11 nov 2020

Carrapato em bovinos: qual a melhor estratégia para controlar?

O carrapato é um desafio encontrado na maior parte do país e que causam perdas produtivas diretas e indiretas, prejudicando a produção animal. É o ectoparasita de maior importância e que causa o maior prejuízo ao produtor rural e isso o faz ocupar lugar de destaque na mente do produtor quando o assunto é parasitismo.

Por se tratar de um desafio inerente à atividade, o carrapato deve ser controlado de forma estratégica, utilizando sua biologia para nos auxiliar na escolha do tratamento mais efetivo contra esse parasita que, além da diminuição da produção por parasitismo, é o principal vetor do complexo Tristeza Parasitária Bovina, uma das principais causas de morte de bovinos.

A população de carrapatos se desenvolve em gerações que são aumentos repentinos na população de carrapatos de um ambiente, muito influenciada pela temperatura e pela incidência de chuvas. Portanto, nos períodos do ano onde há baixa umidade e temperaturas mais frias a fragilidade das gerações aumenta, podendo até haver o controle natural das infestações em alguns casos. Porém, pelo clima tropical e com o aumento da temperatura média no Brasil, temos um ambiente muito favorável para estes parasitas.

O comportamento das gerações varia de região para região, mas se comportam como ondas que aumentam conforme a população anterior teve possibilidade de fechar o seu ciclo. O controle estratégico deve ser iniciado antes da primeira onda, ou seja, da primeira geração que ocorre após as primeiras chuvas do ano. Na maior parte do país isso ocorre na primavera, por volta dos meses de outubro e novembro.

O controle da primeira onda é o mais importante porque ele quebrará os primeiros ciclos de vida do carrapato, diminuindo a força das próximas gerações. Se o tratamento desta primeira geração for negligenciado, há o risco de as próximas gerações ganharem força e perdermos o controle.

A quantidade e o tipo de produto que utilizaremos dentro de um protocolo de controle estratégico vão variar de acordo com o grau de infestação que encontramos na propriedade. Os graus de infestação são dependentes do histórico de controle de carrapatos na propriedade e, principalmente, das raças dos animais da fazenda, sendo os zebuínos (Nelore, Brahman, Gir Leiteiro) mais resistentes que os taurinos (Angus, Senepol, Holandês).

  • Baixa infestação: poucas formas jovens (micuins) e ausência de teleóginas (mamonas ou jabuticabas)
  • Média infestação: formas jovens moderadas e algumas teleóginas
  • Alta infestação: muitas formas jovens e muitas teleóginas

Quanto maior o grau de infestação, mais tratamentos teremos que realizar para manter os carrapatos controlados nos animais.

Para comprovar o real efeito do grau de infestação na quantidade de tratamentos necessários para manter a população de carrapatos sobre controle, a Ourofino em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG) realizou um estudo em que os animais foram separados em três grupos de acordo com o grau de infestação. Neste estudo os carrapatos eram contados semanalmente e o tratamento era realizado conforme a necessidade.

IMPORTANTE: É bom lembrar que o grau de infestação, a quantidade de tratamentos e o intervalo entre tratamentos serão diferentes em cada propriedade e em cada região. Devemos manter uma vigilância constante pra identificar o momento correto de tratamento.

Para auxiliar e aumentar a eficácia dos protocolos de controle estratégico devemos associar os acaricidas com os endectocidas injetáveis, como o Master LP, Ivermectina 4% longa ação.

Para manter a infestação de carrapatos sob controle é essencial deixar de “apagar incêndio”, tratando somente quando os animais já apresentam alta carga parasitária, e estabelecer um protocolo de controle estratégico desenvolvido especificamente para a sua propriedade.

Lucas Marques

Departamento Técnico Ourofino Saúde Animal

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