Artigos - Diarreias na Maternidade

10 ago 2015

Diarreias na Maternidade

As diarreias na maternidade estão entre as principais causas de perdas na produção de suínos em todo o mundo, levando a uma grande perda econômica nos diferentes setores de produção. Além do índice de mortalidade, a diarreia causa alta taxa de refugagem de leitões durante a lactação (HOLLAND, 1990; BURCH, 2000; TZIKA et al., 2002).

Dependendo do(s) agente(s) etiológico(s) envolvido(s), da gravidade da infecção e da suscetibilidade dos animais, as diarreias podem se apresentar a partir de um único sinal clínico ou em forma de síndrome. As diarreias podem ter apresentação crônica ou aguda, com aspecto clínico variando de mucoso/pastoso/aquoso e em alguns casos hemorrágico. Em geral a diarreia leva à desidratação, perda da condição corporal, depressão com alta morbidade e mortalidade (BURCH, 2000). Na tabela abaixo (Tabela 1) estão os principais agentes causadores de diarreia e a respectiva idade de acometimento:

Taleba 1. Principais desafios entéricos na maternidade de acordo com a idade.


 

Principais fatores que influenciam a ocorrência de diarreias na maternidade:

1) Limpeza, desinfecção e vazio sanitário: 

É importante enfatizar que salas e baias mal lavadas, mal desinfetadas e a não realização de vazio sanitário são fatores que influenciam na ocorrência de diarreias na maternidade. Essas falhas na limpeza e desinfecção podem ser atribuídas tanto a fatores relacionados com o treinamento dos funcionários, quanto à importância que é dada na granja para procedimentos de higienização, limpeza e desinfecção apropriados. Além disso, outro fator importante parece estar relacionado com a sazonalidade. Observa-se aumento no número de casos de diarreia no final do inverno e início da primavera, o que pode ser atribuído à secagem insuficiente das instalações (AMASS, 2003).

O objetivo primário das práticas de higiene é diminuir a pressão de infecção do ambiente sobre os animais. Felizmente, a maioria dos patógenos sobrevive por pouco tempo quando estão fora do hospedeiro ou na ausência de matéria orgânica. Sob condições experimentais, observou-se que mais de 99% das bactérias podem ser removidas apenas com a limpeza. Entretanto, a eliminação dos microorganismos ocorreu em 90% dos casos através da remoção da matéria orgânica, em 6 a 7% através de desinfetantes, e em 1 a 2% através da fumigação (MORGAN-JONES,1987).

Alguns princípios básicos das práticas de higiene para diminuir a transmissão de agentes de lote para lote através da contaminação ambiental incluem (DRITZ, 2002):

- No momento da construção da instalação, utilizar materiais que permitam fácil higienização;
- Completa limpeza e remoção da matéria orgânica (fezes e ração). Essa medida é importante, pois em geral, os microorganismos ficam protegidos contra a ação dos desinfetantes no interior da matéria orgânica;
- Uso apropriado de desinfetantes, incluindo diluição adequada e aplicação em toda a área da instalação;
- Vazio sanitário adequado. Certificar-se de que os animais estão sendo alojados em instalações secas mesmo nos períodos de clima mais frio e úmido.

 

2) Temperatura e umidade:

É de extrema importância que os leitões sejam mantidos em sua zona de conforto térmico (Ao nascimento – 30 a 35º C, 1ª semana – 28º C, 2ª semana – 26º C, 3ª semana – 24º C, 4ª semana – 22º C), pois isso permite que os nutrientes absorvidos sejam utilizados para o desenvolvimento e não para a manutenção da temperatura corporal. 

É indispensável observar o comportamento dos animais para perceber, independente da temperatura ambiente, a sensação térmica e conforto dos mesmos. O manejo de cortinas é fundamental para manter a temperatura adequada, permitindo a renovação de ar das salas e impedindo a incidência direta de correntes de ar frio sobre os leitões (PINHEIRO, 2003). A umidade também é fator de risco e são recomendados níveis entre 50-75%. É importante monitorar e ajustar a temperatura da instalação de acordo com estas exigências.  (CARR et al., 1998).

 

3) Outros fatores pre disponentes:

- A qualidade do leitão (peso abaixo de 1,300KG ou animais que nascem com baixa viabilidade);
- Baixo consumo de colostro/leite pelos leitões nos três primeiros dias de vida;
- Queda da temperatura corporal dos leitões nos momentos que precedem o parto;
- Falta de higiene por ocasião do parto.
- Deficiência de ferro.
- Falha nos protocolos preventivos.

De um modo geral, as diarreias causam perdas excessivas de líquidos, eletrólitos e nutrientes. O animal com desidratação apresenta um desequilíbrio eletrolítico que é acompanhado do acúmulo de produtos ácidos do metabolismo no sangue, fator que pode determinar a morte. O leitão adoece rapidamente devido à falta de reservas nutricionais e seu sistema imune ainda muito pouco eficiente, depende assim da imunidade passiva, adquirida através do colostro ou leite da matriz (OELKE, 2013).


(Fotos: Juliana Guerra Pinheiro)

 

Medidas preventivas para evitar as diarreias na maternidade:

A medicina preventiva e a realização de práticas adequadas de manejo são as formas mais eficazes de combate às diarreias que ocorrem durante a lactação.

