Artigos - Cura de umbigo: a chave para a prevenção de doenças em bezerros

12 abr 2022

Cura de umbigo: a chave para a prevenção de doenças em bezerros

A fase inicial de cria das bezerras de leite é um momento que exige extremos cuidados. Isso porque diversas doenças podem acontecer e nesse momento a bezerra passa por um momento “frágil” de formação da sua própria imunidade. Dentre as doenças, destacam-se as inflamações e infecções de umbigo (onfalopatias).

O umbigo é a principal via de comunicação do bezerro com a vaca com vários canais de comunicação (artéria, veia e úraco). Após o parto essa comunicação se perde e essa estrutura se fecha em alguns dias. Porém até o completo fechamento desse canal, o umbigo se torna uma porta de entrada para vários agentes causadores de doenças, já que o coto umbilical (parte que fica para fora, Figura 1) é a porção de comunicação com o meio ambiente e fica exposta aos microrganismos.

Figura 1. Coto umbilical logo após o parto. Fonte: Ingo Mello

As onfalopatias acabam se destacando porque ainda hoje possuem alta incidência e os prejuízos relacionados a elas são bastante impactantes para a saúde e economia da propriedade. Essa doença pode representar até 10% dos casos de mortalidade nos primeiros 8 meses de idade, e aqui no Brasil, alguns estados possuem alta incidência de casos, perto dos 30%. Nos casos infecciosos por exemplo temos uma interferência grande de alguns fatores predisponentes, como:

  • Coto umbilical muito comprido ou cortado extremamente curto (próximo ao abdômen)
  • Falta de higiene do ambiente
  • Alta aglomeração de animais
  • Falha da desinfecção do umbigo
  • Traumas físicos ou irritações.

Dentre os principais sinais clínicos que podemos perceber nos casos de onfalopatias está o aumento de volume do umbigo, mau cheiro, dor à palpação e em alguns casos, presença de secreção (Figura 2).

Figura 2. Umbigo já infeccionado, nota-se as bordas com vermelhidão. Fonte: https://veteriankey.com/neonatal-disorders/

E, como prevenir?

A prevenção realmente é a melhor saída, evitar esse problema pode ser crucial na saúde da bezerra e em futuras possíveis complicações como por exemplo a poliartrite séptica (junta inchada).

  • Manter o ambiente das bezerras limpo e seco;
  • Cortar o umbigo com tesoura estéril (você pode desinfetar a tesoura com o CB-30 TA), deixando em torno de 3 cm da parede abdominal (não deixar muito curto)
  • Fazer a cura do umbigo com solução de iodo 5-7%, com imersão total do coto umbilical. *Aqui é muito importante que a solução seja trocada após o uso e que seja realizada duas vezes ao dia.

Infelizmente, alguns casos podem progredir e na primeira manifestação de sinal clínico devemos interferir. O protocolo de tratamento deverá ser orientado pelo médico-veterinário, e os cuidados devem ser mantidos até a completa recuperação do animal.

A Ourofino Saúde Animal conta com soluções eficazes para o tratamento das infecções de umbigo. Recomenda-se a utilização de um antibiótico sistêmico aliado a um anti-inflamatório eficaz, a fim de diminuir a inflamação, dor e o inchaço e devolver o bem-estar a esse animal. Além disso podemos pensar sempre na hidratação desse animal como forma de alcançar uma melhor resposta do tratamento aplicado. Soluções como Penfort PPU, Penfort Reforçado e Lactofur podem ser utilizadas juntamente com oMaxicam 2%. E, para garantir a limpeza e prevenção de bicheiras, recomenda-se o uso do Lepecid Spray.

 

 

Bruna Gomes Alves - Especialista Técnica em Saúde Animal da Ourofino Saúde Animal

Ingo Aron Mello - Consultor Interno da Ourofino Saúde Animal

Paula Curti - Estagiária do Departamento Técnico e Marketing da Ourofino Saúde Animal

 

REFERÊNCIAS

REIS, G. A. Identificação e correlação do agentes microbianos isolados a partir da secreção do umbigo e de amostras de sangue de bezerros com onfalite. 2016. 113 f. Dissertação (Mestrado em Ciências) – Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2015.

SANTOS, E.D. Onfalopatias em bezerras leiteiras: revisão bibliográfica. 2021. 64 p. : 1l. Trabalho de conclusão de curso (Bacharelado-zootecnia) – Universidade Estadual Paulista (UNESP), Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinária, Jaboticabal. 2021.

STEERFORTH, D.D. WINDEN, V.S. Development of clinical sign-based scoring system for assessment of omphalitis in neonatal calves. . Veterinary Record, 182: 549 549. https://doi.org/10.1136/vr.104213

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