Uso do Toltrazuril no tratamento da EPM em equinos

13 abr 2015

Uso do Toltrazuril no tratamento da EPM em equinos

Considerada uma das afecções neurológicas mais frequentemente diagnosticadas em equinos, a mieloencefalite protozoária equina (EPM) é causada pelo protozoário Sarcocystis neurona e em casos mais raros pelo Neospora hughesi. Nos episódios em que ocorre a infecção clínica o quadro é caracterizado por disfunção neurológica crônica. Os sinais clássicos são ataxia, desordens proprioceptivas e atrofia muscular. Em casos incomuns também pode ser observado cegueira, desordens do comportamento e sinais associados aos nervos cranianos.

O tratamento de cavalos com suspeita de EPM deve começar o mais breve possível. A associação entre sulfa e pirimetamina tem sido utilizada desde 1974, quando a etiologia da doença foi reconhecida. No entanto, após o cultivo do S. neurona foi possível testar novos fármacos para o tratamento da doença.  Atualmente o toltrazuril, fármaco anticoccidiano pertencente à classe das triazinonas, têm sido alvo de muitas pesquisas.

O toltrazuril atua nas diferentes formas evolutivas do parasito. É oxidado e produz os metabólitos toltrazuril sulfóxido e toltrazuril sulfona (ponazuril). Em estudo realizado por Lindsay et al (2000) este último já provou ser eficaz, in vitro, contra S. neurona, inibindo mais de 90% do seu crescimento.

Furr & Kennedy (2000) conduziram um estudo para avaliar a distribuição do Toltrazuril 5% e seus metabólitos no sangue e líquido cérebro espinhal de equinos. A partir dos resultados obtidos foi possível confirmar que o Toltrazuril 5% é absorvido rapidamente após administração oral no equino, sendo a meia vida de absorção de aproximadamente 3h. Ainda, foi possível concluir que o Toltrazuril 5% alcança concentração inibitória no líquido cérebro espinhal na dose 5 a 7,5mg/kg. Na EPM, o agente etiológico é encontrado nos neurônios, neutrófilos e células endoteliais do sistema nervoso central. Desta forma, alcançar uma concentração efetiva do fármaco neste local é importante para eliminar a infecção.

De acordo com Durbey et al (2015) A duração do tratamento da EPM é difícil de determinar. O período de encerramento do tratamento num animal em particular ainda permanece problemático. A duração do tratamento parece ser mais importante do que o pico de concentração, desde que o animal receba a concentração inibitória mínima. Desta forma, os animais devem ser avaliados após 1 mês do início do tratamento. Se houve melhora, mas ainda podem ser observados sinais clínicos, outro mês de tratamento é recomendado. O cavalo deve ser observado e examinado rotineiramente por pelo menos 1 mês após o tratamento ser interrompido para evitar recidiva da doença.

É importante ressaltar também que muitos cavalos são soropositivos para a doença, no entanto, poucos desenvolvem a afecção clínica. Isto pode sugerir que exista uma influência da imunidade do paciente durante o curso da afecção. Desta forma, terapias de suporte também devem ser consideradas durante o tratamento visando aumentar o status imunológico e evitar reações inflamatórias indesejáveis.

 

Referências:

BELLO, T.R.; ALLEN, T.M. An Intensive Approach in the Treatment of Clinical Equine Protozoal Myeloencephalitis. Journal of Equine Veterinary Science. v. 28, n. 8, 2008.

DUBEY, J.P.; HOWE, D.K.; FURR, M.; SAVILLE, W.J.; MARSH, A.E.; REED, S.M.; GRIGG, M.E. An update on Sarcocystis neurona infections in animals and equine protozoal myeloencephalitis (EPM). Veterinary Parasitology. V. 209, 2015.

FURR, M., KENNEDY T., Cerebrospinal Fluid and Blood Concentrations of Toltrazuril 5% Suspension in the Horse After Oral Dosing. Veterinary Therapeutics. v. 1, n. 2, 2000.

LINDSAY, D.; KENNEDY, T.; DUBEY, J. Determination of the activity of ponazuril against Sarcocystis neurona in cell cultures. Veterinary Parasitology. v. 92, 2000. 

Raquel Albernaz

Especialista Técnica Saúde Animal

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