Artigos - Dor e analgesia em equinos

02 fev 2015

Dor e analgesia em equinos

De acordo com o International Association for the Study of Pain (IASP, 1997) a dor pode ser definida como uma experiência sensorial e emocional desagradável, associada a um dano tecidual real ou potencial, descrita de acordo com a sua intensidade. No entanto, segundo Anand & Craig, (1996) este sentido se baseia no uso da linguagem e autoavaliação, sendo limitado para uso em animais.

Dentro da Medicina Veterinária o acesso à dor é realizado basicamente a partir da percepção do avaliador. A dor é um mecanismo complexo e dinâmico e varia em sua natureza e duração. O processo doloroso não envolve apenas o sistema nervoso central, mas também uma série de reações no organismo (HELLEBREKERS, 2000), dentre elas, a reação inflamatória.

A inflamação é definida como uma resposta do organismo a uma agressão aos tecidos. Os sinais que caracterizam a inflamação são clássicos e ocorrem, em sua maioria, devido a alterações na circulação sanguínea do local inflamado. Nestes casos, a dor é atribuída a um aumento de pressão nas terminações nervosas ou a substâncias tóxicas que são liberadas durante o processo inflamatório local.

 Os antiinflamatórios são medicamentos que têm em comum a capacidade de controlar os sinais da inflamação, produzir analgesia e combater a febre. Atualmente existem vários tipos de antiinflamatórios no mercado para equinos, sendo que, a principal diferença entre eles, está em seu local de atuação no organismo (SPINOSA et al., 2002).

A Ourofino conta com uma ampla linha de antiinflamatórios, dentre eles o Desflan, a base de flunixim meglumine, indicado para o alívio da dor relacionada à cólica equina. Em equinos utiliza-se 1ml/45kg de Desflan. Nos casos de cólica a via intravenosa é recomendada para pronta ação, que pode ocorrer dentro de 15 minutos ou menos. A causa da cólica deve ser determinada e tratada concomitantemente com a terapêutica indicada para a mesma.


 

Além da questão ética e moral do bem-estar, a dor é danosa, dificulta a cicatrização de feridas, causa emagrecimento e depressão da imunidade. Por esses motivos, o criador e Médico Veterinário devem ficar atentos também à questão econômica do sofrimento. É direito natural dos animais não serem submetidos à dor e ao desconforto. Portanto, a identificação e o manejo da dor em equinos se torna extremamente importante na manutenção da qualidade de vida, além de influenciar diretamente na carreira esportiva ou trabalho do animal.

 

Referências

ANAND, K.J.S.; CRAIG, K.D. New perspectives on the definition of pain. Pain. v. 67, p. 3–6, 1996.

HELLEBREKERS, L.J. Pathophysiology of pain in animals and its consequence for analgesic therapy. In: ______ Animal Pain. A Practice-Oriented Approach to an Effective Pain Control in Animals. Van Der Wees, Utrecht, The Netherlands, 2000.  pp. 11–16.

IASP, 1979. The need of a taxonomy. Pain 6, 247–252.

MAY, S. A.; LEES, P. Nonsteroidal anti-inflammatory drugs. In: MCILWRAITH, C. W.; TROTTER, G. W. Joint disease in the horse. Philadelphia: Saunders Company, 1996.p. 223-235.

SPINOSA, H. S.; GORNIAK, S. L.; BERNARDI, M. M. Farmacologia aplicada à medicina veterinária. Rio de Janeiro: Guanabara koogan, 2002. p.225-250. 

Raquel Albernaz

Especialista Técnica Equinos

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