêmeas para a estação de monta

23 jul 2024

Importância do preparo das fêmeas para a estação de monta

O sucesso da estação de monta depende significativamente da preparação adequada das fêmeas para alcançar uma boa eficiência reprodutiva. Neste sentido, a indução de ciclicidade em novilhas é de extrema importância para acelerar a reprodução dos animais e melhorar a produtividade. O objetivo da técnica é estimular o início dos ciclos estrais nas novilhas que ainda não atingiram a maturidade sexual, permitindo que elas entrem mais cedo em reprodução.  

Os protocolos de indução de ciclicidade consistem na exposição das fêmeas aos hormônios esteroides Progesterona e Estradiol. Os protocolos mais antigos consistiam na inserção do dispositivo intravaginal de progesterona previamente utilizado, o qual era mantido por 12 dias. No momento da retirada do dispositivo, uma dose de cipionato de estradiol era aplicada e após 12 dias, iniciava-se o protocolo de IATF. 

Entretanto, a substituição do dispositivo intravaginal por uma aplicação de progesterona injetável de longa ação (Sincrogest Injetável®), detém a mesma eficiência, com a vantagem de reduzir a incidência de vaginite e deixar o protocolo muito mais simples e prático. Além da fonte de progesterona, outra dúvida frequente é quanto a utilização ou não do cipionato de estradiol, 12 dias após o início do protocolo de indução.

Neste caso, é preciso considerar os desafios destas fêmeas, quanto à idade e peso dos animais. Gricio et al., 2023, ao avaliarem o efeito da aplicação do cipionato de estradiol, 12 dias após a aplicação do Sincrogest injetável®, em 638 novilhas da raça Nelore, com idade entre 10 e 13 meses, observaram uma maior taxa de prenhez aos 30 e 60 dias, quando comparado ao grupo que só recebeu uma aplicação do Sincrogest injetável®, 24 dias antes de iniciar o protocolo.  

Figura 1. Taxa de prenhez aos 30 e 60 dias e perda gestacional em novilhas da raça Nelore, submetidas à indução de ciclicidade com o Sincrogest injetável® (P4 injetável; D-24) ou com Sincrogest injetável®associado à aplicação do SincroCP® (P4 injetável + CE; sendo a aplicação do Sincrogest no D-24 e do SincroCP no D-12). 

Taxa de prenhez e perda gestacional 

A Ourofino, com o compromisso de reimaginar a saúde animal, segue investindo em pesquisas e neste ano mais um estudo foi realizado, com o objetivo de avaliar a eficiência do protocolo de indução de ciclicidade utilizando diferentes fontes de progesterona (dispositivo intravaginal reutilizado ou Sincrogest injetável®) 24 dias (D-24) com ou sem o SincroCP®, 12 dias (D-12) antes do protocolo de IATF. Foram utilizadas 626 novilhas Nelore, com idade entre 14 e 24 meses, peso corporal (312,1±1,04 kg) e escore de condição corporal (3,14±0,01).  

 

Figura 2. Delineamento experimental utilizado para comparar a eficiência do protocolo de indução de ciclicidade com o dispositivo ou com o Sincrogest injetável®; e com ou sem o cipionato de estradiol (SincroCP®). Delineamento experimental utilizado para comparar a eficiência do protocolo de indução de ciclicidade com o dispositivo ou com o Sincrogest injetável®; e com ou sem o cipionato de estradiol (SincroCP®). 

Não houve interação entre os grupos P4 e CE para nenhuma variável, portanto, os dados são apresentados por fatores principais. A taxa de prenhez não diferiu entre os tratamentos com fonte de P4 [Dispositivo=43,1% (142/307) vs. Sincrogest injetável=47,9% (137/318)] e nem entre os tratamentos com CE [Sem-SincroCP=42,1% (147/312) vs. Com-SincroCP= 42,2% (132/313); P= 0,23]. 

