Artigos - Meu cão está com carrapatos, e agora?

18 jun 2014

Meu cão está com carrapatos, e agora?

Carrapatos além de acabarem com o sossego do cão acabam também com a paz de seus donos. Eles são aracnídeos, parentes das aranhas e escorpiões, e somente se alimentam do sangue de suas “vitimas”. As fêmeas chegam a triplicar o seu tamanho devido à alimentação.

Essas “pequenas pragas” são parasitas, ou seja, para viverem e se reproduzirem dependem de outro ser vivo. Rhipicephalus sanguineus é o nome científico do carrapato vermelho do cão parasita originário da África que geralmente assombra nossos amigos de quatro patas. Acidentalmente esse tipo de carrapato pode infestar os seres humanos também.

O ciclo de vida do carrapato possui três estágios: larvas, ninfas e adultos. Diferente do que parece, os carrapatos não permanecem todo tempo fixados ao animal. Para colocar seus ovos e fazerem as mudas eles deixam o cão e vão para o ambiente. É uma cena muito comum observar carrapatos subindo pelas paredes ou para as pontas de gramas e plantas. Esta situação acontece porque o carrapato possui geotropismo negativo, isso quer dizer que, ao deixarem o cão, preferem se abrigar em locais mais altos. Devido a esse hábito de escalar é engano pensar que morar em prédios torna esses ambientes livres do ataque destes parasitas, o lugar que eles menos frequentam é o chão.

Os carrapatos não podem pular ou cair sobre um cão, para perceber a presença de uma vítima, ele utiliza um órgão sensorial conhecido como Órgão de Haller localizado em suas patas dianteiras, através de estímulos químicos e térmicos este órgão informa ao carrapato sobre a aproximação de um hospedeiro, no caso um cão.  Desta maneira ao menor contato físico os carrapatos se agarram ao hospedeiro e se locomovem buscando locais para alimentarem-se.

Geralmente os carrapatos aumentam sua população em locais com altas temperaturas e umidade elevada. No Brasil devido ao clima sua ocorrência é comum em todas as épocas do ano.

Além de causarem transtornos e desconforto, transmitem diversos tipos de perigosas doenças que podem ser fatais para os cães como, por exemplo, a babesiose e a erliquiose. Essas duas doenças vulgarmente denominadas “doenças do carrapato” são causadas por bactérias transmitidas durante a alimentação dos carrapatos nos cães. As duas doenças atacam células sanguíneas do cão sendo que a erliquiose afeta os glóbulos brancos e a babesiose os glóbulos vermelhos. Fique sempre atento para sinais como febre, falta de apetite e gengivas pálidas. Vá rápido ao veterinário para que ele possa examinar seu cão e evitar possíveis doenças decorrentes da infestação por carrapatos.

Para evitar a convivência com esses parasitas é necessário fazer o controle da infestação no cão e também no ambiente. Atualmente existem no mercado diversos produtos eficientes destinados a acabar de vez com os carrapatos nos animais. Estes são comercializados na forma de coleiras, soluções para banho, spray e pipetas que devem ser aplicadas no dorso do animal (região da nuca geralmente). Os produtos comercializados na forma de pipeta em sua maioria são formulados com o fipronil, uma molécula com boa atividade carrapaticida, como por exemplo, o NEOPet. Quando a infestação é grande provavelmente serão necessárias sucessivas aplicações para eliminar todos os carrapatos. Sempre é preciso ter cuidado na escolha do produto a ser utilizado, uma conversa com um médico veterinário de confiança sempre ajuda nesta questão.

É indispensável o uso de produtos carrapaticidas no ambiente onde vive o cão, principalmente nos locais onde essas pragas costumam se esconder, como casinhas, paredes, muros, portões com atenção especial a qualquer fresta que houver no local e que podem abrigar um grande número de carrapatos em diversos estágios do seu ciclo de vida. As camas, cobertores e acessórios devem ser bem lavados para eliminar qualquer carrapato que esteja ali alojado. É sempre necessário retirar o animal do ambiente para a aplicação destes produtos que na maioria das vezes são tóxicos. Se a infestação for maciça será necessário a aplicação de carrapaticidas ambientais toda semana ou a cada quinze dias até sua eliminação total.

 

Fiquem ligados, nosso próximo conteúdo será a respeito de uma enfermidade que acomete os bichanos: A Leucemia Felina.

Mariana Castelhano Diniz

Médica Veterinária e Analista Técnica Ourofino Saúde Animal (unidade Pet)

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