Artigos - IATF: Protocolos pró-fertilidade

06 abr 2015

IATF: Protocolos pró-fertilidade

Desde o seu início, os programas de inseminação artificial em tempo fixo (IATF) tem como uma de suas grandes vantagens proporcionar o aumento da taxa de serviço do rebanho, ou seja, possibilitar o aumento do número de animais inseminados em ralação aos sistemas convencionais de detecção de cio. Desta forma, inicialmente as pesquisas buscavam desenvolver protocolos que também alcançassem as mesmas taxas de concepção de rebanhos inseminados no cio. Sendo que, atualmente os programas de IATF apresentam taxas semelhantes aos animais inseminadas no cio (Nascimento et al., 2013), mostrando a evolução da técnica.

Agora, o grande desafio da IATF é apresentar índices superiores aos encontrados em animais inseminados no cio. Para isso, segundo Binelli et al. (2014) os protocolos “pró-fertilidade” devem atender algumas premissas. Estas premissas foram estabelecidas através de diversas pesquisas que mostram suas associações com a melhora na fertilidade dos animais. Em bovinos de leite podemos citar como premissas importantes: altas concentrações de progesterona (P4) durante o desenvolvimento folicular (Pereira et al. 2015), luteólise eficiente (Pereira et al. 2015) e concentrações mínimas de P4 no momento da IA (Pereira et al. 2013), além de altas concentrações de estradiol (E2) próximos à IA (Souza et al. 2011). Em bovinos de corte as principais premissas são: redução das concentrações de P4 durante o desenvolvimento folicular estimulando o crescimento do folículo dominante (Pugliesi et al. 2015), aumento das concentrações de E2 durante o período de proestro e estro (Bridges et al., 2012) com ovulação de folículos de maior diâmetro (Sá Filho et al., 2010) e por último, elevadas concentrações de P4 pós-ovulação (Pugliesi et al. 2015).

Os protocolos que respeitam estas premissas melhoram a fertilidade por vários fatores como, melhora na sincronização da emergência folicular, controle do desenvolvimento folicular e inibição da maturação precoce do oócito, melhora na eficiência da luteólise e redução das concentrações de progesterona no proestro e no momento da IA, melhora no tamanho do folículo ovulatório e aumento da concentração de P4 pós-ovulação. Estes protocolos baseiam-se não apenas na eficiência de sincronização, mas também na melhora da qualidade do ambiente uterino (Ramos et al. 2013) e no desenvolvimento do concepto (Carter et al. 2008).

Os protocolos de IATF indicados pela Ourofino Saúde Animal atendem as premissas citadas acima e respeitam a necessidade de cada categoria animal. Veja os protocolos indicados para vacas leiteiras de alta produção (Figura 1) e para vacas de corte (primíparas e/ou vacas em anestro, Figura 2).

 

Figura 1. Protocolo de IATF indicado para vacas leiteiras de alta produção.


 

Figura 2. Protocolo de IATF indicado para vacas de corte (primíparas e/ou vacas em anestro).

 

Referências

Bridges GA, Mussard ML, Pate JL, Ott TL, Hansen TR, Day ML. 2012. Impact of preovulatory estradiol concentrations on conceptus development and uterine gene expression. Animal Reproduction Science, v. 133, n. 1-2, p. 16-26, 2012.

Binelli M, Sartori R, Vasconcelos JLM, Monteiro Jr. PLJ, Pereira MHC & Ramos RS. 2014. Evolution in fixed-time: from synchronization of ovulation to improved fertility. In: Juengel, JL; Miyamoto, A; Price, C; Reynolds, LP; Smith, MF; Webb, R. (Org.). Reproduction in Domestic Ruminants VIII. 1ed. Ashby de la Zouch: Context, 2014, v. 1, p. 493-506.

Nascimento AB, Souza AH, Pontes G, Wiltbank MC & Sartori R. 2013. Assessment of systematic breeding programs: A comparison between AI after estrus detection and timed AI in lactating dairy cows. J Anim Sci 91(E-suppl. 2) 594-595 Abstract.

Pereira MH, Sanches CP, Guida TG, Rodrigues AD, Aragon FL, Veras MB, Borges PT, Wiltbank MC & Vasconcelos JLM. 2013. Timing of prostaglandin F2a treatment in an estrogen-based protocol for timed artificial insemination or timed embryo transfer in lactating dairy cows. J Dairy Sci 96 2837-2846.

Pereira MHC, Wiltbank MC, Barbosa LFSP, Costa Jr. WM, Carvalho MAP & Vasconcelos JLM. 2015. Effect of adding a gonadotropin-releasing-hormone treatment at the beginning and a second prostaglandin F2a treatment at the end of an estradiol-based protocol for timed artificial insemination in lactating dairy cows during cool or hot seasons of the year. J. Dairy Sci. 98 :947–959

Pugliesi G, Santos FB, Lopes E,  Nogueira É, Maio JRG, Binelli M. Fertility response in suckled beef cows supplemented with long-acting progesterone after timed artificial insemination. 2015. Reprod, Fertil and Develop 27(1):98-98 Abstract.

Ramos RS, Izaguirry AP, Vargas LM, Soares MB, Mesquita FS, Cibin, FWS & Binelli M. 2013. The periovulatory endocrine milieu affects the oxidative stress control on endometrium of cows. Rep Fert Dev 26(1) 153-153.

Sá Filho MF, Crespilho AM, Santos JE, Perry GA & Baruselli PS. 2010. Ovarian follicle diameter at timed insemination and estrous response influence likelihood of ovulation and pregnancy after estrous synchronization with progesterone or progestin-based protocols in suckled Bos indicus cows. Anim Reprod Sci 120 23-30.

Souza AH, Silva EP, Cunha AP, Gümen A, Ayres H, Brusveen DJ, Guenther JN & Wiltbank MC. 2011. Ultrasonographic evaluation of endometrial thickness near timed AI as a predictor of fertility in high-producing dairy cows. Theriogenology 75 722-733.

Roney S. Ramos

Especialista Técnico – Reprodução Animal Ourofino


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