12 jul 2019

Cetose: um desafio a ser observado

Há algum tempo, quando nos referíamos a animais de produção, em especial a produção de leite, dizíamos que eram máquinas de produção de proteína. Porém, esta definição é um tanto equivocada, pois quando nos referimos às máquinas, os ajustes são padronizados, com pouco ou nenhuma margem para adaptações. Assim, em vez de tratarmos nossos bovinos leiteiros de tal forma, é mais assertivo se os tratarmos como atletas de alto rendimento.

O leite é a única proteína de origem animal que pode ser obtido sem comprometer o mesmo. Pelo contrário, se não for retirado, é provável que esse animal tenha a saúde prejudicada. Também é essencial ter atenção às necessidades específicas para cada fase do ciclo produtivo.

Do início da vida até os ciclos produtivos de uma vaca de leite, sem dúvida, o momento crucial está na fase de transição, compreendida como o final da gestação e início da lactação. Neste momento, temos alguns eventos únicos que são regulados por hormônios, várias adaptações fisiológicas e até anatômicas. Primeiramente, temos a lactogênese, que é o início ou reinício da produção de leite, alguns dias ou semanas antes do parto. Neste momento, uma glândula que estava quiescente (“dormente”) passa a produzir leite em grande quantidade, tal evento também ocorre em animais de corte, porém com desafio menor. As necessidades nesta fase vão desde energia, até nutrientes essenciais como vitaminas e minerais.

O intenso desafio da fase de transição faz com que ocorra diversos problemas, sendo o principal deles, a cetose. O principal responsável por essa enfermidade é o metabolismo energético alterado para se adequar as necessidades do organismo animal. Para suprir as necessidades fisiológicas do bovino, ocorre a queima da gordura corporal, o que leva a perda de condição corporal como consequência natural do processo. Com o passar do tempo essa queima leva a perda até mesmo de musculatura do animal, a recuperação dos bovinos acometidos pode ser mais rápida ou lenta, dependendo do tempo decorrido até o diagnóstico e início do tratamento.

O diagnóstico dessa doença é variado, podendo ser por meio de avaliação de presença de corpos cetônicos na urina ou exames laboratoriais específicos. Outra forma de diagnóstico é o odor cetônico na respiração dos animais, porém essa forma só é percebida quando o processo já está em curso e avançado. Uma maneira objetiva e direta de abordar o problema é a perda de escore corporal no pós-parto, nessa fase sabidamente o animal irá perder escore de condição corporal, porém o limite dessa perda não pode ultrapassar 1 ponto de escore, pois estudos recentes mostram que uma perda maior que isso, leva o animal ao processo de cetose e deve ser tratado de maneira rápida.

Para o tratamento, a utilização de soluções orais ou injetáveis é a opção possível. Os produtos orais tem a vantagem da via de aplicação, sendo menos invasiva, porém a absorção será apenas subjetiva, além de variação individual. Quando utilizamos soluções injetáveis, sabemos exatamente quanto estamos administrando e quanto está sendo metabolizado, sendo assim, a utilização de tais produtos é mais recomendada. Para tanto, a utilização do Fortemil se mostra uma excelente alternativa, pois além de ser uma fonte de alta energia disponível, também repõem eventuais necessidades de vitaminas e minerais essenciais para a manutenção das funções vitais.

Marcelo Arne Feckinghaus e Janielen Silva

Departamento Técnico Ourofino

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