Artigos - Manejo em Bandas

27 abr 2015

Manejo em Bandas

O Brasil se destaca mundialmente na produção de proteína animal, alcançando as marcas de 4° maior produtor de carne suína com uma produção de 3.370 mil toneladas em 2013 (ABIPECS, 2013). Essa expansão na suinocultura é reflexo da grande demanda de alimentos no intuito de atender às necessidades da população, resultado esse, diretamente ligado à redução de custo de produção e melhoria da qualidade do produto, fazendo-se necessária a intensificação e novas formas de manejo.

A organização da produção pode ser realizada através de duas maneiras, “operação contínua” ou “manejo em bandas/fluxograma”. A operação contínua é quando as fêmeas são manejadas à medida que apresentam cio, sem nenhum tipo de indução. Neste tipo de gestão, não é possível o planejamento das atividades, como disponibilização de funcionários, serviços, desmame, entre outros. Já o manejo em bandas ou fluxograma, consiste em atividades de programação a partir de formação de grupos de igual número de animais e com intervalos de tempo regulares, sendo uma ferramenta muito interessante para obtenção da máxima rentabilidade à exploração.

Mas afinal, o que é o manejo em bandas? Banda é um grupo de animais que estão no mesmo estágio fisiológico (mesma fase de produção) e que se movem juntos no estabelecimento com o ritmo de produção determinado, ou seja, é a divisão do plantel de matrizes/leitões em vários grupos com fases fisiológicas semelhantes, compostos de um mesmo número de animais, que serão distribuídos em diferentes instalações da granja. É importante ressaltar que o fluxograma é aplicável a qualquer tipo de produção, independente se é confinado ou a campo, ou seja, não há necessidade de ótimos parâmetros de produção para aplicar este tipo de gestão, pois a finalidade é justamente conseguir uma melhoria nas taxas de exploração, além de otimizar mão-de-obra.

Para a execução deste fluxograma é fundamental ter conhecimento de três elementos básicos: a área em que a fazenda está dividida, a circulação de animais e as taxas de produção. Com essas informações e alguns cálculos matemáticos é possível obter um projeto de gestão em bandas (o número de bandas por estabelecimento é obtido através da divisão do ciclo reprodutivo e o ritmo de produção. O número de matrizes por banda é o resultado da divisão do número total de fêmeas dividido pelo número de bandas).

Atualmente as granjas de suínos estão aderindo a esse manejo, em vista à sua eficácia. Além de aumento da eficiência e otimização no trabalho há outras vantagens, como na parte sanitária/controle profilático. Por ter grupos de animais de mesma idade e/ou fase produtiva é possível aplicar medidas (tratamentos, vacinas, ectoparasiticidas, endectocidas, etc.) de forma eficaz em todos os animais e implantar o sistema "all in all out - todos dentro todos fora", necessário para realização de uma limpeza e desinfecção adequados, a fim de reduzir a pressão de infecção, impedindo a propagação de doenças para a próxima banda (reduz as contaminações entre animais de diferentes idades).

Neste tipo de manejo há também uma maior garantia de ganho de  peso dos animais devido à alimentação específica para a categoria, na quantidade adequada. O custo de transporte é reduzido (pois não há necessidade de mover um pequeno número de animais) e na parte reprodutiva, há um melhor controle de cio/estro, melhor uso da inseminação artificial, manejos de sincronização e melhor previsão na reposição de reprodutores. Aderindo o manejo em bandas, os intervalos de tempo serão regulares (semanalmente ou de três em três semanas) e a circulação de animais no interior da granja é programada (Figura 1).

Figura 1. Circulação de animais no interior da suinocultura. 1. As matrizes prenhes, uma semana antes do parto são transferidas para instalações de maternidade. 2. Após desmamar os leitões, as matrizes voltam para os galpões de gestação para iniciar um novo ciclo de produção. 3. Os leitões desmamados são transferidos para instalações de creche. 4. Após atingir uma idade pré-estabelecida (aproximadamente 63 dias de vida) vão para instalações de engorda, também denominado terminação, onde permanecerá até atingirem o peso de abate.

