Artigos - Epidermite Exsudativa em Suínos

11 nov 2013

Epidermite Exsudativa em Suínos

Também conhecida como Eczema úmido em leitões, por afetar os animais com mais freqüência nas primeiras semanas de vida sob forma de dermatite seborreica infecciosa podendo ser generalizada ou localizada de origem bacteriana. A incidência desta enfermidade ocorre em decorrência às condições de criação intensiva aliadas a manejos de limpeza e desinfecção deficientes. Etiologia e Epidemiologia O agente etiológico é uma bactéria Gram-positiva classificada como Staphylococcus hyicus encontrada na pele dos suínos, com isso os leitões podem infectar-se imediatamente após o parto, através do contato com a porca ou com o ambiente contaminado. A bactéria não é invasiva, isto é, necessita de uma lesão para invadir a epiderme e a derme para provocar a doença, entre as lesões mais comuns podemos destacar: lesões causadas por castrações, ferimentos causados pela identificação (mossagem) dos leitões, deficiente antissepsia do umbigo após o parto, lesões causadas por brigas entre leitões, ferimentos causados pela caudectomia e até a presença de sarna pode ser porta de entrada para o patógeno. Patogenia Após penetrarem no organismo, as bactérias multiplicam-se na epiderme, desenvolvendo micro colônias produtoras de uma toxina denominada dermonecrótica que agrava ainda mais a lesão, ocorrendo inflamação, aumento de espessura da epiderme, produção de secreção sebácea e exsudato seroso. A mortalidade geralmente ocorre devido à desidratação dos leitões. Sinais Clínicos Os primeiros sinais clínicos são observados em leitões nas fases de lactação e creche, raramente em fêmeas e machos adultos, sendo que na maioria dos casos as lesões surgem entre uma e cinco semanas de idade. A mortalidade e a morbidade variam de 2 a 90%, dependendo das condições do meio ambiente, da ocorrência ou não de infecções secundárias, da imunidade dos animais e da precocidade do tratamento. Existem formas generalizadas e localizadas da doença, a forma generalizada é observada com maior freqüência em leitões lactantes, manifesta-se inicialmente por apatia, diarréia e modificação na coloração da pele, com a evolução do quadro clínico, surgem vesículas, inicialmente ao redor dos olhos e face externa das orelhas, alastrando-se a seguir por todo corpo dando origem a vesículas secundárias que se rompem e resultam em hiperemia, com formação de crostas que se espalham rapidamente pelo corpo do leitão, que fica com coloração enegrecida devido ao pó e sujidades das instalações. As lesões cursam sem prurido, ocorrendo também comprometimento dos cascos, fazendo com que os animais claudiquem, podendo haver desprendimento do epitélio da almofada plantar, o quadro pode evoluir com a perda da função renal, acumulando toxinas levando o animal a morte. A forma localizada da doença caracteriza-se por pequenas lesões cutâneas circunscritas que surgem principalmente na região dorsal e lateral do pescoço recobertas por crostas escamosas, sendo a forma mais comum em leitões nas primeiras semanas pós desmame, podendo ocorrer também em leitoas e porcas, leitões muito afetados podem ir a óbito dentro de 24hs devido à desidratação severa. A produtividade do rebanho pode diminuir em até 35% durante um surto de epidermite exsudativa. Diagnóstico Geralmente realizado através dos sinais clínicos e das lesões, mas a confirmação deve ser feita através da coleta de “swabs” colhidos da pele lesionada e dos rins encaminhando para exame bacteriológico, podendo também ser facilmente isolado o S. hyicus nos linfonodos superficiais, fígado e baço. Os principais diagnósticos diferenciais incluem sarna, varíola, paraqueratose e doenças vesiculares como febre aftosa. As lesões macroscópicas incluem avermelhamento da pele e presença de exsudato seroso na região abdominal, ao redor dos olhos, boca e orelhas. A desidratação e emagrecimento são sinais característicos da doença. Na necropsia pode ser observado engrossamento dos ureteres, rins e linfonodos subcutâneos com aumento de volume, nas lesões microscópicas observam-se acantose na epiderme e hiperemia na camada papilar da derme com posterior infiltração de leucócitos. Tratamento e Controle O tratamento produz resposta mais satisfatória se realizado no estágio inicial da doença, animais que já tiveram o comprometimento renal dificilmente respondem a antibioticoterapia. O agente da Epidermite Exsudativa geralmente é sensível aos beta lactâmicos e macrolídeos,  pode ser utilizada a tilosina ( 8mg/Kg de p.v.) bem como a amoxilina, ceftiofur, enrofloxacina e lincomicina. Caso o tratamento com alguma destas drogas seja insatisfatório recomenda-se a realização de antibiograma. Para evitar novas infecções e reinfestações recomenda-se um esquema rigoroso de higiene para as instalações como também em procedimentos cirúrgicos nos leitões por ocasião do corte de dente e cauda que mal feitos podem resultar em porta de entrada do patógeno, a higiene da porca durante a transferência para a maternidade também e recomendado.

Referencias Bibliográficas

CARVALHO, L.F.O.S.; MORENO, A.M., SOBESTIANSKY, J.BARCELLOS, D.E.S.N. Doenças da pele. In: SOBESTIANSKY, J.; BARCELLOS, D.E.S.N. (Eds). Doenças dos Suínos. Canone editorial. p.395-399, 2007 A. P. MOTTA, N. BIONDO, J. P. H. SATO, D. E. S. N. BARCELLOS. A Hora Veterinária, ano 31, nº181, p.62-67, maio/junho 2011.  

Glaiton Martins

VT aves e suínos PR

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