Artigos - A importância do controle de parasitos externos

26 set 2017

A importância do controle de parasitos externos

Quando o assunto são as doenças parasitárias, a primeira coisa que vem na mente de quem está no dia a dia com os animais são as infestações por parasitos externos, principalmente os carrapatos. E realmente eles têm razão. Um estudo publicado em 2009 por um grupo de pesquisa da UFMG mostrou exatamente isso. Na pesquisa sobre a percepção dos produtores rurais e técnicos quanto ao parasito de maior importância na pecuária, 53% das pessoas entrevistadas apontaram o carrapato como o principal parasito a ser combatido. No aspecto econômico, o carrapato do boi também é um dos protagonistas na queda de desempenho. Outro estudo, publicado em 2014, por uma parceria entre um grupo de pesquisadores brasileiros e norte-americanos, estimou-se que as perdas causadas por uma infestação de 32 carrapatos (contados do lado esquerdo do animal), pode levar uma vaca leiteira a deixar de produzir até 90 litros de leite durante uma lactação de 305 dias.

No gado de corte essa perda também é grande, bovinos zebuínos com mais de 2 anos de idade e infestados, podem deixar de produzir até 41 kg de peso vivo anualmente e bovinos cruzados com a mesma condição podem deixar de produzir até 67 kg ao ano. O resultado de toda essa queda na produção provoca anualmente prejuízos econômicos de 7 bilhões de dólares. Diante disso, não se pode negar que o controle do carrapato é essencial para manter a atividade viável. Negligenciar o controle dos carrapatos é jogar contra seu próprio time, porque além dos prejuízos provocados diretamente no animal, ocorrem também reflexos indiretos como por exemplo, depreciação de infraestrutura, custos excessivo com medicamentos e deslocamento de tempo da mão de obra. Aproveitamos para lançar esse boletim agora porque é o momento propício para se tratar de controle de carrapato, pois o meio do ano, na maior parte do Brasil, o clima tornou-se desfavorável para a sobrevivência desse parasito no ambiente, ou seja, as infestações diminuem e sobra um tempo para elaborar uma estratégia eficaz para o controle anual.

A solução

Em novembro de 2015, a Ourofino apresentou para o mercado um carrapaticida com a inédita associação de 3% de fluazuron + 1% de fipronil, o Superhion. Um produto eficaz e com características técnicas muito interessantes para o controle estratégico dos carrapatos. Essa associação traz duas características importantes para o produto: a presença do fipronil, molécula que age externamente por contato, impedindo a adesão dos carrapatos ao animal. E o fluazuron, que age sistemicamente, ou seja, aqueles carrapatos que ainda conseguem se fixar no animal após iniciarem a ingestão do sangue passam a sofrer os efeitos do fluazuron e não conseguem mudar de fase. Com essas informações em mãos, já é possível começar a identificar o melhor momento para tratar os animais com Superhion (final do período seco do ano, entre agosto e setembro), período em que as larvas sobreviventes recomeçam a infestar os animais. Essas larvas estão vindo de um período desfavorável por isso a presença do produto no animal vai conseguir impedir que elas parasitem e comecem o primeiro ciclo, consequentemente, atrasando a primeira geração de carrapatos do ano. O resultado esperado de um tratamento como este são que as reinfestações que ocorrem na época mais quente sejam brandas e provavelmente o controle será mais fácil. O intervalo entre os tratamentos após o início do controle estratégico varia muito entre as regiões do Brasil, porém na média, pode-se seguir o esquema do quadro abaixo.

Os intervalos do quadro podem variar para mais ou para menos, isso depende de:

• Nível do desafio ambiental;

• Densidade animal por área;

• Histórico da área em que os animais estão alocados;

• Nível da infestação no momento do tratamento;

• Histórico dos produtos previamente utilizados.

Para constatar o benefício do tratamento realizado no período correto, o departamento técnico da Ourofino Saúde Animal em parceria com a equipe técnica da empresa no Paraná, realizou um estudo de campo de controle parasitário estratégico. Numa fazenda de gado de corte especializada em bovinos da raça Angus, foi realizado o tratamento com Superhion e avaliou-se: o nível de infestação dos animais; ganho em peso dos animais. O resultado foi que os animais mantiveram infestações controladas (até 10 carrapatos por animal) e um ganho em peso de 48,1 kg em 63 dias (GMD: 0,764 kg/cab/dia). No cálculo do Retorno sobre o Investimento (ROI) o resultado encontrado foi de 104%, ou seja, para cada R$ 1,00 investido retornou R$ 1,04 para o bolso do produtor.


 

O que se espera de um bom controle parasitário é isso, que traga retorno econômico para manter os níveis de produtividade economicamente viáveis. O produto que pode auxiliar a alcançar esse objetivo é o Superhion. Além dele devem ser integrados no controle de carrapatos outros produtos como Colosso, Colosso FC30 e Fluatac Duo. Com todas essas ferramentas será possível obter um bom controle de carrapatos, retardar o processo de resistência parasitária e obter bons níveis de eficácia com boa produtividade.

Por Marcel Onizuka, especialista técnico, e Alexandre Quaquarini, consultor Técnico

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