Para formar os lotes homogêneos é preciso verificar a situação de todas as fêmeas e planejar as interferências que serão realizadas. O manejo de indução ao parto é uma ferramenta muito útil e tem como intuito induzir e sincronizar os partos para determinados dias da semana ou horas do dia, facilitando a assistência e o “fechamento” da sala de maternidade. Assim sendo, a Ourofino Saúde Animal desenvolveu o Sincrocio®, tecnologia essencial para a lucratividade. A ação do Sincrocio® (Cloprostenol sódico) é a de mimetizar a ação dos corticosteroides secretados pelos leitões no momento em que eles estão aptos/maduros para desencadearem o processo do parto. De forma exógena estamos “forçando” a expulsão dos fetos de dentro do útero da fêmea. A administração do produto é por via intramuscular, em dose única de 0,7 ml um dia antes da data prevista para o parto (o ideal é fazer uma estimativa individual de cada fêmea, para isso deve-se fazer a média de duração das 3 primeiras gestações, e então terá uma média, e assim, a data mais apropriada para realizar a indução. No caso de primíparas (leitoas/marrãs) bem como secundíparas, é interessante estimar o início do período gestacional através da data da 1ª inseminação artificial (IA), e então realizar a indução aos 115 dias de gestação. Apesar da indução ser uma ferramenta muito vantajosa, deve ser utilizada da melhor maneira possível com a supervisão de um Médico Veterinário.

Além de exigir excelência em resultados, a suinocultura necessita constante criatividade e adequação de técnicas no objetivo de maximizar a rentabilidade á exploração, visto que é uma atividade de grande desafio econômico. Por isso, o manejo em bandas é uma ferramenta fundamental e eficaz, se bem utilizada. 

 

Exercício prático

Número de matrizes = 350 (variável)

Ciclo Reprodutivo

Duração gestação: 114 dias

Duração lactação: 28 dias (usual)

Intervalo taxa de serviço: 5 dias

Ritmo produção: cada 3 semanas (variável)

Vazio sanitário: 4 dias (ideal)

Duração total do ciclo reprodutivo: 147 dias (variável)
 

1º Passo:


*Ciclo reprodutivo = duração gestação + duração lactação + Taxa de serviço.

Obs.: Para cálculo do n°de matrizes, deve ser considerada a taxa de prenhez de 88% (de 56 fêmeas inseminadas, 50 permanecem prenhes).

2º Passo:

*Tempo de ocupação em dias = Duração da lactação + Taxa de serviço + Vazio sanitário.

Obs.: Como cada 3 semanas entra uma banda de matrizes em uma sala e permanecem ali 5 semanas, se necessitam das salas de maternidade de 5 baias de parição cada uma.

3º Passo:

4º Passo:

 

 

Referências:

ABIPECS 2012 – Associação Brasileira da indústria produtora e exportadora da carne suína – relatório 2012 – disponível em http://www.abipecs.org.br/pt/estatisticas/mundial/producao-2.html

Acesso em abril de 2015.

Congresso Brasileiro de Veterinários Especialistas em Suínos – ABRAVES (13: 2007: Florianópolis, SC). Anais do XIII Congresso Brasileiro de Veterinários Especialistas em Suínos, de 16 a 19 de outubro de 2007. – Concórdia: Embrapa Suínos e Aves, 2007. 365p.

IGLESIAS, et al. Diseño y aplicación del manejo en bandas o flujograma. Manual de Buenas Prácticas de Producción Porcina. Lineamientos generales para el pequeño y mediano productor de cerdos. Red Porcina Iberoamericana. 2012: 68-77.

 

 

Juliana Guerra Pinheiro e Andrea Panzardi

Departamento Técnico Aves e Suínos Ourofino

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