Cascudinho x Salmonelose

03 nov 2014

Cascudinho x Salmonelose

O Brasil se destaca mundialmente na produção de proteína de origem animal, em especial na produção de frango de corte, alcançando as marcas de maior exportador e terceiro maior produtor (FIESP, 2013). Esse resultado está aliado à melhoria da qualidade do produto e redução de custos de produção, devido a uma grande demanda de alimentos para atender às necessidades da população.

A expansão da avicultura refletiu na intensificação da produção, fazendo com que fosse necessário utilizar uma alta densidade de alojamento, que quando associado a outros fatores predisponentes, aumentou o desafio produtivo. Dentro deste contexto, o "cascudinho aviário", inseto de nome Alphitobius diaperinus, entra como um dos maiores vilões no que se refere a desempenho produtivo da avicultura de corte, bem como em predisposição a diversos tipos de doenças (Tabela 1).

Tabela 1. Importância econômica e sanitária do Cascudinho na avicultura

Trata-se de um besouro  cosmopolita primeiramente conhecido como praga de grãos armazenados, que foi introduzido nos aviários junto à ração para aves, adaptando-se às condições fornecidas por esse ambiente, onde se tornou a principal praga (Figura 1).

Andrea Panzardi
Figura 1. Foto da presença do Alphitobius diaperinus, conhecido como Cascudinho em cama aviária. (Foto:Andrea Panzardi)

Adaptou-se muito bem, pois a cama proporciona temperatura e umidade ideais para sua proliferação, que ocorre principalmente sobre muretas e pilares (Figura 2). 


Figura 2: Cascudinhos sobre muretas e pilares. (Fotos: Renato Teixeira e Andrea Panzardi)

Os insetos permanecem em meio à cama do aviário e, também no solo, se concentrando ao redor dos comedouros onde há maior disponibilidade de alimento. Nos intervalos entre um lote e outro de aves, caso não seja feito o controle, os insetos permanecem nos aviários devido à sua elevada capacidade de sobrevivência. Além disso, muitos deles acabam migrando para aviários próximos que ainda possuem aves em produção, e assim contribuindo com a disseminação de doenças.

O cascudinho alimenta-se de restos de ração, aves moribundas, mortas e fezes, tem acesso direto às aves através da cama, o que faz com que seja um veiculador de diversos patógenos, como Escherichia coli, Eimeria, vírus de Gumboro e entre eles destaca-se a salmonella.  Dependendo da infestação da cama, as aves acabam substituindo a ração balanceada por larvas e adultos do cascudinho, o que interfere diretamente na absorção de nutrientes, causando danos na mucosa intestinal das aves, abrindo portas para patógenos. Em decorrência desta alta infestação há um aumento do custo de produção, quando não controlado. Além disso, o cascudinho provoca danos nas instalações ao destruir a proteção usada para isolamento térmico dos galpões, afrouxamento estrutural devido aos túneis ao redor de pilares.

As salmoneloses aviárias são enfermidades provocadas por bactérias do gênero Salmonella. Essas bactérias infectam as aves e podem causar três enfermidades distintas: a pulorose, cujo agente é a Salmonella pullorum; o tifo aviário, causado pela S.gallinarum; e o paratifo aviário, causado por outras salmonelas que não a S.pullorum ou S.gallinarum. Têm atenção especial a S. pullorum e a S. gallinarum, pois trazem efeitos prejudiciais à saúde das aves, como diarreia, fraqueza, amontoamento, perda de apetite, prostração, retardo no crescimento seguido de morte. A Salmonella typhimurium e Salmonella enteritidis são importantes causas de toxinfecção alimentar no homem, a pessoa infectada tem febre, cólicas abdominais e diarreia severa, na maioria das vezes o paciente necessita ser hospitalizado.

Com a finalidade de reduzir os prejuízos causados pelo cascudinho na avicultura, a Ourofino desenvolveu um Programa Integrado para o seu controle, o Pró Aves. Este por sua vez engloba um trabalho técnico de treinamentos, visando a utilização de um produto que auxilia no controle do Cascudinho, denominado Colosso Pulverização (Gráfico 1).  Seus princípios ativos agem sinergicamente, sendo a Cipermetrina o inseticida mais eficiente do mercado, o Clorpirifós um inseticida com ação desalojante dos besouros das frestas/forro e o Citronelal um repelente natural.

O Controle deve iniciar, preferencialmente, logo após a retirada das aves do galpão, pois é o momento em que a temperatura da cama diminui e os insetos migram para as galerias subterrâneas, frestas do aviário e aviários adjacentes, caso próximos. Deve-se afastar a cama das muretas, pilares e linha de comedouro ou formar leiras com no mínimo 50 cm de altura amontoando a cama e então realizar aplicação do Colosso Pulverização (Figura 3). A diluição do produto deve ser em água limpa, obedecendo á dosagem de 1 litro do produto para cada 400 litros de água, ou de acordo com a recomendação de seu Medico Veterinário. Pulverizar todo o galpão com uma bomba de alta pressão com bico em leque, tanto dentro do galpão quanto na parte externa. Deixar o galpão com a cortina fechada durante 48 horas após aplicação do produto, realizar o manejo de limpeza e desinfecção e aí então alojar os pintainhos.


 

Figura 3. Colosso Pulverização.

O Colosso Pulverização é um produto registrado do Ministério da Agricultura e Pecuária sendo o único com garantia de resíduos abaixo do Limite Máximo de Resíduos (LMR) tanto para os princípios ativos quanto para seus metabólitos e tem eficiência logo após a primeira aplicação, quebrando o ciclo do cascudinho e assim garantindo uma produção de melhor qualidade (Gráfico 1).

Recomenda-se como coadjuvante no controle, evitar o desperdício de ração, recolher a  ração derramada no chão, fazer piso de concreto em instalações de chão-batido, controlar a umidade da cama e recolher as aves mortas pelo menos duas vezes ao dia.


Gráfico 1. Eficiência do tratamento com Colosso Pulverização de 15 aviários com camas entre 2ª e 10ª reutilização, pertencentes à integração de Agroindústria.

 

Referencias:

BERCHIERI JÚNIOR, A.; MACARI MARCOS, Salmoneloses Aviárias In: BERCHIERI JÚNIOR (Ed.). Doenças das Aves. 2a edição. Campinas-SP, Ed. FACTA, 2000, p. 185-195.

FIESP; ÍCONE. Outlook Brasil 2023-projeções para o agronegócio, Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais. São Paulo, 2013

Juliana Guerra Pinheiro

Discente Medicina Veterinária, Estagiária Departamento Técnico – Ourofino Saúde Animal

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