Artigos - Pneumonia Bovina

22 set 2014

Pneumonia Bovina

A fase de cria dos bezerros é uma das mais importantes na vida do animal e durante tal fase as doenças respiratórias se apresentam com importância relevante pela alta morbidade, e significativa mortalidade. O impacto econômico desta enfermidade é significativo, pois as lesões pulmonares interferem de maneira negativa e direta em seu desenvolvimento. A instalação do problema se dá geralmente em períodos de queda de imunidade, devido ao estresse, o qual pode ser consequência de manejos como desmame e entrada dos animais no confinamento.

A doença é causada por uma diversidade de microrganismos, como por exemplo, vírus, bactérias ou vermes, sendo que em alguns casos ocorre a associação de vários agentes. As principais pneumonias são, broncopneumonia, pneumonia intersticial e pneumonia verminótica.

Broncopneumonia: responsável por 80% dos casos (ANDREWS et al., 1992; REBHUN, 2000) e segundo Barros (1965/66) no Brasil afeta 12,7% dos bezerros criados em regime extensivo. Caracteriza-se por alterações inflamatórias dos brônquios, devido a invasão de microrganismos patogênicos que penetram nos pulmões, transportados pelo ar, por isso é muito importante isolar os animais afetados. Sendo uma doença multifatorial decorrente, principalmente, da combinação ativa de agentes infecciosos associados ao comprometimento da defesa do animal e às condições ambientais.

Pneumonia intersticial: é caracterizada pela inflamação do parênquima pulmonar de natureza não infecciosa resultante da ingestão ou inalação de toxinas ou alergenos podendo ter como consequência de uma broncopneumonia.

Pneumonia verminótica: é a inflamação com infecção dos pulmões, causada por um parasito que pode provocar lesões provisórias ou permanentes, dependendo da gravidade, normalmente associado ao parasita do gênero Dictyocaulus sp.

Dentre os fatores que favorecem a ocorrência das pneumonias estão: a falha na ingestão do colostro, tanto em quantidade ou qualidade insuficiente e concentração elevada de microrganismos no ambiente, associado a fatores estressantes, como a superlotação, mistura de animais de idades variadas, variação de temperatura significativa, umidade ambiental elevada, ventilação insuficiente, alimentação inadequadas/insuficientes ou mudanças bruscas na dieta, elevadas cargas parasitárias, transportes e desmame.

Os sinais clínicos em geral são bem semelhantes e dependentes da evolução da doença, principalmente se houve contaminação bacteriana secundária, caracteriza-se por depressão e anorexia de suave a grave, temperatura corporal elevada, podendo chegar 40-41°C , secreções lacrimais e nasais variando de serosas a mucopurulentas, ruídos respiratórios anormais, tosse e alterações na frequência respiratória, podendo resultar em falta de ar, chegando a respirar pela boca, os animais mantem a cabeça baixa e estendida se mostrando deprimidos e movimentos lentos, odor na respiração pode ser fétido devido ao acúmulo de pus nas vias aéreas, alguns casos podem ser  acompanhados de diarreia.

O diagnóstico é feito a partir do histórico da propriedade, anamnese, sinais clínicos e de realização de exames laboratoriais.

Vacinações regulares no rebanho, principalmente em vacas secas, auxiliam no aumento dos níveis de anticorpos específico nos bezerros, melhorando sua condições de resposta à possíveis agressões. Outra estratégia possível é a vacinação dos próprios bezerros, que vai ser dependente da idade e condições individuais. Deve-se ressaltar ainda a dependência direta do colostro, tanto em quantidade como também em qualidade.

O tratamento da pneumonia varia de acordo com o agente causador da doença. Em quadros de pneumonia viral, não existe tratamento eficaz, por isso o indicado é realizar a prevenção através da vacinação, o uso de antibióticos nestes casos, visa prevenir ou tratar infecções secundárias causadas por bactérias. Nos casos mais comuns de pneumonias, as bacterianas, o tratamento consiste na administração de antibióticos de amplo espectro, sendo os mais eficazes as penicilinas (Penfort PPU), as tetraciclinas (Ourotetra Plus LA), as sulfonamidas (Trissulfin) e as quinolonas (Norflomax), dependo na sensibilidade dos agentes envolvidos. Já os casos de pneumonia parasitária indica-se o uso de sulfóxido de albendazole (Ricoalbendazole 10) ou ivermectina (Ivermectina OF) se fazem necessários. Em todos os quadros independente da gravidade dos casos deve-se realizar o tratamento suporte com soros (Fortemil), antipiréticos (Finador) e anti-inflamatórios (Cortiflan). É importante sempre consultar um médico veterinário para que ele indique o melhor tratamento para cada caso.

 

Bibliografia:

CARDOSO, M.V.; SFORSIN, A.J.; SCARCELLI, E. et al. Importância do diagnóstico diferencial em um surto de pneumonia enzoótica bovina.Arq. Inst. Biol., São Paulo, v.69, n.3, p.111-113, jul./set., 2002.

FARSHID, M.; SHAHRIAR, E.G.; et al. Coinfection with bovine viral diarrhea virus and Mycoplasma bovis in feedlot cattle with chronic pneumonia. Can. Vet. J., v.43, p.863–868, 2002.

GRIFFIN D.1985GONÇALVES, R.C.; ROCHA A.E.A.; et al. Influência da suplementação de vitamina e na profilaxia e tratamento da broncopneumonia moderada e grave em bezerros. Pesq. Vet. Bras. v.31, n.2, p.127-135, 2011.

CORREA, F. R.; et al. Doenças de Ruminantes e Equinos. Mato Grosso do Sul, Campo Grande: Varela Editora e Livraria LTDA, v.1, 2ed., 426p., 2001.

Mariana Taveira Nascimento

Discente Medicina Veterinária FAFRAM

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