Taxa de prenhez 

A antecipação da puberdade por meio dos protocolos de indução de ciclicidade é uma importante estratégia para aumentar a produtividade e lucratividade nos sistemas de cria. Com isso, é possível concluir que o protocolo utilizando o Sincrogest Injetável®é eficaz para indução de ciclicidade em novilhas, podendo este ser associado ou não ao SincroCP®

Além da indução de ciclicidade, outro aspecto que precisa ser considerado é sanidade dos animais. As doenças reprodutivas comprometem a fertilidade e o desempenho produtivo dos animais, causando um grande impacto econômico para as propriedades. Os problemas reprodutivos consistem em: baixa taxa de prenhez, morte embrionária precoce e tardia, abortos, e nascimentos de bezerros prematuros, fracos ou natimortos. 

São várias as doenças reprodutivas, entretanto, as principais devido a prevalência e a possibilidade de controle são: Rinotraqueíte Infecciosa Bovina (IBR), Diarreia Viral Bovina (BVD) e a Leptospirose. 

IBR é uma doença viral, altamente contagiosa, causada por um Hespesvírus Bovino tipo 1 (BoHV-1). O vírus pode permanecer em estado de latência por longo período, principalmente nos gânglios nervosos. Dessa forma, o animal infectado permanece portador do vírus por toda a vida.   

  • Sinais Clínicos: febre; tosse; depressão; perda de apetite; lesões de mucosa; vulvovaginite pustular infecciosa; descarga nasal; conjuntivite; queda na produção de leite; infertilidade; aborto. 
  • Prevenção: O controle consiste na vacinação e nas boas práticas de manejo, prezando pelo bem-estar animal.  

BVD é uma doença produtiva, imunossupressora, provocada por um Pestivirus que possui dois genótipos diferentes. Quando a fêmea se contamina de 40 a 120 dias de gestação, formam-se os animais persistentemente infectados (PI), ou imunotolerantes. Na maioria das vezes a gestação é interrompida, mas 1 a 2% dos casos os fetos sobrevivem. O PI é a principal fonte de transmissão no rebanho, sendo responsáveis pela manutenção do vírus dentro das fazendas. 

  • Sinais Clínicos: febre, infertilidade, abortos, má formação do feto, diarreia, erosões bucais, óbito. 
  • Prevenção: Duas estratégias devem ser realizadas: se concentrar na remoção dos animais persistentemente infectados e na vacinação do rebanho. 

Leptospirose é uma doença causada por bactérias do gênero Leptospira, a doença é endêmica e altamente prevalente. Também possui potencial zoonótico. 

  • Sinais Clínicos: Abortos, retenção de placenta, alterações congênitas, nascimento de bezerros fracos, redução na produção de leite e infertilidade. 
  • Prevenção: a prevenção envolve a vacinação, o controle de roedores e vetores, a manutenção de uma boa higiene nas instalações e a realização de quarentena para animais recém-introduzidos no rebanho. 

Quanto ao calendário vacinal, é importante que os produtores consultem um veterinário para determinar a melhor estratégia, de acordo com a realidade do rebanho. Para isso, é necessário levar em consideração as condições locais, o histórico de doenças e o estado imune dos animais.

Associar o manejo da indução de ciclicidade no D-24 para fazer a vacina reprodutiva é uma estratégia muito interessante. Neste momento podemos fazer o reforço anual nas fêmeas que foram vacinadas ao maternal ou fazer a primeira dose da vacina nos primovacinados, fazendo a segunda dose no dia zero (D0) do protocolo de IATF.  

Visto isso, a Ourofino Saúde Animal traz a solução ideal para reduzir as perdas gestacionais e aumentar a eficiência reprodutiva do rebanho. Supravac 10® é uma vacina completa, inativada, que previne contra as principais doenças reprodutivas e respiratórias dos bovinos.  

O uso do Sincrogest injetável® com a vacina Supravac 10® é uma estratégia integrada e eficaz para maximizar a eficiência reprodutiva e a saúde do rebanho. 

 

Igor Garcia Motta

Especialista Técnico – Linha Reprodução

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