É indispensável para o sucesso da medicina veterinária preventiva a implantação de um bom manejo (DRITZ, 2002) que consiste na realização de:

- Programas vacinais em fêmeas, de acordo com o desafio;
- Lavagem e desinfecção das instalações de forma adequada;
- Realização do manejo “all in-all out”;
- Realização de vazio sanitário;
- Higiene no pré, durante e pós-parto;
- Manejo de colostro e orientação de mamada (principalmente nos leitões de baixa viabilidade);
- Ajuste de temperatura e umidade do ambiente de acordo com a necessidade da classe de animais;
- Baias e escamoteadores mantidos secos.

Junto a este manejo bem empregado, vem as tentativas em aumentar as defesas e as medidas terapêuticas diretas. A Ourofino possui diversas soluções contra os desafios entéricos na maternidade.

Em um trabalho de campo realizado com protocolos preventivos associando-se o Norflomax e Lactofur, juntamente ao anticoccidiano Isocox mostraram-se altamente eficazes no controle e tratamento das diarreias, em baixos e altos desafios, tornando-se grandes aliados, já que abrangem principais causas de diarreias das maternidades.

 O Norflomax (Figura 1) é um antimicrobiano moderno, de uso injetável, a base de Norfloxacina que pertence ao grupo das Fluorquinolonas. Possui um amplo espectro de ação com efeito imediato e sem efeitos colaterais. Eficiente contra cepas bacterianas mais resistentes como a E. Coli. Podendo ser utilizado tanto na medicina preventiva como também no tratamento.

O Lactofur (Figura 1) é um potente antimicrobiano pertencente ao grupo das cefalosporinas de 3º geração, à base de ceftiofur de longa ação e alta concentração, de uso injetável. É indicado com excelência na profilaxia e tratamento de doenças entéricas causadas por agentes sensíveis ao ceftiofur, (Ex. E. Coli.).

 O Isocox Pig Doser (Figura 1) é um agente anticoccidiano para suínos a base de toltrazuril, de uso oral, que atua em todas as fases de desenvolvimento de coccídios flagelados. É indicado para profilaxia e tratamento da coccidiose suína, que esta entre as principais causas de refugagem dos leitões.

 

Desafios entéricos na maternidade? A Ourofino tem a solução!


Figura 1- Soluções Ourofino para os desafios entéricos na maternidade.

 

Referências:

AMASS S.F., HALBUR P.G., BYRNE B.A., SCHNEIDER J.L., KOONS C.W., CORNICK N. & RAGLAND D. 2003. Evaluation of biosecurity procedures to prevent mechanical transmission of enterotoxigenic Escherichia coli by people. In: Proceedings of the 32nd Annual Meeting of the American Association of Swine Practitioners (Orlando, U.S.A.). pp.134-139.

BURCH, D. G S. Controlling diarrhoea in growing pigs - the grey scour syndrome. The Pig Journal, Inglaterra. v. 45, p. 131-149, abr. 2000.

CARR J., MUIRHEAD M.R., KINGSTON N.G., THOMPSON P., JAQUES F., PEMBERTON P. & SERA J. 1998. Post-weaning respiratory and enteric syndromes of the pig. In: Wiseman J., Varley M.A. & Chadwick J.P. (Eds). Progress in Pig Science. Nottingham: University Press, pp.141-176.

DRITZ S.S. 2002. Nursery management: Hygiene and feeding management practices to ensure healthy pigs. In: Proceedings of the 17th Manitoba Swine Seminar (Manitoba, Canada). p.26.

HOLLAND, R. E. Some Infectious Causes of Diarrhea in Young Farm Animals. Clinical Microbiology Reviews, EUA, v. 3, n. 4, p. 345-375, Oct. 1990.

MORAES NELSON. Fatores que Limitam a produção de leitões namaternidade; 2013. Disponível em:

http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/Repositorio/sudi009_limite_leit_matID-UeLUZ7GzkY.pdf

MORGAN-JONES S. 1987. Practical aspects of disinfection and infection control. In: Linton A.H., Hugo W.B. & Russell A.D. (Eds). Disinfection in Veterinary and Farm Animal Practice. Oxford: WileyBlackwell, 190p.

OELKE CARLOS A.; Diarreia de leitões na maternidade; 2013. Disponível em: https://gepsaa.wordpress.com/2013/02/28/diarreia-de-leitoes-na-maternidade/

PINHEIRO R.W & MACHADO G.S. 2007. Desempenho do leitão na primeira semana pós-desmama: como atingir e porque gerenciar este parâmetro. In: Anais do II Simpósio Mineiro de Suinocultura (Lavras, Brasil). pp.124-145.

RISTOW, L.D. Doenças Entéricas dos Suínos. Acessado em: 22/06/2012.

Disponível em: http://abravesmt.com.br/arquivos/arquivo03.pdf.

TZIKA, E. D. et al. Causes of the post weaning mortality in industrial Greek swine units. In: CONGRESS OF THE INTERNATIONAL PIG VETERINARY SOCIETY, 17, 2002, Ames, Iowa. Proceedings… Ames, 2002. p. 459.

Miguel Toledo de Souza Neto

Consultor Técnico Aves & Suínos Sudeste

Tags


Deixe o seu comentário