19 jan 2021

Imperdível: novidades em protocolos para o controle de carrapatos

A presença de carrapatos nos bovinos, Riphicephalus (Boophilus) microplus, é uma das principais causas de preocupação sanitária. De acordo com os pesquisadores Furlong e Evans, no Brasil o carrapato encontra condições climáticas favoráveis a sua reprodução e infestações. Os prejuízos causados pelos carrapatos podem ultrapassar 3 bilhões de reais. Os carrapatos podem causar anemia, irritação, perda de peso, queda na produtividade, predisposição à miíases (bicheiras), danos no couro, transmissão de agentes causadores de doenças, como a tristeza parasitária bovina (tristezinha) e até a morte de animais. Seu ciclo evolutivo pode ser didaticamente dividido em duas fases: a fase de vida livre, que se realiza no solo e na vegetação podendo se estender por vários meses, e a fase parasitária, visível no corpo do hospedeiro. A fase parasitária ocorre em média em ciclos de 21 dias. A fase de vida livre é o grande entrave para o controle de carrapatos, sempre haverá uma grande quantidade de ovos (aproximadamente 3.000 ovos para cada carrapata ingurgitada de sangue) e larvas nas pastagens, representando 95% da população de carrapatos na propriedade. A fase parasitária representa apenas 5%. Basicamente todos os carrapaticidas regularmente aprovados para o controle do parasita devem ser utilizados nos animais e não no ambiente, dificultando ainda mais o controle. Dessa maneira a melhor alternativa é o controle estratégico, atuando tanto nas pastagens, quanto nos animais. Essa abordagem consiste na prevenção de infestações através de aplicações seriadas no rebanho, conforme o grau de infestação ou carga parasitária, conforme abaixo:

Vários estudos confirmam que as infestações podem apresentar-se em diferentes graus ou desafios (exemplo: Alto, Médio e Baixo), fato importante para se determinar as estratégias de controle. Outra abordagem é a alternância de ativos carrapaticidas em diferentes tratamentos, dessa maneira buscam-se “driblar” os mecanismos biológicos de resistência parasitária nas próximas gerações. O controle estratégico de carrapatos deve ser adotado por todas as propriedades de criação a pasto, pois ele é preventivo nas épocas que antecedem as primeiras gerações, onde o clima será favorável à fase de vida livre.

Durante um ano, em condições favoráveis os carrapatos podem estabelecer de 3 a 6 ciclos parasitários, compostos por diferentes gerações. Atualmente os métodos de controle aprovados consistem no tratamento dos animais com produtos antiparasitários:

  • Carrapaticidas de contato: Colosso Pulverização, Colosso FC 30, Nokalt e Colosso Pour On;
  • Carrapaticidas sistêmicos: Superhion e Fluatac DUO;
  • Endectocidas no controle integrada de parasitas internos e externos.

Neste boletim vamos reforçar algumas práticas de campo que podem piorar as infestações e outras que ajudam no controle.

Práticas que prejudicam o controle de carrapatos:

  1. Manter os animais de sangue doce infestados e esperar o restante dos animais apresentarem uma infestação maior para tratar todo lote. Esta prática é muito comum e resulta em propriedades que mantem altas infestações difíceis de controlar. Geralmente os animais de sangue doce representam em média 6 a 10% do rebanho, mas abrigam 70 a 80% dos carrapatos da fase parasitária, sendo os principais responsáveis pelo aumento das infestações em todos os animais. Animais de sangue doce precisam de atenção especial e tratamentos mais frequentes, para redução das cargas nas pastagens e nos demais animais;
  2. Não adotar o controle preventivo (Controle Estratégico) e esperar altas infestações para o tratamento do rebanho. Esta prática é comum e resulta em aumento das cargas de ovos e larvas nas pastagens dificultando cada vez mais o controle e aumentando as infestações;
  3. Tratar os animais sem estabelecer um programa de controle com protocolos diferentes para cada grau de infestação;
  4. Utilizar sempre os mesmos princípios ativos durante os protocolos de controle pode resultar em populações cada vez mais resistentes e aumentar as infestações resistentes.

Práticas que controlam os carrapatos:

  1. Adotar o Controle Estratégico preventivo em todos os animais;
  2. Tratar os animais de sangue doce com mais frequência mantendo todo o rebanho limpo;
  3. Reconhecer o grau de desafio predominante nos animais da propriedade (Alto, Médio ou Baixo Desafio) para poder adotar o protocolo de controle mais apropriado;
  4. Estabelecer metas de controle sempre buscando rebanho controlado em Baixo Desafio;
  5. Definir um protocolo considerando a alternância de princípios ativos, com Colosso, Fluatac DUO, Superhion, alternadamente;
  6. Adotar junto ao protocolo de controle a prática do Controle Integrado de parasitas associando a um potente endectocida e de preferência concentrado, como o Master LP nos tratamentos.

Sugestões de protocolos para o controle de carrapatos, conforme o grau de desafio ou carga parasitária:

 

Ingo Mello

Departamento Técnico Ourofino Saúde Animal

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