23 mar 2018

Protocolo de secagem é uma excelente ferramenta para controlar a mastite

A mastite bovina afeta diretamente a rentabilidade da pecuária leiteira devido à redução da produção e qualidade do leite, aumento nos custos produtivos e descarte prematuro dos animais. Diante desse cenário, o protocolo de secagem é capaz de desempenhar um papel essencial para propriedade.

É imprescindível que as vacas leiteiras passem por uma fase de descanso entre cada lactação, chamada de período seco. Esse momento é uma necessidade fisiológica do animal e possui relação direta com a saúde do úbere e com a produção de leite. Estudos sugerem que a duração desse período pode variar de 45 a 60 dias, onde intervalos abaixo ou acima disso implicam em alteração da capacidade produtiva do animal na lactação subsequente.

Para evidenciar a importância do período seco para o processo produtivo da vaca, podemos dividi-lo em três fases (Figura 1):

1. Fase de involução ativa: inicia-se após a última ordenha e termina quando a glândula mamária está completamente involuída (duração de até quatro semanas). Nessa fase ocorre a formação do tampão de queratina - funciona como barreira física, impedindo a entrada de agentes patogênicos no canal do teto. Entretanto, a velocidade de formação do tampão está relacionada com a capacidade produtiva do animal e a fatores individuais.

Na involução ativa é verificado alto risco de novas infecções devido a diversos fatores:

a) acúmulo de leite na glândula;

b) vazamento de leite dos quartos mamários;

c) aumento da contaminação da extremidade dos tetos devido à descontinuidade da ordenha;

d) redução da capacidade de resposta do sistema imune; e) atraso ou não formação do tampão de queratina.

2. Fase de involução estável: inicia-se após a involução ativa e varia de acordo com a duração total do período seco. Nesse momento a glândula mamária está completamente involuída e apresenta-se altamente resistente às novas infecções.

3. Fase de colostrogênese: inicia-se de 2 a 3 semanas pré-parto. Nessa fase a glândula mamária se prepara para a síntese de colostro, havendo novamente alto risco de novas infecções (aumento da pressão intramamária e redução da capacidade de resposta do sistema imune da fêmea).

Figura 1. Fases do período seco e média de duração delas (Adaptado de Marcos Veiga dos Santos).

As mastites que ocorrem durante o período seco podem ser oriundas de infecções persistentes da lactação anterior e/ou de novos casos adquiridos nesse período. Os agentes que estão envolvidos nas infecções persistentes da lactação anterior são geralmente de origem contagiosa. Já os novos casos estão associados aos agentes ambientais, devido principalmente às condições inadequadas de alojamento das vacas não lactantes.

O protocolo de secagem utilizando antimicrobiano intramamário específico e selante de tetos (Figura 2) mostra-se como estratégia eficaz para o controle da mastite.

Figura 2. Imagem radiográfica após aplicação de selante de tetos Sellat, evidenciando a mimetização do tampão de queratina (Ourofino Saúde Animal, Brasil). 

Importância do protocolo de secagem

• Possibilita maior taxa de cura microbiológica de infecções subclínicas quando comparado ao tratamento durante a lactação

• Promove redução na taxa de novas infecções no período seco

• Permite redução na incidência de mastite clínica no pós-parto imediato

A escolha do protocolo

Estudos recentes compararam a eficácia de dois protocolos de secagem comerciais. Para isso, foram utilizadas 550 fêmeas de alta produção provenientes de rebanhos com controle sanitário. Os animais foram distribuídos aleatoriamente em dois grupos: ciprofloxacina associada ao selante de tetos (Ciprolac Vaca Seca e Sellat; 882 quartos mamários) e cefalônio anidro associado ao selante de tetos (814 quartos mamários). Culturas microbiológicas foram realizadas na secagem, 7 e 14 dias após o parto. 

Figura 3. Taxa de cura microbiológica de infecções intramamárias dos quartos tratados com os protocolos.

Figura 4. Taxa de novas infecções pós-parto dos quartos tratados com os protocolos.

Os dados indicaram que a associação de Ciprolac Vaca Seca e Sellat apresentou a mesma eficiência de cura microbiológica de infecções intramamárias subclínicas do que o tratamento com cefalônio anidro e selante de tetos. No entanto, os quartos mamários tratados com Ciprolac Vaca Seca e Sellat apresentaram 35% menos novos casos de mastite nas duas primeiras semanas após o parto.

Prejuízos econômicos provocados pela mastite podem ser reduzidos com a utilização do protocolo de secagem como uma das principais medidas para controle das infecções intramamárias nos rebanhos leiteiros. 

 

 

Bruna Guerreiro e Marcelo Feckinghaus, Especialistas Técnicos em Saúde Animal

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