07 mar 2013

A importância do agente luteolítico (PGF2α) em programas reprodutivos para bovinos

A prostaglandina 2α (PGF) é um hormônio proveniente da quebra/clivagem do ácido araquidônico encontrado na membrana celular. O local exato de produção deste mediador inflamatório é o endométrio e tem como uma de suas funções controlar o tempo de vida do corpo lúteo (CL), estrutura que se forma após a ovulação. Existem no mercado alguns produtos a base de análogos sintéticos de PGF, dentre eles dinoprost trometamina e o cloprostenol. Quando comparamos as moléculas, o Cloprostenol apresenta algumas diferenças químicas que o torna uma molécula mais moderna. Este possui um anel de cloro benzílico que reduz a ação enzimática que degrada esta molécula, tornando-o mais resistente ao metabolismo endógeno quando comparado ao dinoprost. Ademais, o cloprostenol sódico possui uma meia vida plasmática 23 vezes maior que o dinoprost (aproximadamente 3 horas vs 8 minutos, respectivamente; MacCracken et al.,  1999). De uma maneira geral, a PGF tem função primordial de luteólise e é amplamente utilizada em programas de sincronização do cio para inseminação artificial, quer seja pelo método convencional ou tempo fixo (IATF), visto que a probabilidade da vaca tornar-se gestante depende de uma completa luteólise, para que os níveis circulantes de progesterona (P4) no momento da inseminação estejam dentro do limite mínimo ideal. Souza et al. (2007) comprovaram que vacas que apresentavam concentrações maiores que 0,5ng/mL até 48 horas após a aplicação da PGF tiveram uma redução de 50% na prenhez/IA comparadas aos animais com níveis menores que 0,5ng/mL. Assim, evidenciou-se que a rápida redução nos níveis circulantes de P4 associada à luteólise completa tem correlação com maior fertilidade (Brusveen et al., 2006). Adicionalmente, níveis de P4 ≥ 0,5 ng/mL no momento da IA reduzem a contratilidade uterina, pois a P4 diminui o número de receptores para ocitocina, angiotensina II e estrógenos no endométrio (Graham e Clarke, 1997).  Além disso, a regressão tardia ou incompleta do CL tem efeito negativo indireto sobre a produção de estradiol (E2; Bridges e Fortune, 2003). Diversos autores demonstraram que 5 a 20% das vacas de leite sincronizadas com protocolos Presynch/Ovsynch apresentaram luteólise incompleta ou atraso no processo  após a aplicação da fonte de PGF, sendo que a maioria deles trabalhou com dinoprost trometamina como agente luteolítico (Moreira et al., 2000; Gümen et al., 2003; Brusveen et al., 2009). Pursley et al. (2012), em trabalho com mais de 4 mil vacas de leite (média de produção 33kg/dia) compararam o uso de análogos de PGF (Cloprostenol sódico - 500µg – 2mL vs Dinoprost – 25mg – 5mL) em programa de observação de cio diário por 5 dias após o tratamento. O manejo de observação utilizou bastão de cera como ferramenta auxiliar à detecção do cio. As vacas de 1º parto tratadas com cloprostenol sódico apresentaram melhores taxas de detecção de cio (P= <0,01), concepção e prenhez em relação aos animais tratados com dinoprost. Tabela 1. Efeito de 500 µg de cloprostenol sódico versus 25 mg de dinoprost trometamina sobre as taxas de detecção de cio, concepção e prenhez em vacas de leite de alta produção de 1º, 2º e 3º partos, inseminadas artificialmente nos dias 3 e 4 durante um intervalo de 5 dias após o tratamento com duas aplicações, com intervalo de 14 dias, de cloprostenol sódico ou dinoprost. (Pursley et al., 2012). Além disso, de maneira geral, foi possível observar uma tendência a favor dos animais tratados com cloprostenol sódico para detecção de estro, quando comparados aos tratados com dinoprost durante o período de observação de cio (até 5 dias após o tratamento; tabela 1.) Uma possível explicação para tal efeito seria a diferença de metabolismo dos animais de 1º parição. Sangsritavong et al. (2002) demonstraram menores níveis circulantes de estrógeno em animais com alta ingestão de matéria seca. Vacas de primeira lactação apresentam claramente menor ingestão de matéria seca e consequentemente menor metabolismo energético quando comparadas às vacas com mais de uma parição. Assim, essas fêmeas possuem níveis de estrógeno mais elevados o que proporciona maiores chances de exibir sinais de estro. Outro estudo realizado por Martins et al. (2011) avaliou os respectivos luteolíticos em um programa de sincronização (G6G/Ovsynch) de vacas de leite cíclicas. Os animais tratados com cloprostenol sódico apresentaram uma redução mais rápida nos níveis plasmáticos de P4, especificamente nas primeiras 14 horas, quando comparados  aos animais tratados com dinoprost. (Figura. 1). Figura 1. Concentração sérica de P4 (ng/mL) de vacas de leite cíclicas tratadas com cloprostenol sódico ou dinoprost que apresentaram luteólise completa em até 56 horas após o tratamento. (Martins et al., 2011). Com a redução mais acentuada nos níveis circulantes de P4, a pulsatilidade de LH torna-se maior, possibilitando um aumento na produção de E2 pelo folículo dominante. O pico na produção de E2 tem sido relacionado com sinais de estro, sendo que esta alta concentração próximo ao momento de inseminação pode influenciar a fertilização através do transporte espermático e alteração do ambiente uterino. (Hawk, 1983). A rápida queda nos níveis plasmáticos de P4 é de extrema importância, principalmente nas primeiras 56 horas após a administração do agente luteolítico, já que os valores de progesterona devem estar abaixo 0,5 ng/mL para que a vaca tenha mais chance de ovular o folículo dominante sincronizado. Caso os níveis de P4 estejam acima deste valor a probabilidade de ovulação é menor e consequentemente diminui a chance de tornar-se gestante (Martins et al., 2011). Figura 2. Concentração sérica de E2 (pg/mL) em vacas de leite cíclicas tratadas com cloprostenol sódico ou dinoprost que apresentaram luteólise completa em até 56 horas após o tratamento. (Martins et al., 2011) . Figura 3. Probabilidade prevista de prenhez baseada na concentração de E2 em vacas de leite com corpo lúteo funcional sincronizadas (Ovsynch) após a 2º aplicação de GnRH. A partir dos dados publicados e discutidos acima, pode-se concluir que o uso de cloprostenol sódico como agente luteolítico em programas reprodutivos resultou em luteólise completa em menor tempo e reduziu os níveis circulantes de P4 mais rapidamente elevando a pulsatilidade de LH e a concentração de E2. Consequentemente, o tratamento com cloprostenol poderá incrementar as taxas de detecção de cio e concepção, principalmente em vacas primíparas produtoras de leite.   Por Equipe Linha Reprodutiva Ourofino Agronegócio Ltda

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