Artigos - Entenda como controlar o berne para diminuir as perdas em bovinos

24 nov 2017

Entenda como controlar o berne para diminuir as perdas em bovinos

A dermatobiose, causada pela larva da mosca berneira Dermatobia hominis, é responsável  por prejuízos significativos na criação de bovinos podendo chegar a 250 milhões de dólares. Para minimizar os prejuízos causados pelo berne é necessário entender seu ciclo de vida e como realizar o controle desse parasita. A Dermatobia hominis (mosca berneira) possui uma particularidade, ela captura moscas de outras espécies durante o voo e deposita seus ovos no ventre das moscas capturadas.

Dessa forma, as moscas capturadas transportam seus ovos até os bovinos. As larvas do berne não precisam de uma ferida aberta para se instalar e se alimentam de tecido vivo. As espécies de moscas mais conhecidas, que servem como vetores, são as moscas-dos-chifres, as moscas-dos-estábulos e as moscas domésticas. O ciclo de vida da Dermatobia hominis possui duas fases: a parasitária (larvas no animal) e a fase de vida livre (mosca adulta e pupa). Na fase de vida parasitária, a larva (berne) permanece no animal por 50 dias e passa por três estágios de desenvolvimento (L1, L2, L3), quando atinge a maturidade, com cerca 2,5 cm de comprimento, sai do nódulo, formado no subcutâneo (embaixo da pele) e cai ao solo, quando inicia a fase de vida livre. O período de pupa pode durar de 30 a 60 dias, dependendo das condições ambientais. Após liberação da mosca, acontece a cópula iniciando assim um novo ciclo. A Dermatobia hominis vive por cerca de 12 dias.

Os prejuízos estão associados às lesões causadas pelas larvas que se  instalam no subcutâneo, causando incômodo, irritabilidade e estresse nos bovinos. Esse deslocamento das larvas é capaz de reduzir a ingestão de alimentos, acarretando perda de peso, redução na produção de leite, atraso no desenvolvimento dos animais jovens. As lesões também podem possibilitar a infestação de larvas das bicheiras (Cocliomyia hominivorax). Segundo estudos feitos pela Embrapa (1998), bovinos com 20 a 40 bernes podem perder de 9 a 14% do peso corporal e o couro, com 10 a 20 perfurações, em sua região nobre, perdem 30 a 40% do seu valor comercial.

As lesões são mais numerosas na parte superior do corpo, pescoço, dorso, flancos e cauda. Normalmente agrupam-se e formam grandes tumefações confluentes e muitas vezes purulentas. O controle do berne é difícil porque a D. hominis não se aproxima dos hospedeiros e ainda utiliza diversas outras moscas (vetores foréticos) para transportar seus ovos. Sendo assim, é necessário controlar uma grande variedade de moscas, o que é complexo. Logo, para controlar o berne, se preconiza o uso de produtos que combatem ou repelem as moscas que podem servir de vetores ou tratamentos quando as larvas já estão parasitando os animais.

No controle das moscas é indicado uso do Colosso Pour On ou Superhion (ectoparasiticida de contato) que podem ser associados com produtos injetáveis como Master LP, Voss Produce (endectocidas). Os tratamentos devem ser iniciados no início do período chuvoso, entre setembro e outubro. É valido lembrar que medidas de manejo devem ser adotadas, tais como, remoção e tratamento de esterqueiras, piscinas de decantação ou biodigestores no controle de outras moscas. Mesmo que a D. hominis não faça postura de ovos em fezes frescas, outros vetores utilizam as fezes para completar seu ciclo. Portanto, se controlarmos a população de vetores, estamos consequentemente controlando a população de moscas do berne (Dermatobia hominis).

Pietro Massari, Ingo Aron Souza Mello e Marcel Kenzo Vilalba Onizuka, do Departamento Técnico da Ourofino Saúde Animal

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