Artigos - CASCUDINHO: IMPACTOS ECONÔMICOS E SANITÁRIOS

28 dez 2015

CASCUDINHO: IMPACTOS ECONÔMICOS E SANITÁRIOS

Alphitobius diaperinus (Panzer) (Coleoptera: Tenebrionidae), popularmente conhecido como cascudinho, representa uma das principais pragas da avicultura de corte e postura. Originalmente do continente africano, infestando resíduos de produtos úmidos estocados e armazéns, este inseto tornou-se cosmopolita. De acordo com Rodrigueiro (2008), a criação de aves em confinamento proporcionou ao A. diaperinus um hábitat ideal para a sua multiplicação e consequente crescimento populacional, transformando-o num problema mundial. Desta feita, insurgiu tornando-se inseto praga que afeta vários tipos de sistemas de produção de aves. Há uma necessidade imperativa, portanto, de desenvolver programas efetivos de monitoramento, gestão e controle deste inseto praga (GEDEN; HOGSETTE, 2001).

Uma vez estabelecidos, multiplicam-se rapidamente, sendo encontradas elevadas populações em camas de frangos de corte e de matrizes (Figura 1), e mesmo em fezes de poedeiras de ovos comerciais confinadas em gaiolas. 


Figura 1. Alta infestação de larvas e adultos de A.diaperinus em cama de aviário. (Fonte: Gustavo Bonfim)

 O A.diaperinus é responsável por diversos problemas que afetam direta ou indiretamente a produção avícola. O contato direto do inseto com a cama dos aviários, assim como o hábito deste se alimentar de aves moribundas e mortas, o faz um veiculador de diversos patógenos aviários (AXTELL; ARENDS, 1990; BATES; HIETT; STERN, 2004; ROCHE et al., 2009; LEFFER et al., 2010). Outro fator relevante é o fato de que as aves, principalmente em idades tenras, substituem a ração balanceada por estágios larvais e adultos de A. diaperinus, em razão do comportamento que possuem de ciscar e comer qualquer material em movimento (JAPP; BICHO; SILVA, 2010). Além disso, a ingestão de insetos adultos, os quais possuem exoesqueleto e élitros rígidos, pode causar lesões no trato gastrointestinal, deixando-o vulnerável à entrada de patógenos (CHERNAKI-LEFFER et al., 2001; JAPP, 2008). Com relação às larvas, estas podem lesionar a pele incorrendo e favorecendo infecções secundárias, o que colateralmente diminui a qualidade da carne (ELOWNI; ELBIHARIS, 1979). Além disso, secretam quinonas, substâncias tóxicas e carcinogênicas, que podem levar a lesões hepáticas e, consequentemente, podem determinar a condenação total desse órgão no abatedouro (TSENG; DAVIDSON; MENZER, 1971; PREVENT NEWS, 1998). Além da relação nutricional, tóxica e como vetor de patógenos, A. diaperinus ainda pode provocar avarias nas instalações avícolas, fato decorrente da ação das larvas que escavam túneis em componentes estruturais dos galpões (VAUGHAN; TURNER; RUSZLER, 1984; DESPINS; TURNER; RUSZLER, 1987). Ainda, a ação direta da praga sobre as aves compromete o bem estar animal, afetando o comportamento natural e influenciando o nível de conforto (LAY et al., 2011).

O controle do cascudinho é considerado difícil, tendo em vista que seus inimigos naturais são pouco conhecidos. O controle químico é o mais difundido embora a ação desses produtos possa ser comprometida em razão destes insetos habitarem o solo, locais com grande quantidade de matéria orgânica (excreta, ração e maravalha) e os locais entre as cortinas e as frestas dos galpões (ARENDS, 1987).

Em observações empíricas pontuais realizadas a campo, nos atuais sistemas de criação, tem se verificado que a associação de métodos físicos, mecânicos e químicos podem proporcionar controle parcial do inseto em questão. A aplicação de cal na cama dos aviários enquanto condicionador químico, objetivando impor as características higroscópicas e alcalinizantes deste mineral, associada à fermentação da cama por enleiramento e enlonamento no vazio sanitário, pode exercer influência na dinâmica e concentração do A. diaperinus. Tal fato suporta a hipótese de que a população deste inseto pode ser controlada com a integração estratégica de métodos de controle físico e químico para tratamento da cama de aviários (Wolff, 2013).

Diante destes desafios a Ourofino Saúde Animal desenvolveu o Colosso Pulverização (Figura 2). Sua formula apresenta cipermetrina (piretróide) em alta concentração e clorpirifós, organofosforado que se volatiliza e mantém o efeito inseticida em seu gás, além do citronelal para uma ação desalojante. A presença de 02 ativos inseticidas dificulta o aparecimento de resistência por parte do cascudinho bem como o método de aplicação (Figura 3) possibilita focar ação do Colosso nos locais em que os cascudinhos habitam (frestas, cortinas).


