Artigos - Ciclo estral e desempenho atlético de éguas

11 ago 2014

Ciclo estral e desempenho atlético de éguas

Conhecidas por ser uma espécie poliéstrica estacional, dependente principalmente da luz para ciclar, a maior parte das fêmeas equinas apresenta atividade reprodutiva durante a primavera e o verão.  Nestes meses, o ciclo estral dura aproximadamente 21 a 22 dias, e os sinais de estro podem ser observados por aproximadamente 5 dias antes da ovulação.

A elevação dos níveis de estrógeno e hormônio luteinizante (LH) precede a ovulação, enquanto a progesterona encontra-se em níveis basais. Este balanço hormonal confere características clássicas de uma fêmea em estro, que podem ser classificadas de acordo com o grau de receptividade da fêmea equina ao garanhão num escore de 0 a 4, conforme pode ser observado na tabela abaixo:


Adaptada de Coleman & Powell

 

As alterações comportamentais relacionadas ao estro podem ser desejáveis para uma fêmea reprodutora, no entanto, para éguas atletas, estas características já foram associadas ao baixo desempenho. Alguns treinadores relatam que o comportamento estral pode diminuir a concentração da fêmea, causar dor lombar, agressividade e aumento do risco de lesões ortopédicas, visto que fêmeas ansiosas necessitam de mais tempo na pista para responderem adequadamente ao comando.

Tendo em vista eliminar tais consequências, treinadores e proprietários questionam se existe a possibilidade de suprimir, mesmo que temporariamente, o ciclo estral da égua. É importante que o tratamento instituído seja transitório, visto que, no futuro, ao final de sua carreira esportiva, a égua pode ser utilizada para a reprodução. Ainda, é imprescindível que o método utilizado seja seguro para o animal e eficaz para o que se propõe.

Atualmente existem muitos métodos utilizados para suprimir as características comportamentais relacionadas ao estro em éguas, dentre eles métodos hormonais, cirúrgicos e imunes. Alguns destes métodos já são aprovados e tem sua eficácia documentada. Outros, ainda são baseados apenas em relatos de caso.

Dentre os métodos hormonais, a progesterona administrada em doses contínuas já mostrou ser efetiva para suprimir o estro em éguas. Em estudo realizado por Loy & Swan (1966) a administração diária de progesterona injetável (100mg) via intramuscular foi eficaz em inibir o cio e a ovulação de éguas. No entanto, antes de iniciar o tratamento é importante discutir com o médico veterinário como as fases do ciclo estral podem contribuir para o comportamento inadequado e queda no desempenho atlético e se esta é realmente a causa direta do problema do animal.

De forma geral, ainda não existe um medicamento em dose única que possa suprimir o comportamento estral por um longo período de tempo, no entanto, existem várias opções disponíveis no mercado que devem ser avaliadas em conjunto pelo médico veterinário, treinador e proprietário.

 

Referências Bibiográficas:

COLEMAN, R. J.; POWELL, D. Teasing Mares. University Of Kentuky. Disponível em <http://www.uky.edu/Ag/AnimalSciences/pubs/asc157.pdf>. Acesso em 31/07/2014

LOY, R.G.; SWANN, S.M. Effects of exogenous progestogens on reproductive phenomena in mares. Journal of Animal Science, v.25, p.821-826, 1966.  

PRYOR, P.; TIBARY, A. Management of estrus in the performance mare. Clinical Techniques in Equine Practice. p. 197-209, 2005.

ROSS, M. W. Estrous Cycle and performance in athletic mares. In: ROSS, M. W.; DYSON, S. J. Diagnosis and lameness in the horse. St Louis: Saunders, 2003.p. 480-482. 

Raquel Albernaz

Especialista Técnica Ourofino

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