Figura 2. Colosso Pulverização, solução no controle de cascudinho aviário da Ourofino Saúde Animal.


Figura 3. Aplicação de Colosso Pulverização em aviário de frango de corte. (Fonte: Gustavo Bonfim)

A aplicação é feita através da pulverização de solução aquosa de Colosso Pulverização, respeitando-se a dosagem de 1 a 2 litros de Colosso Pulverização para cada 1200m² de instalação. A água é apenas veiculadora, devendo-se usar o volume necessário para pulverizar todo o galpão (geralmente entre 500 e 1000L).

 A aplicação deve ser repetida nos intervalos entre a saída de um lote e o próximo alojamento, permitindo assim que o controle seja feito antes de se completar o ciclo de vida do cascudinho (Figura 4).


Figura 4: Ciclo de vida do cascudinho (Fonte: http://escola.britannica.com.br/assembly/188766/Muitos-insetos-passam-por-um-processo-de-mudancas-fisicas-chamado)

A implantação de um programa de controle de cascudinho, com o Colosso Pulverização como ferramenta de controle em granjas de frango de corte do sudoeste do Paraná, apresentou significativa redução na infestação logo após a primeira aplicação em avaliações feitas entre fevereiro e junho de 2013 (Figura 5). Obteve-se o resultado através da contagem de cascudinhos adultos encontrados em iscas espalhadas nas instalações. Este trabalho comprova a importância do controle contínuo e eficaz para na avicultura industrial.


Figura 5: Redução da infestação de cascudinhos após uso do Colosso Pulverização.(Fonte: Ourofino - dados não publicados)

 

Referências:

ALVES, L.F.A.; UEMURA, D.H.; OLIVEIRA, D.G.P. de; GODINHO, R.P.V. Eficiência de um novo inseticida comercial para o controle do cascudinho dos aviários (Alphitobius diaperinus) (Panzer) (Coleoptera: Tenebrionidae). Arquivos do Instituto Biológico, São Paulo, v.77, n.4, p.693-700, out./dez. 2010.

CHERNAKI-LEFFER, A.M.; ALMEIDA, L.M.; SOSA-GOMEZ, D.R.; ANJOS, D.R.; VOGADO, K.M. Populational fluctuation and spacial distribution of Alphitobius diaperinus (Panzer) (Coleopera: Tenebrionidae) in poultry house, Cascavel, Parana State, Brazil. Braz. J. Biol. v. 67, n.2 , p. 209-213, 2007.

CICLO DE VIDA DO CASCUDINHO. Disponível em: http://escola.britannica.com.br/assembly/188766/Muitos-insetos-passam-por-um-processo-de-mudancas-fisicas-chamado

CONTROLE INTEGRADO DE PRAGAS: CONTROLE ESTRATÉGICO DO CASCUDINHO (ALPHITOBIUS DIAPERINUS). Disponível em: http://www.flip3d.com.br/web/pub/avisite/index2/index.jsp?ipg=147576. Acesso em 27/11/2015

GAZONI, F.L.; FLORES, F.; BAMPI, R.A.; SILVEIRA, F.; BOUFLEUR, R.; LOVATO, M. Avaliação da resistência do cascudinho (Alphitobius diaperinus) (Panzer) (Coleoptera: Tenebrionidae) a diferentes temperaturas. Arquivos do Instituto Biológico, São Paulo, v.79, n.1, p.69-74, jan./mar. 2012.

JAPP, A.K.; BICHO, C.L.; SILVA, A.V.F. Importância e medidas de controle para Alphitobius diaperinus em aviários. Ciência Rural, Santa Maria, v. 40, n. 7, jul. 2010

CASCUDINHOS NÃO PODEM SER EVITADOS, MAS DEVEM ESTAR SOB CONTROLE. Disponível em: http://www.opresenterural.com.br/noticias.php?n=3579. Acesso em 27/11/2015

REZENDE, S.R.F. Fungos Entomopatogênicos no Controle do Alphitobius Diaperinus (Panzer) (Coleoptera: Tenebrionidae) como Estratégia de Biosseguridade na Avicultura. 2009. 64 p. Dissertação (Mestrado em Ciências) – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Instituto de Zootecnia. UFRRJ. Seropédica-RJ, 2009.

Wolf, Jônatas. Associação de métodos químicos e físicos visando o controle de Alphitobius diaperinus (Panzer) (Coleoptera:Tenebrionidae) / Jônatas Wolf– Dois Vizinhos : [s.n], 2013. 

Gustavo Bomfim

Médico Veterinário e Consultor Técnico Aves & Suínos Ourofino Saúde Animal

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